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O brunch do Maria Luísa tem nova carta (e novidades para levar para casa)

No coração de Braga há pratos que regressam, outros que estreiam e uma mercearia com produtos caseiros.

O rosti de salmão chega à mesa ainda morno, com o crocante da batata a contrastar com a cremosidade do labneh  e o toque fresco das ervas. Equilibrado, confortável e pensado ao detalhe, resume bem aquilo que o Maria Luísa quer ser nesta nova fase. O brunch bracarense acaba de lançar uma nova carta, pensada para acompanhar a primavera, mas que vai muito além de uma simples mudança sazonal. Há novidades, regressos pedidos pelos clientes e, sobretudo, uma consolidação do conceito que o espaço tem vindo a construir desde a reabertura, no final de 2025.

Foi em novembro que o Maria Luísa voltou a abrir portas depois de uma pausa para obras e rebranding. O objetivo não era mudar tudo, mas apenas afinar a operação. “Percebemos que o espaço já estava naturalmente a evoluir. O público cresceu connosco e fazia sentido acompanhar essa maturidade”, explica Catarina Soares, fundadora do projeto.

Para perceber esta evolução, é preciso recuar a 2022, quando o Maria Luísa abriu na Avenida da Liberdade, em Braga. Era o quarto projeto do grupo MiniMeu, criado por Catarina Soares, natural de Arcos de Valdevez, mas na verdade a história começa bem antes, ainda longe das cozinhas profissionais.

Catarina cresceu entre prateleiras de uma pequena mercearia de aldeia, gerida pela avó Pureza, onde cada produto tinha uma origem, uma função e uma história para contar. Entre frascos de mel, azeites da região e produtos escolhidos com cuidado, aprendeu cedo que o detalhe faz toda a diferença. “Cada produto tinha história e propósito. Foi aí que aprendi o valor do toque humano”, recorda a empresária de 35 anos.

Essa ligação nunca desapareceu. Mesmo quando começou a trabalhar em part-time na restauração, enquanto estudava, já levava consigo essa forma de olhar para o negócio.

O primeiro passo surgiu em 2016, com o Cantinho MiniMeu, um espaço pequeno e acolhedor onde servia refeições leves, sandes e bolos caseiros. Seguiu-se a Mercearia Pureza, uma homenagem direta à avó, que recuperava essa ideia de comércio com identidade e produtos com história. Pouco depois nasceram o Maria Rosa e o óMaria, ambos em Ponte de Lima, onde começou a consolidar um conceito mais estruturado, sempre com foco no conforto, na estética e na consistência.

O Maria Luísa marca o salto para Braga e também uma mudança de escala. Não só por ser uma cidade maior, mas porque o conceito evolui para um brunch mais completo, com propostas que cruzam pequeno-almoço, almoço e lanche, sem horários rígidos. “Era um sonho trazer o grupo para uma cidade maior, especialmente Braga, que faz parte da minha história”, explica Catarina.

maria Luísa
A fundadora do espaço.

Desde o início, o espaço destacou-se pelo ambiente luminoso e pela carta criativa. Três anos depois, essa identidade não desaparece, mas é afinada. A reabertura, no final de 2025, não foi uma reinvenção, mas um ajuste ao que o espaço já pedia. O Maria Luísa ganhou uma nova identidade visual, mais alinhada com o conceito que vinha a crescer. O interior foi renovado com tons verdes nas paredes, madeira clara e materiais naturais, criando um ambiente mais leve e coerente.

As mesas pequenas, alinhadas ao longo do espaço, mantêm a dinâmica descontraída do brunch, enquanto os bancos corridos em tons quentes tornam o ambiente mais confortável. A iluminação foi reforçada com candeeiros suspensos em fibra natural, que ajudam a criar uma atmosfera acolhedora sem pesar.

Há também mais plantas e detalhes decorativos que reforçam essa sensação de frescura e calma. Ao fundo, o balcão mantém-se como ponto central, com a zona de café e pastelaria em destaque. Um dos elementos mais marcantes é o néon na parede, onde se lê “la vie est belle”, a vida é bela.

O menu mantém o espírito de brunch disponível durante todo o dia, mas apresenta propostas mais equilibradas e conscientes. Há pratos que regressam por insistência dos clientes, como a bowl de falafel (€9,95), com arroz salteado, abacate cremoso, pepino marinado e ervas frescas, pensada para quem procura algo leve mas completo. Outros mantêm-se como favoritos, caso dos ovos Benedict (€8,95), servidos em pão de fermentação lenta com molho holandês e bacon, ou do hambúrguer de novilho (€9,95), que continua a ser uma das opções mais reconfortantes da carta.

Mas há também novidades, como a mousse de chocolate com café e flor de sal (€4), que junta intensidade e equilíbrio num final mais indulgente, ou o regresso de clássicos como o rosti de salmão (€9,95), que voltou a ocupar o seu lugar no menu depois de ter desaparecido temporariamente. As panquecas continuam a ser um dos pilares da carta, das versões com Nutella e mirtilos (€6,50) às de banana caramelizada (€5,50).

No meio das novidades, há também uma aposta clara na experiência. O café de especialidade continua a ser servido e há novas Experiências de Café pensadas para quem quer perceber melhor o que está na chávena. Há versões dedicadas ao espresso (€10) ou aos métodos de filtro (€12), onde o mesmo café é servido de diferentes formas. Estes encontros acontecem uma vez por mês e pode consultar as novas datas nas redes sociais.

Uma das grandes novidades desta fase não está apenas na carta, está nas prateleiras. Desde março, o Maria Luísa passou a integrar uma pequena mercearia dentro do próprio espaço, onde os clientes podem levar para casa alguns dos produtos usados na cozinha. A ideia volta a ligar-se às origens do projeto. “Queremos que os rituais em casa tenham o mesmo cuidado que existe aqui”, explica Catarina.

Entre as opções, há manteigas artesanais (5€) como caju e cacau, ou caju com alecrim e curcuma, pensadas para pequenos-almoços mais criativos. Há também granolas (7€), infusões (3,50€) com diferentes objetivos e bebidas de conforto, do chocolate quente ao golden milk.

Além disso, muitas das compotas e cremes de barrar usados nos pratos são feitos pela própria equipa e passaram agora a estar disponíveis para venda, permitindo replicar um pouco da experiência em casa. 

O Maria Luísa continua a ter cerca de 40 lugares e mantém o ambiente calmo que o tornou popular em Braga, com clientes que tanto aparecem para trabalhar ao portátil como para longos brunches de fim de semana. “Queríamos criar um espaço onde as pessoas se sintam bem, sem esforço. Onde tudo faça sentido”, resume Catarina.

Carregue na galeria para conhecer as novidades do espaço.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    R. do Raio, 355
    4710-922 Braga
  • HORÁRIO
  • Todos os dias das 9h30 às 19h
PREÇO MÉDIO
Entre 10€ e 20€
TIPO DE COMIDA
Brunch

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