Muito antes dos fogões modernos, das bancadas em inox ou dos programas de culinária, cozinhar era um processo demorado, exigente e feito à volta de enormes lareiras de pedra. Foi neste cenário que, durante os séculos XVII e XVIII, nasceram muitos dos banquetes servidos à nobreza bracarense, alguns deles na histórica Cozinha Senhorial do Palácio dos Biscainhos, que depois de quase três anos encerrada para obras volta agora a receber visitantes.
A reabertura aconteceu na passada terça-feira, 5 de maio, após uma intervenção de conservação, restauro, reforço estrutural e renovação museográfica. O espaço integra novamente o percurso visitável do Museu dos Biscainhos e apresenta agora uma componente mais imersiva e pedagógica, focada no quotidiano e nas práticas gastronómicas da época.
O novo percurso expositivo contextualiza a alimentação da nobreza portuguesa dos séculos XVII e XVIII, com destaque para a obra “Arte de Cozinha”, de Domingos Rodrigues, considerada um dos primeiros grandes livros de culinária portugueses. Entre as novidades estão também cerca de 70 peças de cerâmica portuguesa, muitas delas apresentadas ao público pela primeira vez, além de taxaria, almofarizes e objetos provenientes de outras instituições museológicas nacionais.
Um dos elementos centrais continua a ser a grande lareira da cozinha, agora integrada numa recriação mais completa do ambiente original. Há engenhos, espetos em ferro, elementos multimédia e detalhes arquitetónicos que ajudam a perceber como funcionava aquele espaço há mais de 300 anos.
O Palácio dos Biscainhos foi fundado no século XVII e transformado ao longo da primeira metade do século XVIII, tornando-se um dos exemplos mais relevantes da arquitetura barroca portuguesa. Desde 1978 funciona como museu e permite conhecer o quotidiano da nobreza da época, mas também das pessoas que trabalhavam no palácio, como criados, capelães e escravos.
Além da cozinha, os jardins históricos também reabriram ao público. O espaço continuará a receber intervenções até ao final de agosto, incluindo melhorias na iluminação, valorização paisagística e a criação de um observatório ambiental no antigo pombal.
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