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13 anos depois, a Tasca do Paiol tem uma nova carta e chefs convidados

O espaço bracarense prepara-se para receber Vasco Coelho Santos, para um jantar exclusivo que marca uma nova etapa.

Há restaurantes que mudam de carta. Outros remodelam a decoração ou ampliam a esplanada. Na Tasca do Paiol, em Braga, a evolução acontece de outra forma: à volta da mesa. Entre o cheiro da brasa, os petiscos para partilhar e o vinho servido sem cerimónias, o espaço prepara-se para receber esta terça-feira, 22 de julho, um dos nomes mais reconhecidos da gastronomia nacional. Vasco Coelho Santos, chef do Euskalduna Studio, distinguido com uma estrela Michelin, será o protagonista de um jantar especial que promete cruzar a identidade da casa com uma cozinha mais contemporânea.

É mais um capítulo de uma história que começou há 13 anos, quando Tiago Carvalho encontrou um antigo paiol praticamente em ruínas e decidiu transformá-lo num lugar onde o fogo continuaria a ser protagonista — já não para guardar pólvora, mas para cozinhar. Desde então, o espaço cresceu sem perder o espírito descontraído de uma tasca minhota, onde “ser tasqueiro é um estilo de vida” e onde o convívio vale tanto como aquilo que chega à mesa.

“Poderíamos continuar a fazer apenas aquilo que sempre fizemos, mas sentimos necessidade de oferecer experiências diferentes sem deixar de ser quem somos. A Tasca continua a ser uma tasca, apenas abre a porta a outras formas de cozinhar e a outras pessoas”, conta Tiago Carvalho à NiB.

A ideia começou a ganhar forma há alguns anos, mas foi em 2026 que assumiu um novo fôlego. Depois de receber David Cunha, fundador da Garagem 33, num jantar que homenageou Victor Peixoto, do histórico restaurante O Victor, o Paiol decidiu transformar estes encontros numa aposta regular. Antes disso, já tinha experimentado cruzar a sua cozinha com outros nomes da gastronomia, entre eles Chakall, numa noite dedicada ao fogo argentino. Pelo caminho, passaram diferentes técnicas, produtos e formas de cozinhar, mas a filosofia manteve-se intacta.

“Não queremos trazer um chef para dar uma aula ou fazer um jantar de gala. O objetivo é partilhar conhecimento. Cada um aprende alguma coisa com o outro e isso acaba por ficar na casa”, explica o responsável.

O tascólogo por tás rdo Paiol.

Tiago admite que muitos desses momentos acabam por mudar pequenos detalhes da cozinha do dia a dia. Pode ser uma técnica diferente para trabalhar a brasa, uma nova forma de preparar um ingrediente ou simplesmente outra maneira de organizar o serviço. “Se eles aprenderem alguma coisa connosco, ótimo. Se não aprenderem, é porque já sabiam mais do que nós. Nós tentamos sempre absorver alguma coisa.”

Essa vontade de aprender acompanha-o desde muito antes de abrir a Tasca do Paiol. O fundador nunca frequentou escolas de cozinha nem passou pelas grandes academias da gastronomia. A maior parte daquilo que sabe nasceu em casa, ao lado da mãe, Rosa da Costa Oliveira.

No início de julho, Tiago despediu-se daquela que descreveu como “a melhor professora” que alguma vez teve. Recordou que foi com ela que aprendeu muito antes de existir a Tasca do Paiol ou qualquer reconhecimento pelo seu trabalho. “Esta sabedoria não veio das melhores escolas de cozinha nem de formações. Foi sendo construída ao longo destes últimos 13 anos. Mas aquilo que eu trazia já vinha de casa”.

Mais do que receitas, foi dela que herdou a forma de olhar para a cozinha: cozinhar para os outros como quem recebe família, respeitar o produto e perceber que os melhores pratos nem sempre precisam de grandes técnicas para criar memórias.

Essa influência continua hoje bem presente na identidade da Tasca. A cozinha permanece centrada nos sabores tradicionais, no tempo dedicado às brasas e numa hospitalidade que Tiago faz questão de preservar, mesmo à medida que o restaurante ganha notoriedade muito para lá de Braga.

“O importante nunca foi transformar isto num restaurante sofisticado. Queremos que as pessoas entrem e sintam que estão em casa. Depois, se conseguirmos surpreendê-las com algo novo, melhor ainda.”

É essa combinação entre tradição e novidade que explica a próxima iniciativa. No dia 22 de julho, Vasco Coelho Santos troca, por uma noite, o ambiente intimista do Euskalduna Studio pelo espírito descontraído da Tasca do Paiol. O objetivo, garante Tiago, não passa por transformar o espaço num restaurante Michelin, mas sim mostrar como duas formas diferentes de cozinhar podem encontrar-se à mesma mesa.

