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Esqueça os ovos Benedict: no novo Velma, o brunch é outra conversa

O espaço abriu a 20 de abril, no centro da cidade, e junta pratos autorais, vinhos verdes e um ambiente pensado para abrandar.

Nem todos os cafés e restaurantes nascem de planos detalhados ou estratégias bem definidas. Às vezes, começam com uma vontade simples de receber pessoas à mesa. No caso do Velma, em Braga, a história junta essa ideia a um momento de perda e a uma mudança de país. O espaço abriu a 20 de abril, no centro histórico, e resulta do percurso de Yuri Morissawa e Alessandra Rottschaefer, de 38 e 35 anos, um casal brasileiro que viveu durante uma década no Japão antes de se mudar para Portugal.

“A nossa cachorrinha faleceu quando decidimos avançar com o projeto. Chamava-se Velma. Não fazia sentido chamar outra coisa”, contam. A cadela fazia parte da vida do casal desde o início da relação e acabou por dar identidade ao espaço. “Era muito querida, dava-se bem com toda a gente. O espaço tem muito a ver com isso.”

Yuri é arquiteto de formação e Alessandra trabalhou na área da publicidade e do cinema, mas foi no Japão que ambos começaram a aproximar-se da restauração. Durante os dez anos que lá viveram, passaram por diferentes áreas, da indústria à restauração, e foi também aí que Alessandra descobriu um talento inesperado. “Comecei a fazer bolos caseiros para a comunidade brasileira. Depois os japoneses começaram a provar e a gostar”, explica. Yuri, por outro lado, trabalhou em restaurantes e fez formação em culinária japonesa. Foi nesse período que surgiu a ideia de criar algo próprio.

Ainda assim, abrir um espaço no Japão revelou-se difícil. A barreira da língua, a burocracia e as diferenças culturais travaram o plano. A mudança para Portugal, que aconteceu há pouco mais de um ano, trouxe um novo cenário e novos desafios. “Viemos à procura de qualidade de vida. No Japão tínhamos estabilidade, mas não tínhamos tempo”, diz Yuri. A decisão passou também pelos filhos – são pais de dois miúdos, com sete e cinco anos – e pela vontade de encontrar um equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

Depois de um primeiro ano de adaptação e já com experiência na restauração em Braga, perceberam melhor o mercado local. “Sentíamos que havia muitos espaços parecidos. E ouvindo os clientes, percebíamos que faltava algo diferente”, explica. O conceito do Velma nasce dessa leitura, mas também da experiência pessoal do casal. Durante os anos no Japão, eram conhecidos por receber amigos em casa, organizar encontros e cozinhar para grupos. “A nossa casa era sempre o ponto de encontro”, recordam.

 
 
 
 
 
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Foi esse ambiente que quiseram recriar. “Pensámos num lugar onde a pessoa pudesse fazer uma pausa. Sentar, respirar, estar com calma”, dizem. O espaço, com 28 lugares, foi desenhado com essa ideia em mente. Localizado em frente à Praça da República, mas afastado da rua principal, o Velma beneficia de uma espécie de refúgio no meio do centro. Apesar da localização movimentada, o ambiente é mais resguardado e tranquilo.

A decoração segue a mesma lógica assente em tons suaves e diferentes zonas de estar. Além das mesas tradicionais, há sofás onde os clientes podem ficar mais tempo, trabalhar ou simplesmente relaxar. “Queríamos que as pessoas se sentissem em casa”, explicam.

A carta reflete essa abordagem pessoal. Não há pratos pensados para “cumprir expectativas” ou seguir tendências. “Não temos nada no menu que não seja algo em que acreditamos”, sublinha Yuri. Um dos exemplos é a decisão de retirar pratos mais clássicos de brunch à última hora. “Tínhamos ovos benedict no menu até à véspera da abertura, mas não gostamos. Então decidimos tirar”, conta.

No lugar das opções mais previsíveis, surgem pratos que cruzam referências do Brasil, Japão e Portugal. A batata rosti é um dos destaques, inspirada num prato que Yuri conhecia, mas adaptada com recheios diferentes, servidos por cima.

Há também propostas como panado de beringela com molho de tomate, rosbife com molho de mostarda ou pratos com salmão fumado. Os preços dos pratos principais variam entre os 8€ e os 9,5€. Nas opções mais leves, destacam-se as tostas e paninis, com combinações como ovo mexido e bacon (7€), salmão e abacate (9,5€) ou frango cremoso (8,5€). Já nos doces, há panquecas com Nutella e fruta ou maple syrup (6€ a 7€), bolos caseiros, incluindo o de cenoura ou mirtilo (4€), e sobremesas como mousse de maracujá (3,5€) ou brownie com gelado (5€).

O café também foi pensado ao detalhe. Há opções de expresso, mais próximas da tradição portuguesa, mas também café filtrado, numa referência ao Brasil. Os preços começam nos 1,5€.

Outro dos pontos diferenciadores está na carta de vinhos. O Velma trabalha exclusivamente com vinhos verdes naturais de uma cooperativa do Minho, com rótulos menos comuns no mercado nacional. Há opções a copo a partir de 4€ e garrafas desde 14€. “São vinhos que muitas vezes vão para exportação e que não se encontram facilmente cá”, explica Yuri. A escolha prende-se não só com o sabor, mas também com a filosofia do produtor. “É uma cooperativa, feita por famílias. Identificamo-nos com isso.” A oferta inclui ainda cocktails como Aperol Spritz ou mimosa (7,5€), além de bebidas mais simples, como sumos naturais e limonadas.

Apesar de se apresentar como brunch, o Velma não quer limitar-se a esse conceito. A ideia é que o espaço funcione ao longo do dia, adaptando-se ao ritmo de cada cliente. “A pessoa pode vir almoçar de manhã, tomar café à tarde ou só beber um copo de vinho”, dizem.

Abrir um negócio num país novo não foi simples. A burocracia e a adaptação ao mercado foram alguns dos principais desafios. Mas o maior obstáculo foi outro. “Foi acreditar que aquilo que queríamos fazer podia resultar, mesmo sendo diferente do que já existe”, admite Yuri.

Carregue na galeria para conhecer o espaço.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Av. Central, 42
    4710-229 Braga
  • HORÁRIO
  • Segunda-feira a sábado das 10h às 18h
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Brunch

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