Quente, macio e húmido por dentro. A massa leve desfaz-se em camadas finas e a cobertura doce equilibra a intensidade da canela. É assim o cinnamon roll, o doce de assinatura da CinnaBom, que desde 5 de janeiro assinala uma nova fase do projeto familiar com o regresso das entregas em Braga e arredores. Mas há mais: o projeto conta com novas propostas no menu, está a preparar workshops ao longo de 2026 e vai implementar reorganização pensada para tornar o negócio mais sustentável.
Por detrás da marca estão Fhelipmar Ortega, terapeuta ocupacional pediátrica de formação, e o marido, Mario Chanduvi de Pando, chef executivo com quase 25 anos de experiência em cozinhas profissionais. O casal de 40 anos e de origem venezuelana e peruana, chegou a Portugal há cerca de quatro anos e encontrou em Braga a oportunidade de recomeçar. Até então, Fhelipmar nunca tinha trabalhado na área da cozinha. “Exerci durante 16 anos como terapeuta ocupacional. Quando cheguei a Portugal percebi que podia começar um projeto novo em família”, explica.
A CinnaBom nasceu no inverno de 2022 a partir de um pedido simples de um filho, que queria mesmo comer estes rolinhos de canela. Depois de provarem as poucas opções disponíveis na cidade, decidiram testar receitas em casa até chegarem a uma versão própria. As primeiras fotografias publicadas nas redes sociais geraram encomendas quase imediatas. Seguiram-se madrugadas na cozinha e, aos poucos, conquistaram um lote de clientes fiéis. “Percebemos que existia uma procura real por rolinhos feitos com tempo, qualidade e atenção ao detalhe”, recorda.
Após cerca de um ano e meio a vender a partir de casa, abriram em junho de 2024 a primeira loja dedicada a rolinhos de canela na cidade, no centro comercial Rechicho. O espaço trouxe visibilidade, mas também desafios. Houve dias com produtos esgotados e outros com vendas muito baixas. Em março de 2025 decidiram encerrar a loja física e regressar ao modelo online apenas por encomenda, sobretudo pela necessidade de equilíbrio familiar, controlo de custos e redução de desperdício. “Apostámos muito na loja, mas às vezes o melhor é soltar para continuar a crescer de outra forma”, partilham.
Além disso, Mario, que sempre ajudou Fheli e contribuiu com a sua experiência em cozinha, aceitou no verão passado o desafio de chefiar a cozinha do La Mafia, restaurante italiano da cadeia espanhola que se estreou em Braga. A menor disponibilidade do companheiro para apoiar na produção e no atendimento da loja levou Fheli a voltar a assumir o negócio no formato online, como no início.
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Hoje, o projeto funciona novamente com produção antecipada e em pequenos lotes, onde nada é congelado ou produzido em série. Cada rolinho é preparado manualmente, da massa à cobertura, para garantir frescura nas entregas. O processo de encomenda é simples. O pedido deve ser feito com uma antecedência mínima de 24 horas (ou 48 horas para eventos), o pagamento pode ser feito por transferência ou MB Way e é possível escolher entre entrega coordenada ou levantamento no Largo da Senhora A Branca, em Braga. “Queremos manter proximidade com quem encomenda e produzir apenas o necessário”, explicam.
O regresso das entregas trouxe também novidades na oferta. Aos clássicos cinnamon rolls juntou-se o bolo Três Leites, sobremesa tradicional latino-americana que ganhou destaque durante o inverno. A textura húmida e a preparação artesanal tornaram-no um dos produtos mais procurados. Outra adição recente é o roll de pistácio, pensado para quem prefere sabores mais intensos. “Gostamos de testar novas ideias sem perder a identidade do produto artesanal”, referem. Mantêm-se ainda os golfeados, doce venezuelano em forma de caracol, que reforça a ligação do projeto às origens da família. Existem também rolinhos com diferentes sabores, como lotus, mel e queijo, chocolate branco, entre outros.
As encomendas podem ser feitas através do Instagram da marca ou do contacto 933 650 667. Uma caixa com quatro rolinhos simples começa nos 10€, enquanto as versões tradicionais ou variadas variam entre 12€ e 15€. As caixas de partilha com nove unidades custam 15€ e as caixas de mini-rolls com cerca de 20 unidades chegam aos 18€. Entre os restantes produtos, os golfeados com queijo surgem por 16€ e o bolo Três Leites tradicional por 15€. “Tentamos manter valores justos, que reflitam o trabalho manual e a qualidade dos ingredientes”, explicam.
Em épocas especiais do ano, como o Natal, o projeto investe noutros produtos artesanais peruanos ou venezuelanos, como o Pão de Fiambre, um pão recheado com fiambre, passas e azeitonas verdes com pimentos vermelhos, típico da culinária natalícia venezuelana.
Outra novidade recente são os workshops de cinnamon rolls. A primeira data, marcada para março, esgotou e a marca prevê novas edições em abril e setembro, antes do início do outono. A iniciativa reforça a relação direta com os clientes e transforma o projeto numa experiência que vai além da encomenda. “Queremos partilhar o processo e criar momentos de encontro com quem acompanha a marca”, dizem.
O público continua diverso. Inclui comunidades latino-americanas, clientes portugueses e estrangeiros que procuram produtos artesanais feitos em pequena escala. O crescimento mantém-se sobretudo através do passa-palavra e das redes sociais, sem produção massificada nem expansão acelerada. Para 2026, o objetivo passa por consolidar o modelo atual, testar novos sabores sazonais e crescer de forma controlada. Um eventual regresso a um espaço físico não está excluído, mas dependerá do momento certo. “Queremos crescer com calma e continuar fiéis ao que somos”, resumem.
Carregue na galeria para conhecer as propostas da CinnaBom.

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