Há sete anos, Eurico Silva abriu em Braga um restaurante com um nome difícil de esquecer e uma proposta pouco comum na cidade. Chamou-lhe Filho da Mãe e levou para o centro histórico uma cozinha inspirada nas viagens pela América do Sul e Central. O projeto afirmou-se, conquistou público e entrou para a lista de recomendados do Guia Michelin.
Agora, o bracarense volta a arriscar, mas sem repetir a fórmula. O novo restaurante chama-se Iscoberria, fica no Campo das Carvalheiras, abriu em soft opening a 31 de março e tem inauguração oficial prevista para o primeiro fim de semana de maio. O projeto surge com o apoio de dois sócios investidores e tem como objetivo criar um espaço descontraído e acessível, onde a cozinha basca se cruza com influências sul-americanas, arte e partilha.
“O Iscoberria quer abrir uma porta nova nas Carvalheiras, uma porta para o mundo”, explica Eurico, de 42 anos. O nome reflete essa intenção de combinar a memória do antigo espaço que ali existia, uma marisqueira chamada Isco, com “berria”, expressão basca associada a algo novo. “Casei o Isco com o Berria e fica Iscoberria. É um nome diferente, mas acaba por funcionar.”
O restaurante ocupa um espaço rodeado pelas ruínas romanas das Carvalheiras, uma zona com história e cada vez mais potencial. “O sítio é maravilhoso, o restaurante é maravilhoso, era impossível recusar querer fazer ali algo diferenciado.” Fica perto do Filho da Mãe, também na zona da Rua D. Afonso Henriques, o que lhe permite manter uma ligação ao percurso que construiu nos últimos anos.
A história de Eurico na restauração começou longe das cozinhas. Estudou artes e arquitetura, trabalhou com casas modulares e viajou muito antes de abrir o primeiro restaurante. Nessas viagens, conheceu culturas gastronómicas diferentes e começou a perceber que queria criar algo próprio. Antes do Filho da Mãe, ainda teve uma galeria de arte. Depois, passou um ano a aprender o funcionamento de um restaurante por dentro, no Alma d’Eça, onde acompanhou sala, fornecedores, clientes e gestão.

Essa experiência reflete-se agora no novo projeto. “Estou a colocar no Iscoberria toda a mochila de conhecimento que consegui acumular ao longo destes sete anos”, diz. A proposta mantém o cuidado, mas com outro ritmo. “É um conceito mais descontraído e acessível. Queremos trabalhar no universo do casual dining, com detalhe e elegância.”
A cozinha está a cargo da chef Katia Albuquerque e parte de uma base assumidamente basca. Há produto, proteína, intensidade e pratos pensados para partilhar, mas a carta não fica presa a uma geografia. A cultura sul-americana, tão presente no Filho da Mãe, volta a aparecer aqui, numa fusão que Eurico descreve como “interessante e desafiante”.
A carta começa com couvert de pão de massa mãe, manteiga de anchovas e tomatada basca, por 2,50€ por pessoa. Seguem-se gildas, em dose de três unidades, com azeitonas verdes, pickles, polvo, tomate seco, anchovas, biqueirões e queijo Emmental (9€), ou pickles caseiros (7€).
Na secção do mar há anchovas em azeite aromatizado com manjericão (7€), cavala com azeite aromatizado, flor de sal e tomilho (8€), crudo de truta selvagem com aguachile de pepino e coentros (15€), ostras com aguachile verde e pickle de pepino (12€) e tortilha de bacalhau e algas (12€). Esta última resume bem a proposta: parte de um clássico espanhol, junta-lhe bacalhau, um dos ingredientes mais portugueses, e acrescenta algas para lhe dar outra leitura.
Da terra chegam batata e beterraba com presunto e piparras (8€), croquetes XL de cozido espanhol, em dose de duas unidades (7€), huevos rotos com morcela, papada de porco e sálvia frita (12€), e tártaro de vazio com focaccia frita em azeite (13€).
Nos principais, pensados para duas pessoas, há arroz espanhol de carabineiros com algas e salicórnia (45€), arroz espanhol de polvo com maionese de tinta de choco (35€) e bife chorizo de 400 gramas, servido com chimichurri, endívias e erva-doce (35€). Para terminar, a sobremesa disponível é a tarte de queijo basca (6€), uma das receitas mais reconhecíveis da região.
O espaço tem 40 lugares no interior, incluindo seis ao balcão, zona pensada como uma experiência própria, quase fora de horas, para quem quer picar qualquer coisa ao fim da tarde ou no final da noite. “Há muita escassez de oferta na cidade e eu quero aproveitar isso para provocar uma experiência diferente”, explica Eurico.
A decoração segue a mesma linha: elegante, simples e sem excesso. O restaurante também quer receber arte. Na inauguração, está prevista uma exposição da artista Catarina Zapatero, espanhola de origem colombiana, atualmente a viver em Aveiro. Eurico quer ainda promover palestras e momentos culturais, incluindo apontamentos de dança sevilhana na abertura oficial.
“Quero que seja mais do que um restaurante. Quero abrir as janelas e as portas para o mundo, respirar arte, respirar gastronomia e vender a cidade da melhor maneira possível”, diz.
Carregue na galeria para conhecer o novo restaurante de Braga.

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