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O melhor restaurante do ano em Braga já fechou portas

Além de ter sido escolhido como o melhor novo espaço pelos leitores da NiB, Pedro Fernandes do Tas'co Tau também foi eleito como melhor chef.

Camarão ao alho fumegante, pataniscas acabadas de fritar, peixinhos da horta crocantes e rojões servidos para partilhar. Foi à volta destes petiscos simples, bem executados e ligados à tradição portuguesa, que o Tas’co Tau construiu a sua identidade e conquistou os bracarenses. Uma proposta de tasca contemporânea, despretensiosa e centrada na partilha à mesa, que acabou por valer ao espaço a distinção de Melhor Restaurante e a Pedro Fernandes o prémio de Melhor Chef, na primeira edição dos Prémios NiB.

Os Prémios NiB decorreram entre 10 e 25 de dezembro, através de votação do público, e desde os primeiros dias de janeiro têm sido divulgados os vencedores. No caso do Tas’co Tau, o reconhecimento chega acompanhado de uma nota agridoce: é que o restaurante encerrou portas no início de janeiro, depois de ter funcionado até ao final de dezembro.

“Agradecemos muito a distinção e o reconhecimento por parte do público — é uma enorme honra para nós”, refere Pedro Fernandes. “No entanto, encontramo-nos em fase de encerramento do restaurante. Ainda assim, deixamos o nosso sincero agradecimento pelo vosso interesse e atenção.” Uma mensagem de gratidão que o chef quis ver refletida nesta distinção, mesmo num momento de despedida.

O Tas’co Tau abriu portas no início do ano passado, muito perto do coração de Braga, da Universidade do Minho. O conceito passava por recuperar o espírito das tascas portuguesas, com petiscos para partilhar, pratos de conforto e um ambiente informal, onde a conversa surgia naturalmente entre mesas.

Natural de Barcelos, Pedro Fernandes, de 38 anos, começou a cozinhar cedo, não por romantismo, mas por necessidade. “Não tive uma relação romântica com a cozinha. Comecei porque tinha de garantir que comíamos em casa. Os meus pais, enfermeiros, trabalhavam imenso, e eu queria que chegassem e tivessem a barriga cheia”, contou à “New in Braga”. Esse sentido prático acabou por se transformar numa paixão sólida.

Depois de uma formação inicial em Turismo, decidiu seguir o caminho da cozinha, na Escola de Hotelaria e Turismo de Viana do Castelo. Passou por cozinhas de hotéis em Espanha, trabalhou em restaurantes independentes e fixou-se em Braga há cerca de oito anos, com o objetivo claro de abrir o seu próprio espaço. A pandemia atrasou o plano, mas não o impediu.

No Tas’co Tau, Pedro encontrou finalmente a liberdade criativa que procurava. “Só me sinto feliz quando estou a reinterpretar ou a criar uma receita nova. Não é preciso inventar muito. Basta dar um toque pessoal e manter tudo simples, o que, na verdade, é a parte mais difícil”, explicava.

A carta refletia essa filosofia. Os clássicos da cozinha portuguesa estavam todos lá: peixinhos da horta (6€), camarão ao alho (9€), pataniscas (5€), panadinhos (7,50€), rojões com pickles (6,50€), prego no pão (5€) ou bacalhau à Brás (10€). Entre os pratos mais emblemáticos estava também o arroz de tomate, descrito pelo chef como “um abraço reconfortante nos dias menos bons”.

Com o passar dos meses e perante uma quebra na adesão do público, o projeto foi sendo ajustado. Inicialmente focado apenas em petiscos para partilhar, o Tas’co Tau passou a incluir pratos mais consistentes, menus de grupo e propostas pensadas para refeições completas, sem nunca perder o espírito de partilha.

Entre as reinterpretações mais elogiadas estiveram as bochechas de porco com esparregado (12€), os ovos escalfados com ervilhas (8€), os ovos mexidos com farinheira (7€) e as bifanas da casa (13€), servidas com batata frita e ovo estrelado, numa abordagem próxima dos ovos rotos. Ainda assim, apesar da boa aceitação inicial, a procura acabou por estagnar nos últimos meses.

O espaço, com apenas 28 lugares, tinha um ambiente acolhedor que remetia para os almoços em casa da avó, graças à loiça pintada à mão e aos pequenos detalhes decorativos.

Apesar do encerramento, o duplo reconhecimento nos Prémios NiB funciona como uma validação do caminho seguido. Para já, Pedro Fernandes assume uma pausa. O chef revelou que, neste momento, não tem planos para investir num novo conceito nem abrir outro espaço no concelho. Encara esta fase como um tempo de necessária reflexão, até que volte a fazer sentido regressar à restauração.

Carregue na galeria para revisitar os melhores pratos que marcaram Tas’co Tau.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Av. Dom João II, 23 RC
    4715-303 Braga
  • HORÁRIO
  • Terça a quinta-feira das 17h às 22h30
  • Sexta-feira e sábado das 12h às 0h
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Portuguesa, Petiscos

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