Óscar Veloso comprou um edifício junto à Sé de Braga para instalar o seu escritório, mas os planos mudaram quando começaram as obras de recuperação do imóvel, que estava abandonado há cerca de 40 anos. Os trabalhos arrancaram em junho de 2022 e revelaram uma série de vestígios arqueológicos de finais do século IV e inícios do V, entre os quais pavimentos em mosaico, um altar, um batistério e uma estátua em bronze do Deus Sol. Perante as descobertas, Óscar decidiu que aquele espaço merecia ser mais do que um escritório e acabou por abrir ali um restaurante.
O Basílica começou a receber clientes a 2 de junho, ainda em fase de soft opening, e deve o nome aos achados arqueológicos, que poderão estar ligados à basílica paleocristã identificada sob a atual Sé de Braga. As peças foram mantidas nos locais onde apareceram e fazem agora parte do restaurante, para que quem passa por lá também possa conhecer um pouco da história do edifício.
“O mais curioso é que o Basílica não estava nos planos”, contam os responsáveis pelo projeto. “À medida que percebíamos a dimensão e a importância daquilo que estava a ser descoberto, tornou-se evidente que instalar simplesmente um escritório naquele espaço seria pouco para um lugar com esta história.” A recuperação do edifício prolongou-se até setembro de 2025 e, no mês seguinte, começaram as obras do restaurante, que terminaram em maio de 2026. Ao todo, o projeto representou um investimento de cerca de 700 mil euros.
Óscar tem 46 anos e trabalha como economista, consultor fiscal e auditor, pelo que, para avançar com o restaurante, contou com a experiência de Yang Qi, de 32 anos, natural de Vila Nova de Famalicão. Yang cresceu perto do negócio de restauração da família e fundou o Grupo 5Y, que tem atualmente 14 restaurantes em Braga, Famalicão, Vizela, Paredes e Porto, entre os quais o Mikado, o Hoko, o Myuki e o Los Pepes. Os dois conheceram-se quando Yang recorreu aos serviços profissionais de Óscar e foi durante uma conversa sobre o edifício que recebeu o convite para criar ali um restaurante.
Com cerca de 300 metros quadrados, o Basílica tem aproximadamente 60 lugares no interior, 24 na esplanada e uma zona de bar, onde é possível beber um copo ou partilhar alguns pratos sem ter de se sentar para uma refeição completa. A decoração mistura elementos contemporâneos com os vestígios encontrados durante as obras, que continuam a fazer parte do espaço. A estátua do Deus Sol serviu de inspiração para o símbolo do logótipo e há também um mural dedicado a Nossa Senhora do Leite, numa referência à rua onde fica o restaurante.
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À frente da cozinha está João Nuno Correia, de 30 anos, natural de Ponte de Lima, que cresceu entre a sala e a cozinha do Celeiro, o restaurante dos avós. Apesar dessa ligação à restauração, começou por estudar Biologia e Geologia na Universidade do Minho e só mais tarde decidiu seguir cozinha, com uma formação em Gestão e Produção de Cozinha na Escola de Hotelaria e Turismo do Porto. Trabalhou no Le Monument e no Almeja, no Porto, no Ten’s, em Barcelona, e em outros projetos em Portugal e na Bélgica, antes de assumir o cargo de chef executivo do Grupo 5Y.
Para o Basílica, criou uma carta com pratos para partilhar, opções cruas, aperitivos, propostas feitas no fogo, pratos de assinatura e sobremesas, numa cozinha que procura respeitar os ingredientes e as receitas, em vez de apostar em combinações diferentes apenas pela novidade. “Não queremos reinventar um prato apenas para podermos dizer que o fizemos. Queremos respeitar a sua essência e utilizar produto, conhecimento e técnica para o fazer tão bem quanto conseguirmos”, explicam os responsáveis.
Grande parte da carta passa pelo forno-grelha a carvão Josper, onde são preparados carnes, peixes e vegetais para lhes dar um sabor tostado, sem esconder o gosto dos ingredientes. Um dos pratos mais pedidos é o Robalo & Bulhão Pato (25€), a que a equipa chama “robalo pele de crocodilo” por causa da textura crocante da pele do peixe. Também há raia meunière (23€), entrecôte (38€) e tornedó (27€), todos com dois acompanhamentos à escolha.
Para começar a refeição, pode pedir croquetas de presunto ibérico e gamba (9€), tostada de sardinha (11€), carpaccio de gamba (14€) ou tártaro de vaca com tutano (16€), enquanto entre os pratos de assinatura estão o Schnitzel Trufado (22€), os cogumelos com aipo (19€), o bife de atum (35€) e o Arroz de Mar (42€). Nas sobremesas, os preços vão dos 4€ do gelado artesanal aos 11€ do Cinnamon Roll com Grand Marnier. Há ainda opções vegetarianas e, sempre que possível, a equipa adapta os pratos a alergias ou intolerâncias comunicadas pelos clientes.
Quem gosta de vinho encontra uma garrafeira com mais de 130 referências, um número que deverá subir para cerca de 180 vinhos fixos, além de propostas que vão mudando. Há seis vinhos disponíveis a copo e uma experiência em que os clientes provam o vinho antes de saberem qual é o rótulo. A carta de cocktails, criada por Tiago Marques, inclui opções como Solís, Flora e Eden e, às sextas-feiras, entre as 18 e as 20 horas, o restaurante organiza ainda o “Ponto de Encontro”, com experiências que alternam entre champagne, cocktails e vinho.
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