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Dos miúdos aos artistas: Circuito recebe oficinas, cursos e experiências apra todos

O Circuito regressa em setembro com propostas gratuitas e pagas que cruzam arte, tecnologia, natureza, vídeo e programação.

O auto-tune ganhou fama a salvar notas menos certeiras e a dar às vozes aquele polimento quase impossível de encontrar fora de um estúdio. A 5 de setembro, em Braga, vai esquecer a perfeição e pôr toda a gente a cantar. Mesmo quem nunca se atreveria a fazê-lo em público. O Grupo Coral do Auto-Tune abre a nova programação do Circuito, Serviço Educativo Braga Media Arts, com um coro improvisado onde a tecnologia também entra na brincadeira.

O arranque coincide com a Noite Branca de Braga e acontece no gnration. Entre as 10h30 e as 13 horas, a Estação de Experimentação recebe o Grupo Coral do Auto-Tune, um projeto que usa a conhecida ferramenta de correção vocal como ponto de partida para uma improvisação coletiva. Não é preciso saber cantar nem ter experiência musical. A atividade é gratuita, não exige inscrição e está aberta a participantes a partir dos três anos, desde que acompanhados por um adulto.

“O Auto-Tune deixa de ser apenas uma ferramenta de correção vocal para se tornar matéria coletiva, gesto performativo e espaço de escuta”, explica Sara Borges, responsável pela programação do ciclo cultural de Braga. Ao longo da manhã, os participantes vão usar a voz, um programa de produção áudio e o próprio efeito digital para testar sons e desconstruir ideias ligadas à música pop, à técnica e à autenticidade.

No mesmo dia, o gnration recebe quatro visitas orientadas de antecipação às exposições, às 14h30, 15h30, 16h30 e 17h30. As duas primeiras terão interpretação em Língua Gestual Portuguesa. O percurso passa pelas obras criadas nos Laboratórios de Verão, programa de apoio à criação artística local, que podem ser vistas entre 4 e 19 de setembro.

As visitas regressam ao longo dos últimos quatro meses do ano e podem ser marcadas por escolas ou grupos. A partir de 9 de outubro, será possível conhecer “MANKURTS”, de Olga Kisseleva, que parte de uma lenda do escritor Chingiz Aitmatov para refletir sobre os sistemas intensivos de plantação de árvores. Na mesma data estreia “Matéria Escura Digital”, de Rosemary Lee, sobre o impacto dos dados esquecidos na Internet, desde páginas abandonadas a vídeos com poucas visualizações. As duas exposições ficam abertas até 2 de janeiro.

A programação tem a assinatura da artista Sara Borges e mantém a estrutura que o Circuito tem desenvolvido ao longo dos últimos seis anos. O projeto nasceu como serviço educativo da Braga Media Arts, no seguimento da entrada de Braga na Rede de Cidades Criativas da UNESCO, em 2017, no campo das Media Arts. Desde então, tem aproximado a arte e a tecnologia de públicos muito diferentes.

“O Circuito é o Serviço Educativo da Braga Media Arts e faz múltiplas ligações entre criação, media arts e comunidade”, explica a responsável pelo programa. Escolas, famílias, miúdos, professores, artistas, seniores e pessoas sem qualquer experiência prévia encontram atividades pensadas para diferentes níveis de conhecimento. A ideia central é simples: “As media arts devem ser património de todos, não privilégio de alguns.”

Há muitas atividades para os miúdos.

Por isso, o programa divide-se em vários segmentos. O Mini Circuito reúne propostas para miúdos e famílias, o Circuito Escolar trabalha com alunos e professores, o Circuito Avançado dirige-se a jovens, adultos e profissionais e o Circuito Para Todos abre atividades a públicos de várias idades. “Este é um Circuito aberto a todos e ninguém fica de fora”, resume a criativa.

Ainda em setembro, o CoderDojo regressa ao gnration no dia 19. Criada pelo CeSIUM, Centro de Estudantes de Engenharia Informática da Universidade do Minho, a iniciativa celebra dez anos a aproximar miúdos e jovens da programação. A sessão dirige-se a participantes dos sete aos 17 anos, que poderão aprender conceitos básicos, experimentar ferramentas digitais e desenvolver pequenos projetos com o apoio de mentores. Não é necessário ter conhecimentos prévios: a ideia passa precisamente por transformar a tecnologia num espaço de descoberta, onde se aprende a testar, errar e tentar novamente. A atividade dura duas horas e tem entrada gratuita.

Em outubro, o Circuito olha para a relação entre arte, natureza e responsabilidade ambiental através de duas propostas para públicos diferentes. A primeira acontece no dia 10, quando a artista russa Olga Kisseleva orienta a masterclass “EDEN — Ética e durabilidade para uma ecologia da natureza”, no gnration. A sessão está ligada às questões que atravessam o trabalho da artista, conhecida por juntar investigação científica, tecnologia e criação contemporânea.

A atividade convida os participantes a pensar no papel dos artistas perante a crise ambiental e nas escolhas que começam ainda antes de uma obra ganhar forma: os materiais usados, os processos de produção, o consumo de recursos e aquilo que permanece depois de o trabalho ser apresentado. A proposta parte da arte para abrir uma conversa mais ampla sobre sustentabilidade, responsabilidade e novas formas de imaginar a relação entre pessoas e ecossistemas. A participação custa 5€ e integra o Circuito Avançado, dirigido ao público jovem e adulto.

