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Cartazes arrancados da rua dão forma à nova exposição de Manuela Pimentel

A artista portuense apresenta uma nova exposição com curadoria de Helena Mendes Pereira. Estará na zet gallery até 21 de março.

Antes de chegar às paredes da galeria, muitas das obras de Manuela Pimentel começam na rua. A artista recolhe cartazes abandonados em muros, postes ou fachadas e leva-os para o atelier, onde são sujeitos a cortes, sobreposições e reconfigurações. É a partir desse material que constrói parte significativa do seu trabalho , uma prática que volta a estar no centro da nova exposição patente na zet gallery, em Braga.

A mostra chama-se “Quando eu morder a palavra, por favor, não me apressem”, título retirado de um poema da escritora brasileira Conceição Evaristo. A exposição foi inaugurada na passada sexta-feira, 16 de janeiro, e pode ser visitada gratuitamente até 21 de março. A curadoria é de Helena Mendes Pereira, diretora do espaço.

Nascida no Porto, Manuela Pimentel licenciou-se em Artes Plásticas – Desenho, pela Escola Superior Artística do Porto, em 2003. Expõe regularmente desde 2001 e, ao longo de mais de duas décadas, desenvolveu uma prática artística que cruza desenho, pintura, vídeo e instalação. Apesar da diversidade de meios, o desenho mantém-se como disciplina central no seu trabalho.

Nesta exposição, a artista apresenta sobretudo obras inéditas, construídas a partir da apropriação de cartazes urbanos. Alguns são usados na íntegra; outros são recortados em módulos de 14 por 14 centímetros, organizados em painéis que remetem para a lógica do azulejo. Sobre essas superfícies surgem palavras e frases que atravessam diferentes registos, sejam declarações de amor, excertos poéticos ou mensagens políticas.

O conceito parte da ideia da cidade como extensão da casa. A rua surge como um espaço habitado, com códigos próprios, mas também como lugar de encontro e confronto. A artista questiona a tendência para a separação num contexto em que, à partida, existem mais motivos para convergência do que para afastamento.

A curadora destaca o papel central da palavra e da poesia na construção da exposição, bem como a utilização do azulejo enquanto elemento simbólico ligado à identidade cultural. Outro aspeto relevante é a integração de objetos do quotidiano doméstico — como biombos, bancos, mesas, gaiolas ou louceiros — que coexistem com os cartazes recolhidos na rua. Essa combinação dá origem a instalações tridimensionais e torna esta uma das exposições mais imersivas da artista.

Manuela Pimentel integra a coleção do dstgroup, grupo detentor da zet gallery, há mais de uma década e já expôs em instituições internacionais como o Kennedy Center, em Washington.

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