O nome parece de uma personagem inventada para uma hamburgueria, mas veio de uma história real de família. Antes de haver pão brioche, carne fresca, cheddar derretido e molhos feitos na loja, já existia um letreiro no Rio de Janeiro com as palavras “Tio Fafá”. Era a loja de roupa infantil do pai de Marcelo Zacarias, aberta em 1972, em homenagem ao avô. Décadas depois, o nome atravessou o Atlântico e acabou por dar identidade a uma das hamburguerias mais reconhecidas do norte de Portugal.
A Tio Fafá abriu esta segunda-feira, 25 de maio, em Braga. A nova loja tem 24 a 26 lugares, seis mesas e uma dimensão mais acolhedora, pensada sobretudo para arrancar com força no delivery.
“É uma loja pequena, mas muito gostosa de estar lá dentro”, conta o empresário de 50 anos à NiB.
A chegada a Braga acontece depois da marca se ter afirmado na Maia, no Porto, em Matosinhos e em Santa Maria da Feira. A unidade bracarense funciona em regime de franchising e é gerida por um casal jovem.
“São dois miúdos novos, com cerca de 22 anos, que estão com faca nos dentes. É o plano A, não há plano B. Gosto muito de franchisados assim”, admite Marcelo Zacarias.
A história da Tio Fafá começou em 2020, em plena pandemia. Marcelo já trabalhava com franchising na área da alimentação desde 2015, no Brasil, e chegou a Portugal três anos depois, quando internacionalizou uma marca de sushi. Durante a pandemia, um franchisado deixou-lhe uma loja na Maia e Marcelo ficou com o espaço em mãos. “Quem é que ia fazer um trespasse na Maia naquela altura? Ninguém”, recorda.
Durante aqueles meses que passou fechado em casa, o empresário brasileiro costumava encomendar com frequência refeições rápidas. Foi aí que percebeu que havia pouca oferta de hambúrgueres artesanais com entrega rápida. “Na altura havia uma lacuna. Existiam marcas como a DeGema, o Munchie ou a Santo Burga, mas vimos um espaço para fazer um trabalho diferente.” A primeira loja nasceu já pensada para delivery, com estafeta próprio, embalagens personalizadas e uma operação desenhada para chegar depressa a casa dos clientes.
A sala só veio depois. Dois meses após a abertura, fizeram obras para receber público. “Abrimos a pensar no cliente e no delivery. Isso foi o que nos diferenciou desde o início.”
O conceito da marca mistura hambúrgueres artesanais, ambiente descontraído e uma linguagem familiar. Muitos pratos têm nomes de familiares de Marcelo, da mulher ou de pessoas próximas. A ideia começou com um cozinheiro da equipa e acabou por ficar. “Percebemos que o português é muito tradicional nesta cena da família. Olhámos no que não vimos e acertámos no que vimos”, brinca.

No menu há entradas como a Titiana, com mac and cheese, por 8,90€; a Dinorah, com batata palito e maionese da casa, por 5,90€; a Dinah, com american cheese e bacon, por 8,90€; e a Diva, com batata doce palito e maionese da casa, por 8,90€. Há ainda coxinhas, bolinhas de queijo, cubinhos de cheddar, charutos e saladas, com preços entre 5,90€ e 8,90€.
Nos hambúrgueres, a carta inclui opções como o Tio Fafá, com blend 220 gramas 100 por cento bovino, american cheese e bacon em cubos, por 11,90€; o Tio Hugo, com cogumelo portobello, cebola caramelizada, rúcula e molho de mostarda e mel no bolo do caco, por 9,90€; e o Tio Joel, apontado como best seller, com cheddar, bacon em fatias, cebola caramelizada, rúcula e molho barbecue no brioche, por 9,90€.
Pelo meio, vai encontrar o Tio Chicão, com hambúrguer de frango panado, american cheese, alface, tomate e molho sweet chilli, por 9,90€; o Big Zaca, com dois hambúrgueres, alface, queijo, molho especial, cebola e pickles, por 12,90€; e o Tio Maurício, com duas carnes de 150 gramas, ovo frito, alface, tomate, queijo cheddar, bacon e maionese defumada, por 13,90€. A batata frita é paga à parte, por 2,20€.
Há ainda menu infantil, com opções a 8,90€, e sobremesas como a Avó Madalena, uma torta gelada com calda de caramelo e paçoca ou frutos vermelhos, por 7,90€; a Avó Cristina, com gateau de chocolate, Kinder Bueno e gelados, por 12,90€; brownie com gelado por 8,90€; strudel por 6,90€; e churros com Nutella e doce de leite por 5,90€.
A qualidade dos ingredientes é um dos pontos que Marcelo mais sublinha. “O nosso pão não é congelado. É fresco e entregue todos os dias nas lojas. A carne também é fresca, o queijo é homologado e usamos marcas reconhecidas. Tendo pão bom, carne boa e queijo bom, já temos 50 por cento de um bom hambúrguer.”
Os molhos também são preparados internamente. “Não usamos maionese feita. Produzimos a nossa maionese dentro da loja.” A marca trabalha com fornecedores homologados e acompanha os padrões de compra e venda de cada unidade, além de visitas de operação para garantir consistência.
A Tio Fafá ganhou especial visibilidade graças aos hambúrgueres especiais do mês. Em janeiro, o Tio Márvio foi eleito pelo público como o melhor hambúrguer da Portugal Burger Cup 2025. A receita tinha pão brioche, blend 160 gramas bovino, cebola caramelizada, cebola roxa, queijo cheddar, bacon em cubos e maionese de chimichurri.
“O mais interessante não foi só ganhar. Foi ganhar contra marcas importantes. Era a primeira vez que participávamos e vencemos os oito critérios do concurso”, diz Marcelo.
Em maio, o especial é o Tio Nycolas, criado em parceria com a Picanha Fixe. Leva blend 220 gramas defumado, sal de parrilla, queijo cheddar, cebola caramelizada, maionese defumada e pão brioche. Para junho, a marca está a preparar uma homenagem ao São João.
“Vai ter maionese de sardinha e pimento chapeado. Demorei dois meses para acertar”, revela.
A abertura em Braga não traz uma carta diferente das restantes lojas, mas Marcelo acredita que a cidade estava à espera de um conceito assim. “Sai muita gente de Braga para ir ao Tio Fafá no Porto, em Matosinhos ou na Maia. Vamos ter um público fiel e, aos poucos, quando a operação estabilizar, podemos mudar para um espaço maior.”
O plano passa agora por consolidar a unidade bracarense, sobretudo através do delivery próprio e das plataformas. Depois, a marca quer continuar a crescer no Norte, com Guimarães e Famalicão no radar.
“O mais difícil não é conseguir. É manter. Somos uma empresa viva, estamos sempre a tentar coisas novas.”







