A mesa onde de manhã se servem panquecas e café pode, ao final da tarde, receber uma partida de jogos de tabuleiro. Noutros dias, transforma-se num espaço para pintar azulejos, criar sabonetes artesanais ou ler um livro em silêncio, na companhia de outras pessoas. Três meses depois da abertura, o Velma deixou de ser apenas um brunch spot e afirma-se cada vez mais como um ponto de encontro no centro de Braga.
Desde julho, o espaço da Avenida Central reforçou a influência japonesa na carta, passou a servir cerveja de pressão, criou uma happy hour, tornou-se oficialmente pet friendly e começou a receber uma programação regular de workshops e encontros. A estas novidades junta-se ainda uma parceria com a Royal Crumb, que levou as cookies recheadas da marca bracarense até à montra do espaço.
Esta evolução recupera, na verdade, a ideia que esteve na origem do projeto. O Velma abriu a 20 de abril, em frente à Praça da República, pelas mãos de Yuri Morissawa e Alessandra Rottschaefer, casal brasileiro de 38 e 35 anos que viveu durante uma década no Japão antes de se mudar para Portugal.
Yuri é arquiteto de formação e Alessandra trabalhou nas áreas da publicidade e do cinema. No Japão, porém, ambos acabaram por se aproximar da restauração. Ele trabalhou em restaurantes e especializou-se em cozinha japonesa. Ela começou por preparar bolos caseiros para a comunidade brasileira e, pouco depois, conquistou também clientes japoneses.
O casal chegou a ponderar abrir um negócio no país asiático, mas a língua, a burocracia e as diferenças culturais dificultaram o projeto. A mudança para Portugal surgiu da procura por um quotidiano mais equilibrado, sobretudo depois do nascimento dos dois filhos, atualmente com sete e cinco anos. “No Japão tínhamos estabilidade, mas não tínhamos tempo”, contou Yuri.
Braga surgiu como o local ideal para começar essa nova fase. Depois de um ano de adaptação e de alguma experiência na restauração local, avançaram com um conceito inspirado na forma como sempre receberam os amigos. “A nossa casa era sempre o ponto de encontro”, recordaram. A ideia era criar um espaço onde fosse possível comer, beber, trabalhar, conversar ou simplesmente ficar sem pressa.
O nome presta homenagem à cadela do casal, que morreu quando o projeto começava a ganhar forma. Velma acompanhava-os desde os primeiros anos da relação e era conhecida pela facilidade com que se aproximava das pessoas. O retrato bordado exposto no espaço mantém essa ligação viva.
Não surpreende, por isso, que uma das principais novidades seja precisamente a possibilidade de levar animais de companhia. A decisão surgiu depois de vários clientes explicarem que gostariam de visitar o Velma sem terem de deixar os animais em casa. O espaço foi preparado para os receber de forma organizada e sem comprometer o conforto dos restantes visitantes.
A transformação sente-se também na carta. A ligação de Yuri à cozinha japonesa já fazia parte da identidade do projeto, mas ganhou maior destaque com as novidades. Entre elas está o tonkatsu, lombo de porco panado ao estilo japonês, servido com batatas fritas, por 9€. A mesma carne é usada no katsu sando, uma sandes de pão tostado com lombo panado e couve finamente cortada, por 8,50€.
Para partilhar, há ainda o tonkatsu otsumami, servido em tiras com molho da casa (8€), e o korokke, seis croquetes de batata e carne picada envolvidos em pão ralado panko (7,50€). A carta inclui também rosti com cogumelos salteados (8€), rosti de salmão fumado (8,50€), salada Velma (6€), batatas fritas com molho da casa (5€) e azeitonas marinadas (3,50€).
Ver esta publicación en Instagram
Mantêm-se algumas das propostas que ajudaram a definir o espaço desde a abertura, como as tostas, as panquecas, os bolos caseiros e os pratos de brunch com influências brasileiras, portuguesas e japonesas. “Não temos nada no menu que não seja algo em que acreditamos”, explica Yuri. Foi essa convicção que levou o casal a retirar os ovos Benedict da carta na véspera da inauguração, por considerarem que não representavam aquilo que pretendiam servir.
Nas sobremesas, há bolo de mirtilos ou bolo de cenoura brasileiro (4€), brownie com gelado (5€), bolinhos de chuva (5€) e panquecas, entre 6€ e 7€. A parceria com a Royal Crumb acrescentou à oferta as cookies grandes e recheadas da marca criada em Braga por İrem e Pedro Sousa. Os sabores variam regularmente e cruzam referências como chocolate americano, doce de leite, nata portuguesa ou baklava turca.
A carta de bebidas também foi reforçada com cerveja Erdinger Brauhaus Helles de pressão. O copo de 30 centilitros custa 3,50€ e o de 50 centilitros fica por 5,50€. Há ainda vinhos verdes a copo desde 4€, cocktails por 7,50€, limonadas entre 3€ e 4€ e cafés a partir de 1,50€. De segunda-feira a sábado, o happy hour decorre entre as 18 e as 20 horas.
É ao final do dia, e também aos fins de semana, que o Velma começa a assumir outra dimensão. Em julho, recebeu um workshop dedicado à produção artesanal de sabonete de alecrim, organizado com a BEEVA e o DO.W Hub Criativo. O espaço acolhe também o Tinta na Mesa, um atelier de pintura em cerâmica, tela e outras superfícies. A experiência inclui todos os materiais, acompanhamento e um coffee break.
A programação continua na quarta-feira, 5 de agosto, com a estreia das Quartas da Legião, em parceria com a Legião dos Jogos. Os encontros de jogos de tabuleiro decorrem todas as quartas-feiras, entre as 19h30 e as 23 horas. A 16 de agosto, o espaço recebe duas sessões de RPG de mesa, Shadowdark e Those Dark Places, a partir das 16 horas. A participação requer inscrição prévia e foi pensada também para quem quer experimentar este universo pela primeira vez.
Já a 22 de agosto, às 15 horas, será a vez do Silent Book Club Braga ocupar o espaço. A participação é gratuita, embora seja necessário preencher previamente o formulário de inscrição para garantir lugar. O conceito é simples: cada participante leva o livro que quiser e reserva algum tempo para ler na companhia de outras pessoas, sem leituras obrigatórias.
O mês termina a 30 de agosto com um workshop de colares bordados. A oficina, orientada pela Porto Bordado, custa 30€, inclui todos os materiais e um coffee break e decorre entre as 11 horas e as 13h30.
Os próximos encontros serão divulgados através das redes sociais do Velma. O espaço que abriu como um brunch de 28 lugares tornou-se também um local para jogar, aprender, criar e conhecer pessoas, sem perder o ambiente descontraído que esteve na origem do projeto.
Carregue na galeria para conhecer as novidades do espaço.