Quem marcar presença neste jantar encontrará esse encontro de estilos. Vasco Coelho Santos levará até Braga a cozinha que lhe valeu uma estrela Michelin no Euskalduna Studio, reconhecida pela técnica, criatividade e respeito pelo produto, mas adaptada ao espírito informal do Paiol. O desafio será criar um menu pensado de raiz para a ocasião, onde a brasa, o fogo e a cozinha portuguesa continuam a ser o ponto de partida.

“O Vasco é um cozinheiro que admiramos há muitos anos. Tem uma cozinha muito própria, mas também muito ligada ao produto. Faz todo o sentido recebê-lo aqui porque partilhamos essa preocupação com a matéria-prima e com o sabor”, explica Tiago.

O jantar terá um menu de degustação exclusivo, criado pelos dois chefs para esta colaboração. O valor é de 95€ por pessoa e inclui harmonização vínica, numa experiência pensada para um número limitado de participantes.

 
 
 
 
 
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A iniciativa representa também uma nova fase para a Tasca do Paiol. Depois de anos a afirmar-se como uma referência da cozinha minhota mais tradicional, o restaurante pretende continuar a receber chefs convidados e transformar estes encontros numa espécie de laboratório gastronómico, sem nunca perder a identidade que lhe deu origem.

“Não queremos deixar de ser tasca. Quem vier cá daqui a dez anos tem de continuar a sentir que está no Paiol. Estes jantares servem para acrescentar, não para mudar aquilo que somos.”

Essa mesma vontade de evoluir está refletida na nova carta, apresentada no final de junho. A ementa mantém muitos dos clássicos da casa, mas ganhou novas sugestões, uma seleção de carnes maturadas, reforçou a oferta de peixe e passou a apostar ainda mais na harmonização vínica.

Entre os petiscos continuam a destacar-se propostas como o polvo à galega (23€), o camarão ao alho (22,50€), o bife tártaro (18€), os chicharrones fritos (17,50€), o amêijoa à Paiol (17€), a punheta de bacalhau (12€), os ovos rotos à Nossa Moda (12€), as moelas (5€), os rojões (6€) e a alheira barrosã na brasa (9€). Há ainda tábuas de enchidos e de queijos para partilhar, além de pratos tradicionais como a sopa (3€) e a canja (3€).

Nas brasas continuam a passar alguns dos pratos mais emblemáticos da casa. O polvo pode ser servido na brasa (48€) ou em meia dose (25€), enquanto o robalo, o rodovalho e o linguado são preparados conforme o peso. Para quem prefere carne, a carta inclui diferentes cortes de bovino, como o costeletão da Quinta do Souto para partilhar (115€), vazia, bife à dona Rosa e picanha em várias gramagens.

Os pratos para grupos também continuam intactos. É possível encomendar frango com arroz de romaria (85€), cabritinho no forno (42€), bacalhau à Santo Amaro (48€), carrilhada de vitela (24€) ou pernil no forno (20€), opções que refletem o espírito de partilha que sempre caracterizou a casa.

No final da refeição surgem sobremesas igualmente tradicionais, como o tiramisù artesanal (9€), as miniaturas caseiras (6,50€), cheesecake de abóbora ou de maçã e canela (6€), bolo de bolacha (5€), mousse de chocolate (4,50€), pudins caseiros (4,50€), rabanada (4,50€) e fruta da época (4€).

Mas uma das maiores novidades está longe dos tachos. A garrafeira foi completamente reforçada e transformou-se numa das apostas do restaurante. Além dos vinhos da casa, há referências de praticamente todas as regiões do País, desde o Minho ao Douro, Alentejo e Dão, incluindo espumantes, champanhes e uma garrafeira privada onde repousam colheitas raras e vinhos de guarda cuidadosamente preservados ao longo dos anos.

Entre as referências encontram-se nomes como Pêra-Manca, Barca Velha, Chryseia, Poeira, Quinta da Leda, Quinta do Vallado, Cartuxa, Esporão, Ruinart, Dom Pérignon, Louis Roederer Cristal ou Taittinger, lado a lado com produtores menos conhecidos e pequenas casas portuguesas que Tiago foi reunindo ao longo do tempo. A seleção pretende responder tanto a quem procura uma garrafa especial para celebrar uma ocasião como a quem apenas quer acompanhar um jantar de petiscos com um bom vinho.

Curiosamente, apesar da paixão pela garrafeira, Tiago costuma brincar com uma ironia que já faz parte da identidade da casa. Apresenta-se como “tasqueiro que não bebe”, uma referência bem-humorada ao facto de dedicar anos a escolher vinhos sem ser grande consumidor deles.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. Sra. da Boavista, 20
    4705-161 Braga
  • HORÁRIO
  • Terça a quinta-feira das 17h às 23h
  • Sexta-feira e sábado das 12h30 às 23h
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Petiscos

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