Imagine o seguinte cenário: acorda e, na sala, está a mesa posta, há café fumegante nas chávenas, pães, bolos e salgados prontos a servir, sem ser preciso preparar nada. É desta forma que o Dominique Bistrô quer levar o pequeno-almoço a casa dos bracarenses. A equipa chega com a comida, as louças, os pratos, os talheres e os restantes acessórios e monta tudo no local. O projeto, criado no Brasil por Renata Fernandes, chegou à cidade a 4 de julho.
Apesar do nome, não espere encontrar um restaurante tradicional. O Dominique não tem uma sala aberta diariamente, mesas disponíveis nem serviço ao balcão. Existe um espaço próprio onde são preparadas as encomendas, que podem ir de pequenos-almoços montados em casa a cestas personalizadas, tábuas, coffee breaks e serviços para festas e eventos.
Por detrás do projeto está Renata, brasileira de 43 anos, com um mestrado em Relações Internacionais e quase duas décadas de carreira na área de procurement, incluindo passagens por empresas multinacionais. O Dominique Bistrô foi a sua primeira experiência na restauranção, embora já tivesse participado pontualmente na organização de eventos.
Tudo começou em 2017, sem plano de negócio, equipa profissional ou sequer um espaço dedicado à produção. Renata costumava preparar os pequenos-almoços da família e gostava de montar cestas para oferecer em datas especiais. Em vez de recorrer apenas a produtos industriais, fazia em casa grande parte dos pães, bolos e salgados. Primeiro vieram os elogios, depois os pedidos e, nesse mesmo ano, começou a aceitar as primeiras encomendas como uma segunda atividade.
Na altura, o projeto chamava-se Dodô e Eu, numa referência à relação entre mãe e filha. Dominique é o nome da filha de Renata e acabaria, mais tarde, por dar identidade à marca. “Começou de uma forma muito espontânea e afetiva. Era uma maneira de demonstrar carinho através da comida e foi-se revelando também uma oportunidade de negócio”, explica a fundadora.
Os primeiros clientes trouxeram outros clientes. Alguém conhecia os produtos através de uma cesta ou de uma festa, voltava a encomendar noutra ocasião e recomendava a marca a outras pessoas. Aos poucos, os pedidos deixaram de estar concentrados nos pequenos-almoços e chegaram aos aniversários, batizados, casamentos, celebrações familiares e eventos empresariais.

Os números acompanharam o crescimento. Em 2023, o projeto entregou mais de 300 kits. No ano seguinte, ultrapassou os 500 e, em 2025, chegou aos 787. “Foi nesse processo que percebemos que não estávamos apenas a vender pequenos-almoços. Havia uma marca a nascer ali, com potencial para estar presente em diferentes momentos da vida das pessoas”, recorda.
Em setembro de 2025, ainda no Brasil, Renata formalizou a empresa e transformou uma garagem num espaço para o Dominique Bistrô. Comprou equipamentos, reorganizou a cozinha e estruturou os processos de produção, sem perder a componente familiar que acompanhava o projeto desde o início. Os pais, os irmãos e outros familiares participaram em diferentes fases e chegaram a colocar, como conta a responsável, “literalmente a mão na massa”. Já em Braga, Renata continua a contar com o apoio da família.
A mudança para Portugal aconteceu no início de 2026. Braga surgiu primeiro como uma escolha pessoal, mas Renata encontrou na ligação da cidade à família, às tradições e às celebrações uma proximidade com o conceito que tinha criado. Em julho, o Dominique começou a aceitar encomendas, o que significou voltar a construir uma rede de clientes e adaptar os produtos aos hábitos locais.
A expressão “gosto de casa” resume aquilo que Renata procura levar a cada encomenda. “Casa é o lugar onde podemos relaxar e ser quem realmente somos. É onde tiramos os sapatos apertados do mundo e ficamos à vontade”, afirma. Essa ideia aparece nos sabores artesanais, na apresentação e também na forma como cada pedido é preparado. Antes de avançar, a equipa procura perceber quem vai receber a encomenda, qual é a ocasião e que mensagem o cliente pretende transmitir.
“Uma cesta raramente é apenas uma cesta. Pode ser um abraço à distância, uma forma de celebrar, agradecer, pedir desculpa ou simplesmente dizer ‘estou aqui’”, acrescenta. Algumas encomendas chegam, aliás, de pessoas que vivem noutra cidade ou noutro país e querem marcar presença numa data importante para alguém que mora em Braga através de um pequeno-almoço ou de um presente.
A carta mistura propostas doces e salgadas. Nos doces, encontram-se cheesecakes de morango, Oreo ou limão, bolos artesanais, waffles, palha italiana, muffins, cinnamon rolls e pães doces recheados com combinações como chocolate e Oreo ou doce de leite. Também existem bolos de laranja, cenoura com cobertura de chocolate e chocolate.
Nas opções salgadas, há quiches de queijo, alho-francês ou legumes, mini-hambúrgueres, mini-hot dogs, sanduíches, wraps, bruschettas, crostini de parmesão com patês e tábuas de queijos, enchidos, pães e acompanhamentos. A especialidade da casa, porém, são os pães artesanais recheados, disponíveis em tamanhos de 15 e 30 centímetros.
Frango cremoso, camarão, chouriço, bacon com cheddar, queijo e fiambre, espinafres com queijo branco, tomate seco com queijo ou azeitonas pretas são alguns dos recheios disponíveis. Ainda assim, a carta funciona como ponto de partida e pode ser adaptada aos pedidos dos clientes.
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Foi o que aconteceu quando alguém pediu um pão recheado com banana, canela e queijo. A combinação não fazia parte das opções previstas, mas a equipa decidiu prepará-la. “Queremos ter uma identidade própria sem deixar que a carta limite a criatividade ou a história que o cliente quer construir.”
As cestas de presente começam nos 45,90€. Já o pão artesanal recheado de 30 centímetros custa a partir de 10€, com o preço final a variar consoante o recheio. Para os pequenos-almoços montados, tábuas, coffee breaks e eventos, o orçamento é personalizado e tem em conta o número de convidados, o menu, os materiais necessários, a montagem e o formato do serviço.
O ideal é encomendar com, pelo menos, 24 horas de antecedência, embora a equipa tente responder a pedidos feitos mais perto da data sempre que a produção o permita. As entregas chegam a Braga, Vila Verde e outras zonas dos arredores. Existe um valor mínimo de 20€ por entrega, ao qual se acrescenta uma taxa calculada de acordo com a localização.
Nos eventos, o Dominique pode apenas entregar e montar os produtos ou disponibilizar um elemento da equipa para acompanhar o serviço e tratar da reposição. Além de festas familiares, batizados, comunhões e casamentos, também prepara soluções para reuniões, formações e encontros empresariais. O formato é sempre combinado com cada cliente.
Agora, Renata quer consolidar o Dominique Bistrô em Braga e aumentar a presença nos eventos. Nos planos está também aumentar gradualmente a equipa e, mais tarde, adaptar o atual espaço de produção para poder receber clientes. Levar a marca a outras regiões do País é outra possibilidade a longo prazo, embora queira manter o ritmo que acompanhou o projeto até à chegada a Portugal. “Queremos crescer de forma sustentável e continuar fiéis àquilo que nos trouxe até aqui: comida, cuidado e histórias que merecem ser celebradas.”
Pode espreitar o menu e serviços do novo projeto bracarense online, onde também pode consultar mais informações e efetuar a sua encomenda. Carregue na galeria para conhecer melhor o Dominique Bistrô.







