O espetáculo de despedida da Braga 25 – Capital Portuguesa da Cultura, no palco do Theatro Circo, foi mais do que um momento simbólico de passagem de testemunho a Ponta Delgada. Este foi também o cenário escolhido para lançar uma das ideias mais ambiciosas para a cidade: a criação de uma “central cultural”, um novo equipamento dedicado a todas as artes, pensado para ser vivido, usado e sentido pela população.
O anúncio foi feito pelo presidente da Câmara Municipal de Braga, João Rodrigues, à margem da cerimónia que encerrou oficialmente um ano considerado histórico para a vida cultural bracarense. Após 12 meses marcados por uma programação intensa, números recorde de público e forte envolvimento de artistas locais, nacionais e internacionais, o autarca sublinhou que aquele era “um dia de fecho, mas não um dia de fim”.
Durante o seu discurso, João Rodrigues foi claro quanto à ambição do executivo municipal: assegurar que o impulso gerado pela Capital Portuguesa da Cultura não se perde com o regresso à normalidade. “Tivemos um ano atípico, no bom sentido, com muita produção e muitos espetadores. É muito importante garantir que não nos apequenamos depois disto”, afirmou, defendendo que Braga precisa agora de espaço, tempo e condições para continuar a produzir e a consumir cultura.
É neste contexto que surge a nova proposta. Segundo o autarca, Braga tem atualmente vários equipamentos culturais espalhados pelas 37 freguesias do concelho, mas falta um espaço agregador, não numa lógica centralizadora, mas de maximização de recursos. “Queremos criar um sítio que a cidade sinta como seu. Um espaço onde se produz, onde se consome, onde a população pode procurar cultura, criar e participar”, explicou.
Para já, a localização do futuro equipamento permanece em aberto. João Rodrigues admite que já tem uma ideia concreta, mas prefere não a revelar. “Quando se faz um negócio, é melhor estarmos calados um bocadinho até ele estar feito”, afirmou, sublinhando que espera que a central cultural se torne realidade ainda durante o atual mandato.
Mais do que um edifício, a visão passa por criar um espaço vivo, acessível e transversal às várias disciplinas artísticas — das artes performativas às visuais, da música à criação contemporânea — capaz de servir tanto criadores como públicos.
O anúncio surge alinhado com uma mensagem que atravessou todo o encerramento da Braga 25: a cultura como eixo central da política municipal. “Braga vai tratar a cultura como uma prioridade política, e não como mera decoração”, afirmou o presidente da Câmara, comprometendo-se com a criação de públicos, a valorização dos criadores locais e o reforço das redes nacionais e internacionais.
Atualmente, a empresa municipal de Cultura de Braga gere equipamentos como o Theatro Circo, o gnration e a Braga Media Arts, que ficará instalada no antigo Cineteatro São Geraldo. A nova central cultural surge, assim, como uma peça complementar — e estruturante — deste ecossistema.
Os números da Braga 25 ajudam a perceber a dimensão do legado: até outubro de 2025, o programa integrou cerca de 1.200 atividades, entre espetáculos, exposições, ações de formação e projetos de mediação, envolvendo quase 1,5 milhões de espetadores e cerca de 1.200 artistas, metade dos quais locais.
Na cerimónia de encerramento, a ministra da Cultura, Margarida Balseiro Lopes, reforçou a ideia de continuidade, sublinhando que o objetivo da Capital Portuguesa da Cultura é precisamente criar impacto para lá do ano do título. “No caso de Braga, é absolutamente seguro que esse legado vai perdurar”, afirmou.
Com a passagem de testemunho a Ponta Delgada, marcada oficialmente para o final de janeiro de 2026, Braga fecha um ciclo — mas abre outro. A futura central cultural promete ser um dos pilares dessa nova fase, consolidando a ambição de afirmar a cidade não só como consumidora, mas também como exportadora de cultura.

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