O verão ainda não terminou, mas as noites começam a aceitar vinhos com um pouco mais de corpo. Para esta passagem entre os últimos dias de calor e a chegada do outono, a sugestão vem do Douro: o São Luiz Tinto Biológico 2021, um vinho elegante, fresco e com taninos finos, à venda por 8,32€ no Congresso das Garrafas, em Braga.
A referência está disponível apenas à garrafa e o lote junta três castas tradicionais da região: Touriga Nacional e Touriga Franca, ambas com uma presença de 35 por cento e Tinta Roriz, que representa os restantes 30 por cento.
“No copo, apresenta uma cor rubi vibrante. Os aromas florais mais associados à Touriga Nacional aparecem ao lado de notas de bosque e pimenta preta. Na boca, mantém um equilíbrio entre frescura, acidez e estrutura, com taninos persistentes que permitem levá-lo para a mesa”, refere Pedro Araújo, responsável pelo espaço, que recomenda que seja servido entre os 16 e os 18 graus e acompanhado por carnes vermelhas, pratos de caça ou queijos.
A vindima de 2021 deu origem a um vinho com 14 por cento de álcool, produzido sob a orientação do enólogo Ricardo Macedo. Depois do desengace total e do esmagamento das uvas, a fermentação alcoólica decorreu durante 12 dias em cubas de inox, a temperaturas entre os 23 e os 25 graus. Seguiram-se mais cinco dias de contacto com as películas. A fermentação maloláctica também aconteceu em inox, enquanto uma parte do envelhecimento passou por barricas de carvalho francês de 300 litros.
O São Luiz Biológico marcou a estreia da marca neste segmento. A certificação refere-se à forma como as uvas são cultivadas e o vinho é produzido, segundo regras que restringem o recurso a pesticidas, fertilizantes e outros produtos de síntese. Não determina um sabor específico nem significa que o vinho seja totalmente isento de intervenção, mas permite acompanhar a origem e os métodos usados desde a vinha até à garrafa.
Esta atenção à forma como o vinho é produzido deixou de interessar apenas a um grupo restrito de consumidores. No Congresso das Garrafas, Pedro Araújo tem acompanhado o crescimento da procura por referências biológicas e por projetos que explicam com clareza o trabalho feito na vinha.
“Os vinhos biológicos têm conquistado mais espaço e já não são vistos como uma escolha de nicho. Há cada vez mais clientes atentos à origem das uvas, aos métodos usados pelos produtores e ao impacto da produção no território. Procuram informação, fazem perguntas e querem perceber o que distingue cada garrafa”, explica.
Para o responsável, o São Luiz Tinto Biológico ajuda também a contrariar a ideia de que estas escolhas são sempre mais caras ou difíceis de levar à mesa. “É um vinho acessível, com castas que as pessoas reconhecem e um perfil muito gastronómico. Permite experimentar uma referência biológica sem sair dos sabores do Douro nem fazer um grande investimento.”
O vinho nasce na Quinta de São Luiz, na margem esquerda do Douro, perto do Pinhão, no concelho de Tabuaço. A propriedade estende-se por 125 hectares e foi adquirida pela Kopke em 1922. Desde então, tornou-se o centro de produção dos vinhos DOC Douro da casa, que se apresenta como a mais antiga empresa de Vinho do Porto.
A história da Kopke começou em 1636, quando Nicolau Kopkë viajou de Hamburgo para Portugal e se instalou no País como cônsul-geral da Liga Hanseática. Dois anos depois, as primeiras garrafas seguiram para o norte da Europa. Em 1781, a compra de uma quinta no Douro marcou a passagem de uma empresa dedicada à aquisição e comercialização de vinho para um produtor com presença própria na região.
Na Quinta de São Luiz, a criação do primeiro tinto biológico resultou de um percurso iniciado vários anos antes. A propriedade deixou de utilizar inseticidas em 2013 e adotou métodos que ajudam a controlar pragas sem recorrer à sua eliminação química. Entre eles está a colocação de difusores que interferem com a reprodução da traça-da-uva. A preservação dos socalcos, muros de pedra e corredores ecológicos ajuda ainda a reduzir a erosão, conservar água no solo e criar abrigo para a fauna e flora do Douro.
Foi este cruzamento entre uma casa histórica e uma forma de produção mais atenta ao território que levou o vinho até ao Congresso das Garrafas. “O que tentamos fazer é apresentar referências diferentes, que surpreendam quem gosta de vinho e queira sair um pouco das escolhas habituais”, explica Pedro Araújo, responsável pela garrafeira. “Há clientes que continuam a procurar os clássicos portugueses, mas também há cada vez mais pessoas interessadas em descobrir regiões internacionais e estilos menos óbvios.”
Pedro está ligado há cerca de três décadas ao setor da distribuição de bebidas através da empresa da família, com mais de 60 anos de atividade. Em 2014, decidiu criar em Braga uma garrafeira que pudesse receber tanto consumidores comuns como profissionais. O espaço abriu junto à Universidade do Minho e ao Parque do Rio Este e reúne mais de mil referências de vinhos e bebidas espirituosas.
“Queríamos criar um espaço onde as pessoas pudessem descobrir produtos, conversar, provar coisas novas e criar memórias à volta do vinho”, refere. “As bebidas acabam sempre por estar ligadas a momentos especiais, de partilha e de celebração.”
O projeto, desenhado pelo gabinete bracarense Tiago do Vale Arquitectos, aproxima-se de uma galeria dedicada ao vinho. As garrafas estão organizadas em módulos de madeira de pinho, acompanhados por uma iluminação cuidada. Duas frentes em vidro ligam o interior à rua e ao parque, permitindo que a experiência de compra aconteça com mais tempo e sem a sensação de estar perante sucessivas prateleiras sobrecarregadas.
Em novembro de 2024, o Congresso ganhou uma extensão menos óbvia. O Recesso das Garrafas é uma sala “secreta”, inspirada nos speakeasies criados nos Estados Unidos durante a Lei Seca, que recebe provas, encontros e eventos privados. O acesso faz-se através de uma entrada dissimulada e conduz a três zonas com diferentes graus de recolhimento.
“O Recesso nasceu da vontade de criar experiências mais exclusivas e emocionais”, explica Pedro. “É um espaço onde o vinho deixa de ser apenas um produto e passa a ser o centro da experiência.” O projeto venceu uma categoria dos Loop Design Awards em 2025, distinção internacional atribuída ao trabalho do gabinete Tiago do Vale Arquitectos.
O São Luiz Tinto Biológico 2021 pode ser comprado por 8,32€, diretamente no Congresso das Garrafas, em Nogueiró-Tenões, ou através da loja online. A garrafa deve ser guardada na horizontal, num lugar fresco, seco e protegido da luz e de oscilações de temperatura.
Carregue na galeria para conhecer a garrafeira bracarense.







