A parte mais demorada de preparar uma francesinha pode agora começar com duas conchas retiradas de uma embalagem. Basta aquecer o molho durante alguns minutos, mexer regularmente e deitá-lo sobre o pão, o queijo e os restantes ingredientes. Foi esta simplificação que levou uma empresa familiar de Braga a transformar dez anos de experiência à frente de um restaurante numa nova marca gastronómica.
A Go Go Food foi lançada a 31 de março com quatro molhos refrigerados de francesinha: Original, Clássico, Rústico e Vegetariano. Cada embalagem contém um quilo e procura responder a um perfil de sabor diferente, desde as receitas mais suaves até às opções intensas e picantes.
Por detrás do projeto está Daniela Peixoto, ligada a uma empresa familiar bracarense e à gastronomia portuguesa. Durante uma década, a família geriu um restaurante em Braga dedicado, entre outros pratos, às francesinhas. O molho servido nesse espaço foi sendo testado, corrigido e aperfeiçoado ao longo dos anos, até surgir a ideia de transportar esse conhecimento para um produto que pudesse chegar a outras casas.
“A Go Go Food nasceu de uma empresa familiar sediada em Braga, com uma forte ligação à gastronomia portuguesa. Sempre acreditámos que é possível levar o sabor das receitas tradicionais até casa das pessoas, sem que estas tenham de abdicar da qualidade”, explica a responsável de 30 anos à New in Braga.
O encerramento desse capítulo na restauração no final do ano passado não significou o abandono das receitas desenvolvidas durante dez anos. Pelo contrário, o conhecimento acumulado tornou-se a base do novo negócio. A intenção era criar soluções rápidas para o quotidiano, preservando a importância do sabor e a identidade dos pratos portugueses.
A escolha da francesinha como primeiro produto surgiu de forma natural. Além da experiência anterior da família, trata-se de uma das receitas mais conhecidas do norte do País e de um prato cuja preparação depende muito do molho. Fazer uma versão caseira implica reunir vários ingredientes, acertar a textura e equilibrar notas de tomate, bebidas, especiarias e picante — um processo que pode ocupar várias horas.
“A francesinha é um dos pratos mais emblemáticos da gastronomia portuguesa e sentimos que existia espaço para um molho que permitisse recriar essa experiência em casa, de forma simples e com um resultado de elevada qualidade”, afirma. “Queríamos que qualquer pessoa pudesse preparar uma excelente francesinha sem necessidade de passar horas a fazer o molho de raiz.”
Chegar às receitas finais exigiu vários testes. Como cada restaurante e cada família defendem a sua versão, a fundadora não procurou reproduzir um molho específico. O objetivo passou por encontrar perfis consistentes, com diferenças percetíveis entre si, capazes de agradar tanto aos clientes mais tradicionais como a quem prefere sabores mais intensos ou não consome carne.

O Molho Original, apresentado numa embalagem amarela, tem notas vínicas, aroma intenso e um toque ligeiramente picante. É a versão que mais se aproxima do ponto de partida criado pela família ao longo dos anos e procura equilibrar especiarias com o carácter do vinho.
Já o Clássico, identificado pela embalagem vermelha, parte de uma base de tomate e utiliza as especiarias de forma mais contida. O resultado é mais suave e equilibrado, pensado para quem procura os sabores habitualmente associados à receita tradicional sem demasiado picante.
O Rústico, disponível numa embalagem em tons de laranja, apresenta uma textura mais encorpada e um sabor profundo. A responsável descreve-o como a opção com o perfil mais artesanal e marcado da gama, destinada a quem prefere um molho intenso.
A quarta alternativa é o Vegetariano, apresentado em verde e desenvolvido sem carne. É cremoso, suave e não tem picante, embora não seja vegan, uma vez que contém manteiga de origem animal. Tal como os restantes produtos, pode conter alergénios, pelo que os consumidores devem consultar a lista completa de ingredientes antes da compra.
“Antes de chegarmos à versão final foram feitos vários testes, ajustes e muitas provas. Cada alteração era pensada ao detalhe, desde a intensidade do sabor à textura. Só avançámos quando sentimos que tínhamos um produto do qual nos orgulhávamos verdadeiramente”, conta.
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Para preparar uma dose, é recomendado retirar cerca de 160 gramas de molho — o equivalente a duas conchas de sopa — e aquecê-lo durante alguns minutos, mexendo regularmente. Uma embalagem de um quilo permite, desta forma, preparar aproximadamente seis doses, embora a quantidade possa variar consoante o gosto de cada pessoa.
Os recipientes devem ser conservados no frigorífico, entre os quatro e os oito graus. Depois de abertos, os molhos têm de permanecer refrigerados e ser consumidos no prazo de 15 dias.
Apesar de terem sido criados para francesinhas, podem ser utilizados noutros pratos. A Go Go Food sugere servi-los com bifes, cachorros especiais, hambúrgueres, carnes grelhadas ou batatas. No site e nas redes sociais, a rubrica “Go Go Receitas” apresenta outras utilizações, como um cachorro com bacon, salsicha e queijo gratinado, finalizado com o molho escolhido.
“Quem experimenta acaba por descobrir novas formas de o utilizar”, garante a fundadora. A versatilidade faz parte da estratégia da marca, que pretende ultrapassar a ideia de um produto reservado a uma refeição ocasional.
As quatro versões podem ser compradas online por 9€ cada, com um desconto de cinco por cento na primeira encomenda. A marca está a preparar a logística para estar presente em vários pontos de venda e para o alargamento da distribuição. Para restaurantes e outros negócios do setor da hotelaria e restauração, existem formatos profissionais de cinco, dez e 20 quilos, com preços sob consulta.
A produção decorre nas instalações da empresa em Braga. Desde o lançamento, as responsáveis dizem ter recebido pedidos de informação de consumidores na Suíça, França, Polónia e até no Brasil. O próximo desafio será encontrar parceiros que permitam chegar às comunidades portuguesas no estrangeiro.
O feedback nacional também já começou a orientar o crescimento. “Uma das reações que mais nos marcaram foi ouvir consumidores dizerem que o molho lhes fez recordar francesinhas que costumavam comer em restaurantes de referência”, revelam.
A Go Go Food tem agora outros produtos em desenvolvimento, todos inspirados na gastronomia portuguesa, embora ainda não revele quais serão os próximos lançamentos. Para já, a fundadora quer consolidar as quatro receitas com que começaram e provar que, mesmo quando o tempo para cozinhar diminui, a francesinha não precisa de perder o molho que lhe dá carácter.







