Muito antes dos cafés de especialidade, dos brunches e dos espaços “instagramáveis”, já o Café Bristol fazia parte da rotina dos bracarenses. Instalado na esquina do edifício do Theatro Circo, na Avenida da Liberdade, o espaço foi durante décadas um dos pontos de encontro mais emblemáticos da cidade, ligado à vida cultural e social em redor da histórica sala de espetáculos inaugurada em 1914.
Encerrado desde 2005 e já longe da função original, o Bristol prepara-se para regressar ao centro da cidade. O anúncio foi feito por Nuno Gouveia, administrador executivo da Faz Cultura, empresa municipal responsável pela gestão do Theatro Circo, que revelou ao “O Minho” que o espaço será transformado num novo café cultural.
Antes do seu encerramento, o local deixou de funcionar como café e passou a acolher um balcão do BPI. Entretanto, o edifício foi adquirido pela Câmara Municipal de Braga em 1988 e posteriormente transferido para a Faz Cultura, que quer agora recuperar a ligação histórica daquele espaço ao teatro e à cidade.
A ideia passa por criar uma área de restauração aberta não só ao público dos espetáculos, mas também aos bracarenses em geral. “Estamos a preparar o projeto de arquitetura para depois lançar a obra”, explicou Nuno Gouveia. A expetativa é que a intervenção avance ainda este ano.
A reabertura do Bristol faz parte de uma estratégia mais ampla de valorização do Theatro Circo, um dos edifícios culturais mais importantes do País. Projetado pelo arquiteto Moura Coutinho, o espaço abriu portas em abril de 1914 e rapidamente se tornou uma referência nacional, tanto pela dimensão como pela arquitetura inspirada nos teatros italianos. Ao longo do século XX recebeu óperas, cinema, teatro, concertos e grandes eventos culturais, tornando-se um dos principais polos culturais de Braga.
A par da recuperação do Bristol, a Faz Cultura prepara também uma intervenção considerada prioritária: a reabilitação do telhado do Theatro Circo, que apresenta problemas estruturais e infiltrações. A obra deverá representar um investimento de cerca de 500 mil euros.
Segundo Nuno Gouveia, parte das intervenções será financiada com recursos próprios da empresa municipal, depois de Braga 2025 — Capital Portuguesa da Cultura — ter terminado com um saldo positivo de tesouraria superior a 800 mil euros.
O novo Café Bristol ainda não tem data oficial de abertura nem orçamento fechado.
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