compras

Bipolar Lab é o novo espaço alternativo de Braga com tatuagens, arte e vintage

A loja abre oficialmente esta quarta-feira, 3 de junho, com um Pop-Up Market no Centro Comercial Avenida.

Marisa Martins já tinha imaginado este espaço muitas vezes, mas quase sempre noutro lugar. Durante anos, a ideia do Bipolar esteve ligada ao Porto, cidade onde viveu cerca de 12 anos, trabalhou na área dos eventos e desenvolveu a Tri Ângulo, projeto de moda, segunda mão, arte e cultura alternativa. Quando regressou a Braga há cerca de dois anos, a cidade onde nasceu, o conceito ficou em suspenso, até perceber que talvez não tivesse de esperar pelo sítio ou momento perfeito: tinha de acontecer onde ela estava.

Foi assim que nasceu o Bipolar Lab, um novo espaço criativo no Centro Comercial Avenida, em Braga, que junta tatuagem, moda vintage, arte, pop-ups, workshops, marcas independentes e residências temporárias. O projeto é desenvolvido por Marisa Martins e Fernando Gesto, tatuador com percurso reconhecido e ligação à cidade.

A abertura oficial acontece esta quarta-feira, 3 de junho, com um Pop-Up Market by Tri Ângulo, entre as 16 e as 21 horas, na loja 51 do Centro Comercial Avenida. O evento marca o primeiro grande momento do espaço e vai reunir várias marcas, artistas e criadores convidados.

Entre os projetos confirmados estão Tri Ângulo, Bordados Malcriados, Toska, Cat Drib, N’Uma, Cat Tooth Gems, M’Leaf Tattoo, Amelie Bazaar, Fur for Home, Maragardia, Be Alternative JC Design, Catarinabrows, Dutis Design, Muriami Brand, Boné do Bairro, Maria Malandra, Celeste Cerâmica, Valentina A. Studio, Molda Atelier, Bee Happy Natural Soap, Fgestotattooer, Letras Eleques e Cosyartbag. A programação inclui ainda um momento musical com Charli3 Sauce, entre as 21h30 e as 2h30, no Ramen Break.

“Mais do que um evento de inauguração, queremos que seja um primeiro encontro entre todas as pessoas que vão fazer parte desta nova fase”, explica a bracarense de 38 anos à New in Braga.

Os dois fundadores já se conheciam de contextos sociais, mas foi num reencontro já em Braga que a ligação ganhou outra forma. “Costumo dizer que nos reconhecemos nesse processo. Há pessoas com quem já nos cruzámos, mas é numa segunda aproximação mais consciente que nasce uma ligação e um entendimento mais profundo”, conta.

Na altura, Marisa atravessava uma fase de transição. Tinha regressado a Braga por razões pessoais e familiares, sobretudo ligadas ao bem-estar do filho, mas confessa que os primeiros meses não foram fáceis. “Braga é a minha cidade natal, mas nunca tinha sido, para mim, uma cidade de eleição ou de verdadeira pertença”, admite.

No Porto, tinha uma vida construída, ligada aos eventos, à música eletrónica e à Tri Ângulo, projeto com mais de 11 anos que começou como loja vintage e foi crescendo para outras áreas. Ao longo do tempo, a marca passou a integrar moda, arte, tatuagem pontual, nail art, pop-ups e pequenas residências criativas. O Bipolar Lab surge como uma evolução natural.

“Não é uma junção forçada. É uma forma de dar escala e estrutura ao que já acontecia de forma orgânica”, explica. “Para mim, tudo isto faz parte da mesma linguagem: moda, tatuagem, arte, música. Tudo são formas de expressão.”

 
 
 
 
 
Ver esta publicación en Instagram
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Una publicación compartida de Bipolar Lab (@obipolar.lab)

O nome Bipolar já existia antes do espaço físico. Marisa sempre se interessou pela palavra, não apenas pela dimensão clínica, mas pela ideia de dualidade, contraste e coexistência entre opostos. Durante algum tempo, o projeto chegou a ser pensado como Bipolar Studio, mas acabou por ganhar o “Lab” para reforçar a ideia de laboratório.