Uma semana depois, a 17 de outubro, o mesmo tema chega ao miúdos através da oficina “A arte é um fenómeno — Adesivos botânicos”. A atividade destina-se a miúdos a partir dos seis anos e parte de elementos simples encontrados na natureza, como folhas e flores. A partir destes materiais, os participantes podem observar formas, cores e texturas e criar as próprias composições.

A oficina aproxima a criação artística da descoberta do mundo natural, num exercício em que recolher, escolher e combinar fazem parte do processo. Além do resultado final, a ideia passa por levar os miúdos a olhar com mais atenção para elementos que encontram no quotidiano e que, muitas vezes, passam despercebidos. Cada miúdo paga 3€ e o bilhete do adulto acompanhante custa 4€.

Durante o mês, o programa volta-se também para a comunidade escolar. Entre os dias 28 e 30, o gnration recebe “Pintar o dentro”, integrado nos “WE! Workshops de Experimentação”. A proposta convida os alunos a entrar num processo criativo em que a experiência tem tanta importância como o resultado final. Em vez de lhes dar uma resposta pronta, o workshop abre espaço para observar, imaginar e testar outras formas de expressão.

No dia 31, o foco passa dos alunos para os professores. Guilherme Martins orienta uma formação dedicada aos primeiros passos na programação criativa através do p5.js, uma ferramenta que permite criar desenhos, animações e experiências interativas com código. A sessão foi pensada para docentes que queiram levar estas linguagens para a sala de aula, mesmo que nunca tenham programado. “Mais do que ensinar comandos, procura mostrar como o código pode ser usado como material criativo e cruzado com disciplinas como as artes visuais, a matemática ou as ciências”, defende a curadora.

A formação de professores continua em novembro. No dia 21, Maribel Mendes Sobreira orienta “Desaprender o olhar — Imagem, representação e pensamento crítico na educação”. A atividade parte das imagens que fazem parte do quotidiano para questionar a forma como são produzidas, lidas e usadas dentro da escola. O objetivo é dar aos docentes ferramentas para trabalhar temas como representação, identidade e pensamento crítico com os alunos, num tempo em que grande parte da informação chega precisamente através de fotografias, vídeos e conteúdos digitais.

Uma semana depois, a 28 de novembro, a artista, compositora e escritora francesa Félicia Atkinson conduz a masterclass “O poema é a partitura”. A sessão acompanha a sua passagem pela programação do gnration e abre uma janela para o processo criativo da artista. Atkinson explicará como aproxima som e palavra e de que maneira um texto pode orientar uma composição ou uma performance. A relação entre voz, escrita, presença e espaço estará no centro de uma atividade dirigida a músicos, artistas, estudantes e outros participantes interessados na criação contemporânea.

Uma das principais novidades destes quatro meses é, porém, o Clube de Vídeo. Orientado por Bruno Rodrigues Martins, o projeto decorre entre outubro e dezembro e nasce através de uma chamada aberta à comunidade. Isso significa que não se destina apenas a artistas ou profissionais: qualquer pessoa interessada em explorar a imagem em movimento poderá candidatar-se e entrar num processo de criação acompanhado.

Ao longo das sessões, os participantes vão experimentar diferentes formas de trabalhar com vídeo. Algumas imagens serão pensadas para existir ao vivo e desaparecer com a apresentação, enquanto outras poderão transformar-se em peças autónomas, capazes de continuar a ser vistas depois da atuação. O clube abre espaço para explorar o vídeo como registo, instalação, performance ou elemento de diálogo com o som.

O resultado desse trabalho será conhecido nos dias 4 e 5 de dezembro, durante o OCUPA #11, encontro do gnration dedicado aos novos criadores de música eletrónica e arte digital do distrito de Braga. Uma parte das peças será apresentada ao vivo em conjunto com a ODE, Orquestra de Dispositivos Eletrónicos, outro projeto participativo do Circuito. Os restantes trabalhos ficarão reunidos numa instalação, para que possam ser descobertos ao longo do evento. O Clube de Vídeo não termina, portanto, numa aula ou exercício fechado: conduz os participantes desde a primeira experiência até à apresentação pública do que criaram.

Dezembro inclui ainda a masterclass “Matéria escura digital”, com Rosemary Lee, no dia 12. A artista vai abordar os lados menos transparentes das tecnologias visuais, dos sistemas generativos e da aprendizagem automática. Nesse mesmo dia, o Theatro Circo recebe uma sessão do Cinema PLAY, com “Histórias sobre a bondade com alguma maluqueira”. A programação termina a 17 e 18 de dezembro com “Daqui ali, movimento — Entre o real e a animação”, uma oficina para participantes a partir dos 12 anos que junta mapas, fotografias, memórias e técnicas de animação.

Os miúdos e famílias que frequentem atividades do Mini Circuito ou do Circuito Para Todos podem ainda pedir gratuitamente o Passaporte do Circuito nas bilheteiras do gnration e do Theatro Circo. Cada atividade vale um autocolante em forma de píxel e, por cada cinco reunidos, há um prémio surpresa.

Os bilhetes estão disponíveis online e nas bilheteiras dos dois espaços, desde 5€. Existem descontos entre 20 e 50 por cento para miúdos, estudantes, maiores de 65 anos, desempregados, profissionais das artes, grupos escolares e outros públicos abrangidos.

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