Custa pouco mais de 7€ e tanto pode acompanhar um prato de peixe como um final de tarde sem comida à mesa. Para os últimos dias das férias de verão, o Congresso das Garrafas, em Braga, sugere um branco feito apenas com Loureiro por um dos enólogos portugueses mais reconhecidos dentro e fora do País.
Chama-se Muros Antigos Loureiro e faz parte do portefólio de Anselmo Mendes. O vinho nasce na sub-região do Lima, considerada o berço desta casta, a partir de vinhas plantadas em meia encosta, com exposição a sul, ao longo das margens do rio.
A proximidade ao oceano Atlântico influencia diretamente o perfil das uvas. Aos solos graníticos, profundos e pobres em matéria orgânica junta-se a frescura marítima que chega às vinhas e ajuda a preservar a acidez. O resultado é um vinho com aromas florais, salinidade acentuada e um perfil leve, fresco e vibrante, especialmente adequado aos meses mais quentes.
No nariz, destacam-se as flores de pétalas brancas, a flor de laranjeira e o jasmim, acompanhados por um toque frutado discreto. Na boca, mantém-se equilibrado, com uma acidez cristalina, final longo e elegância suficiente para ir além de um branco pensado apenas para beber de imediato.
“É um vinho que mostra muito bem aquilo que a casta Loureiro consegue fazer no vale do Lima. Tem o lado floral que muitas pessoas associam à variedade, mas também frescura, mineralidade e uma salinidade que o tornam bastante versátil à mesa”, explica Pedro Araújo, responsável pela garrafeira.
A produção começa com uma vindima manual. As uvas são colocadas em caixas pequenas e transportadas rapidamente para a adega num ambiente refrigerado, para preservar as suas características. Segue-se uma prensagem da uva inteira, sem engaço, e uma clarificação a frio durante um período que pode variar entre 48 e 72 horas.
A fermentação é lenta e decorre com temperatura controlada. Depois, o vinho permanece durante pelo menos três meses sobre borras finas, com bâtonnage regular, um processo que ajuda a dar textura e alguma complexidade sem retirar protagonismo à frescura natural do Loureiro.
Com 12 por cento de álcool, pode ser guardado durante cerca de oito anos, embora esteja pronto para beber. Deve ser servido entre os oito e os 10 graus, uma temperatura suficientemente baixa para reforçar o lado refrescante sem esconder os aromas florais. À mesa, pode acompanhar marisco, peixe grelhado, sushi, saladas, carnes brancas e pratos ligeiramente condimentados.
“É uma referência fácil de recomendar porque consegue reunir qualidade, identidade e um preço muito acessível. Funciona para quem procura uma garrafa descontraída para beber no verão, mas também para quem tem curiosidade em conhecer melhor a casta Loureiro”, acrescenta Pedro Araújo.

Por detrás do vinho está Anselmo Mendes, natural de Monção e proveniente de uma família ligada à agricultura. Formou-se em Agronomia, especializou-se em Enologia e iniciou a carreira em 1987. Ao longo dos anos, liderou trabalhos de enologia e viticultura em várias empresas e regiões do País, num percurso especialmente ligado aos Vinhos Verdes.
A notoriedade chegou sobretudo através do estudo e da experimentação com Alvarinho, que lhe valeram a designação de Senhor Alvarinho. Anselmo Mendes explorou técnicas como a fermentação e o estágio em barrica e a curtimenta, para mostrar que as castas da região podiam dar origem a vinhos com profundidade, capacidade de envelhecimento e diferentes expressões.
Em 1997, foi distinguido como Enólogo do Ano pela “Revista de Vinhos”. No ano seguinte, iniciou o projeto pessoal em Monção e Melgaço, onde produziu os primeiros vinhos numa pequena propriedade e lançou o Muros de Melgaço. A marca cresceu e passou a trabalhar também castas como Loureiro e Avesso, sem abandonar a investigação em torno do Alvarinho.
Em 2008 o produtor construiu uma nova adega em Melgaço, aumentou a capacidade de produção e criou condições para trabalhar diferentes variedades. O percurso valeu-lhe novas distinções: foi eleito Produtor do Ano pela “Revista de Vinhos”, em 2010, recebeu a Comenda de Mérito Agrícola, em 2015, e o título de Senhor do Vinho, atribuído pela revista “Grandes Escolhas”, em 2021. Nesse mesmo ano, foi integrado no Top 100 Wineries da publicação norte-americana “Wine & Spirits”.
A empresa manteve uma dimensão familiar. Fernanda Mendes, mulher do enólogo, acompanha o projeto desde o início e dirige a unidade de enoturismo da Quinta da Torre. Os filhos, Tiago e Gonçalo, também já deram os primeiros passos na enologia. Em 2025, lançaram os primeiros vinhos produzidos por ambos, dando continuidade ao trabalho construído pelo pai.
Em Braga, o Muros Antigos Loureiro encontra-se no Congresso das Garrafas, projeto criado por Pedro Araújo em 2014. Ligado há cerca de três décadas ao setor da distribuição de bebidas através da empresa familiar, o responsável quis criar uma garrafeira capaz de receber consumidores comuns e profissionais no mesmo espaço.
Instalada junto à Universidade do Minho e ao Parque do Rio Este, reúne mais de mil referências de vinhos e espirituosos. “Queríamos criar um espaço onde as pessoas pudessem descobrir produtos, conversar, provar coisas novas e criar memórias à volta do vinho. As bebidas acabam sempre por estar ligadas a momentos especiais, de partilha e de celebração”, refere Pedro Araújo.
A própria arquitetura convida a passar mais tempo na loja. Desenhada pelo gabinete bracarense Tiago do Vale Arquitectos, aproxima-se de uma galeria dedicada ao vinho, com módulos em madeira de pinho, iluminação cuidada e duas frentes em vidro voltadas para a rua e para o parque.
Em novembro de 2024, o projeto cresceu com a abertura do Recesso das Garrafas, uma sala escondida inspirada nos speakeasies da Lei Seca norte-americana. Uma entrada dissimulada conduz a um ambiente reservado, pensado para provas, eventos privados e encontros mais intimistas. Em setembro de 2025, o conceito recebeu um Loop Design Award, que distinguiu internacionalmente o trabalho arquitetónico.
É neste espaço que o Muros Antigos Loureiro pode ser comprado por 7,25€, bem como online.