“Queríamos que o espaço fosse aberto a diferentes linguagens, projetos e pessoas, sem ficar preso a um único formato”, explica. “O Bipolar Lab nasce precisamente dessa dualidade: contraste, experimentação e liberdade criativa.”

Essa dualidade também se reflete na estética. A montra, pintada em preto, branco e vermelho, antecipa a linguagem visual do projeto: gráfica, crua e underground. No interior, o ambiente mistura paredes claras, apontamentos escuros, sofás pretos, zona de tatuagem e peças de criadores independentes expostas como se fizessem parte de uma instalação. Há malas de crochet, acessórios, objetos coloridos, peças têxteis, ilustrações e trabalhos manuais.

A comunicação do projeto tem uma linguagem muito influenciada pela música eletrónica, pela cultura rave e pelo imaginário de Berlim. A inspiração vem dos clubes, dos espaços industriais transformados em lugares de criação.

O espaço quer funcionar como “um organismo vivo”, na prática, isto significa que não será apenas uma loja, nem apenas um estúdio de tatuagem. A marca de Marisa e as tatuagens de Fernando vão estar em funcionamento regular, mas o Bipolar Lab também vai receber mercados, pop-ups, workshops, exposições, talks, eventos e ativações temporárias de forma frequente. “Queremos que seja um ambiente confortável, quase como casa, onde as pessoas se sintam bem-vindas, onde possam estar, criar, expor trabalho ou simplesmente existir no espaço”, diz Marisa.

A tatuagem será um dos núcleos fixos do Bipolar Lab, com Fernando Gesto como tatuador residente. Para os fundadores, esta vertente não surge apenas como serviço, mas como linguagem artística. “A tatuagem é, para nós, uma forma de arte e também de identidade. É expressão, marca pessoal e ligação ao corpo”, explica Marisa, que também tem várias tatuagens, incluindo o símbolo do Bipolar nas costas.

A outra vertente permanente está ligada à moda, acessórios e segunda mão, em continuidade com o trabalho da Tri Ângulo. A aposta no vintage não é apenas estética. Tem a ver com sustentabilidade, exclusividade e com a ideia de dar continuidade às peças. “Costumamos dizer ‘peças em segundo corpo’, porque acreditamos nessa continuidade. Não é apenas descarte”, acrescenta.

Além das peças vintage e da tatuagem, o Bipolar Lab quer receber marcas independentes, artistas emergentes e criadores com identidade própria. A seleção será feita por curadoria, mas sem limitar o espaço a uma única estética. O critério principal, explica Marisa, é a autenticidade. “Procuramos pessoas verdadeiras, com identidade e autenticidade. Não estamos focados em tendências ou modas, mas sim em projetos com alma, qualidade e dedicação.”

Os preços vão variar consoante cada área e cada criador presente no espaço. No caso da tatuagem, os valores serão definidos mediante o desenho, dimensão, detalhe e marcação com o tatuador, mas começam nos 40€. Já as peças vintage, acessórios, artigos de marcas independentes e objetos criativos terão preços diferentes, de acordo com a curadoria e com cada projeto convidado, mas deverão rondar os 5€ aos 200€.

Para Marisa e Fernando, a sustentabilidade do Bipolar Lab passará por várias frentes: venda de peças, tatuagens, eventos, marcas residentes, ativações temporárias, pop-ups e aluguer do espaço para projetos alinhados com a identidade do conceito. A meta é manter o espaço ativo sem comprometer a vertente artística.

A escolha do Centro Comercial Avenida também não foi aleatória. O espaço tem ganho nova vida com projetos independentes e alternativos, além de estar numa zona central da cidade e ter rendas mais acessíveis. Para os fundadores, fazia sentido integrar essa transformação.

Daqui a cinco anos, Marisa gostaria que o Bipolar Lab já fizesse parte da memória cultural de Braga. “Queremos que seja um espaço que inspira e é inspirado. Que deixe marca cultural na cidade e que sirva de referência para novos projetos”, afirma.

Carregue na galeria para conhecer o novo cool spot de Braga.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Centro Comercial Avenida
    Avenida Central, 33, loja 51
    4710-228 Braga
  • HORÁRIO
  • Todos os dias das 10h às 19h

ARTIGOS RECOMENDADOS