Há cafés onde se vai para ficar. E depois existem os espaços que parecem feitos para o ritmo da cidade, para quem anda de um lado para o outro, mas não quer abdicar de beber qualquer coisa em condições pelo caminho. Em Braga, esse lugar agora existe mesmo. Chama-se Ape Coffee Corner, abriu a 21 de janeiro na Praça Conde Agrolongo e trouxe um conceito ainda pouco comum por cá: café de especialidade, bebidas quentes e frias, smoothies e matcha, quase tudo pensado para take away, com um detalhe pensado para o Instagram: todas as bebidas são servidas em lata, seladas na hora.
O espaço é uma extensão do universo Ape Coffee, a marca criada por Diogo Dias Gomes, de 35 anos, que começou longe das máquinas de café e dos menus de panquecas. É licenciado em engenharia civil, trabalhou em direção de obra e controlo económico de empreitadas, mas sempre soube que o que o movia estava noutro sítio. “O que me motiva não é uma coffee shop em si. O que eu gosto mesmo é da parte de criar”, explica. “Isso é o que me dá mais prazer.”
A história começou em 2015, quando decidiu arrancar com um projeto ambulante, de investimento mais baixo, usando uma Piaggio Ape adaptada para servir espresso nas ruas do centro histórico de Braga. Foi dessa pequena motorizada de três rodas que nasceu o nome da marca. Dois anos depois, abriu a primeira coffee shop e, em 2019, começou a torrar o próprio café de especialidade. A pandemia travou parte desse crescimento e obrigou a fechar o espaço que entretanto tinha aberto em Barcelos. Em 2023, a casa-mãe mudou-se para o edifício Setra, perto da Sé, onde hoje funciona num espaço amplo, partilhado com outros negócios e com um ambiente mais composto, de pequena cafetaria urbana onde se pode ficar sem pressa.
O novo Corner é outra coisa. Mais pequeno, mais rápido, mais direto. “É takeaway, maioritariamente. É um espaço muito pequenino e não temos sequer lugares sentados”, resume Diogo. A ideia não era repetir exatamente o primeiro café, mas encontrar uma versão mais prática do conceito. “Eu não queria abrir muitas mais lojas físicas. Queria algo diferente.”
Esse “diferente” nota-se logo na montra e na forma como as bebidas são apresentadas. O interior é limpo, claro, minimalista, com uma estética branca e simples que deixa o protagonismo para o produto. E o produto, aqui, quer ser visual, fotogénico e fácil de agarrar. É por isso que as bebidas aparecem em latas transparentes, fechadas ali mesmo, prontas para levar. “Ando sempre atrás de coisas diferentes, para entregar o mesmo produto de uma maneira diferente”, conta. “A experiência é o mais importante.”
No Ape Coffee Corner há cafés de especialidade, cappuccinos, lattes, americanos, chai latte, macchiatos de caramelo e chocolate, bebidas frias, limonadas, chás frios, smoothies naturais e matcha. Este último, admite o fundador, não nasceu de uma paixão pessoal.
“Eu não gosto de matcha”, diz, entre risos. “Mas está muito na moda e as pessoas pedem.” Já os smoothies seguem outra lógica: são feitos com fruta, sem adição de açúcar, para manter um perfil mais natural. A preocupação com a qualidade está sempre lá, mas sem o lado mais rígido que às vezes afasta clientes menos habituados ao universo do specialty coffee.
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Esse também é um ponto importante na filosofia da marca. O Ape Coffee trabalha com café de especialidade torrado por eles, com origens como Brasil, Uganda, Etiópia ou Panamá, mas Diogo nunca quis transformar o conceito num exercício de purismo. “O mais importante que nós temos são os clientes”, diz.
“Não adianta virem cá uma vez, experimentarem e não voltarem mais. Têm de experimentar, gostar e repetir.” A mesma lógica aplica-se ao serviço. Em vez de impor regras, prefere adaptar a experiência ao gosto de quem entra. “Há muito pessoal do café de especialidade que é intransigível. Eu não sou.”
Se no Corner as bebidas (desde 1,20€) são a principal atração, acompanhadas pelos croffles (3€) — aquela mistura entre croissant e waffle, feita na máquina de waffles com massa folhada, crocante por fora e macia por dentro —, na casa-mãe o menu continua a ser mais amplo e indulgente. No Ape Coffee do edifício Setra há crepes doces e salgados, bebidas quentes e frias, frappés, menus de pequeno-almoço e almoço e, sobretudo, as panquecas altas e fofas que já se tornaram uma espécie de assinatura da marca. Algumas ganham coberturas mais simples; outras aparecem com chocolate líquido e uma argola que o cliente retira na mesa, criando uma pequena cascata antes de comer. É visual, exagerado q.b. e perfeito para redes sociais — sem deixar de ser guloso.
A carta também ajuda a explicar o sucesso. No café do Setra, um espresso custa 1,20€, um americano começa nos 2€, o cappuccino nos 2,70€ e os smoothies rondam os 2,80€. Há panquecas tradicionais ou de aveia a partir de 3,40€, versões mais compostas por 6,50€, crepes doces entre 3,40€ e 4,90€, salgados por 5,90€ e menus que vão dos 7,50€ aos 13,50€. É uma oferta pensada para vários momentos do dia, do pequeno-almoço ao lanche tardio.
No fundo, o Ape Coffee e o Ape Coffee Corner funcionam como duas versões da mesma ideia. Um é o sítio para sentar, pedir panquecas, ficar mais um bocado e provar cafés de diferentes origens. O outro é o lado mais rápido, mais portátil e mais urbano da marca, pensado para quem vive a cidade em andamento, mas quer levar consigo qualquer coisa melhor do que um café apressado de balcão.
“Gosto de criar coisas diferentes”, resume Diogo. Talvez seja essa a melhor forma de explicar o novo espaço. Num centro cheio de cafés, o Corner percebeu que, para se destacar, não bastava servir bem. Era preciso dar ao café outra forma de circular pela cidade.

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