Todos conhecemos os pratos icónicos do receituário português, mas será que os portugueses conseguem nomear pelo menos uma especialidade romena? Provavelmente não. Mas é este o desafio a que se propõe o Raízes Velhas, o restaurante bracarense que abriu portas em 2025 e que nasceu para colocar a gastronomia dos dois países em diálogo.
O restaurante, na Praça Paulo Vidal, em Lamaçães, celebra o primeiro aniversário esta quarta-feira, 22 de abril. Para assinalar a data, preparou um almoço e jantar comemorativo com menu especial, que inclui pratos como bacalhau à Zé do Pipo e cordon bleu, acompanhamentos à escolha, oferta de canapé, bebida e sobremesa. Cristina Domingues, chef e proprietária, promete ainda “algumas surpresas”.
O Raízes Velhas abriu portas a 22 de abril do ano passado, depois de um processo longo. Antes de receber os primeiros clientes, o espaço passou por cerca de dez meses de obras. “Foi o maior desafio, porque o estabelecimento estava muito degradado”, conta Cristina. O resultado é um restaurante com 46 lugares, com uma decoração neoclássica que cruza referências à natureza, ao misticismo e à história pessoal do casal responsável pelo projeto.
Cristina nasceu na Roménia, para onde os pais, naturais de Braga, tinham emigrado, mas veio para Portugal aos 18 anos. Foi nessa altura que teve o primeiro contacto com a restauração. “O meu primeiro emprego num restaurante foi quase à força, por insistência da minha mãe”, recorda. Na entrevista mostrou pouco entusiasmo, mas acabou por começar na sala. Depois passou pela cozinha. O resto fez-se com tempo, curiosidade e empenho. “Comecei a gostar e fui aprendendo a cozinhar como uma profissional.”
O percurso foi autodidata e o gosto pela cozinha cresceu sobretudo num restaurante onde o peixe era o foco central da oferta. Foi aí que aprendeu a fazer um dos pratos que hoje melhor representa a casa: o robalo ao sal. “Aprendi-o no primeiro restaurante onde trabalhei, que era conhecido pelo peixe fresco”, explica. Continua a ser um dos destaques da carta e uma das propostas mais especiais do Raízes Velhas, sendo necessário reservar com 24 horas de antecedência.
Nos últimos 12 anos, passou pelo Porto, Lisboa e Algarve. Mudou-se para Braga há cerca de dois anos, à procura de mais qualidade de vida. “Sempre achei Braga uma cidade encantadora e foi a minha primeira escolha”, diz. As ideias para o restaurante foram sendo construídas nesse período, até chegarem ao conceito atual.
O nome Raízes Velhas reflete esse percurso. Por um lado, remete para a origem e para o regresso às bases. Por outro, liga-se a um símbolo tradicional romeno associado aos ciclos da vida e da morte. “É um conceito de voltar às origens”, resume a chef.
A cozinha assenta na tradição portuguesa, com apontamentos da gastronomia romena e influências de viagens por vários países europeus. Durante a semana, a aposta centra-se na comida portuguesa. Ao fim de semana, ganham espaço os pratos romenos, pensados para dar a conhecer sabores menos comuns na cidade.
É o caso das sarmale, feitas com carne picada envolvida em folhas de couve, servidas com polenta e natas azedas. Do lado português, a carta inclui bacalhau à Braga, bacalhau no forno com broa e polvo no forno.

Ao almoço, entre quarta e sexta-feira, há menu executivo por 13,50€. À carta, a média varia entre 25€ e 30€ por pessoa, que permite optar por refeições do dia a dia ou ocasiões especiais. “Temos ambos: menu executivo ao almoço e carta completa às sextas-feiras, sábados e domingos.”
Entre os pratos mais representativos estão o robalo ao sal e a sobremesa Raízes, com túlipa de baunilha, gelado e doce de maçã com canela. Dois exemplos da combinação entre tradição e interpretação pessoal.
Nas entradas, há opções como trouxas de alheira (7€), salada de polvo (12€), camembert assado com mel e nozes (12€), camarão ao alho (13€) e zamburinhas em molho de azeite e alho (15€). Nos pratos principais, destacam-se o bife à casa com batata frita (17€), a posta à casa com legumes salteados, batata a murro e arroz (20€), a picanha com feijão preto e arroz (22€), o bacalhau à Braga (23€), o bacalhau no forno com broa (24€), o entrecôte grelhado (25€), o polvo no forno (28€) e o robalo ao sal para duas pessoas (42€).
Nas sobremesas, há mousse e serradura (4€), bolo de bolacha e leite creme queimado (5€), pudim de ovos, gelado de caramelo com doce de maçã e crumble de bolacha e manga (6€), além de abacaxi e salada de fruta (4€).
A decoração reforça a identidade do espaço. Há referências à África do Sul, onde o marido de Cristina cresceu, e elementos ligados à arte, espiritualidade e natureza. Quadros inspirados em Leonardo da Vinci e Miguel Ângelo ajudam a criar um ambiente pensado para o conforto.
Apesar de o primeiro ano ter sido exigente e da afluência ainda não corresponder às expectativas, Cristina destaca a resposta positiva de quem visita o restaurante. “Temos recebido elogios à cozinha e ao atendimento”, sublinha. O objetivo é continuar a melhorar, ajustar ingredientes e reforçar a relação qualidade-preço.
Nos próximos meses, há novidades previstas. A 9 de maio, o restaurante recebe um jantar vínico com a Quinta da Raza. Cristina quer também continuar a introduzir novos pratos, incluindo receitas de outras regiões portuguesas, como já aconteceu com a cataplana algarvia de peixe.
Carregue na galeria para conhecer o espaço.

LET'S ROCK






