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Foto do magusto em Braga brilha nos ecrãs gigantes de Times Square em Nova Iorque

A imagem que retrata um casal de participantes saltando a fogueira vai ser projetado até fim de novembro.

No norte d  País, o cheiro a castanhas assadas mistura-se com o fumo das fogueiras e o riso das pessoas que, ano após ano, mantêm viva uma das tradições mais antigas do Minho: o magusto. Em Braga, este ritual assume forma na Rusga de São Vicente, um grupo etnográfico dedicado à preservação de costumes e danças populares da região. Entre os gestos mais simbólicos da festa está o salto por cima da fogueira — uma tradição que combina fé, coragem e uma boa dose de diversão.

Diz-se que o costume nasceu de antigas celebrações pagãs ligadas ao fogo purificador. Saltar a fogueira, acreditava-se, afastava os maus espíritos, trazia sorte e renovava as energias para o inverno que se aproximava. Com o tempo, o gesto tornou-se um símbolo de união comunitária e alegria coletiva. Em Braga, continua a ser um dos momentos mais esperados do magusto, reunindo gerações inteiras em volta das brasas e da música tradicional.

Precisamente esse instante — dois participantes a saltar a fogueira, em pleno pátio da Torre de São Vicente, diante de uma multidão de curiosos — que o fotógrafo Carlos Teixeira eternizou. A imagem, vibrante e cheia de movimento, capta a essência do que significa viver o outono à moda minhota. E agora, atravessa fronteiras: será exibida no icónico Times Square, em Nova Iorque, ao longo de novembro.

O anúncio foi feito pelo próprio fotógrafo nas redes sociais, onde partilhou o orgulho de ver um “cheirinho de Braga” projetado no coração de Manhattan. A fotografia faz parte de uma exibição internacional que reúne trabalhos de autores de todo o mundo. A iniciativa, promovida pela EarthCam, transforma os enormes ecrãs digitais da praça num autêntico mural global de imagens e histórias.

Times Square é muito mais do que um cruzamento — é um símbolo da cultura pop e da vida urbana norte-americana. Desde o início do século XX, os seus painéis luminosos exibem publicidade, filmes e mensagens culturais, tornando-se um dos espaços mais fotografados e reconhecidos do planeta. Hoje, é também palco de arte pública e exposições digitais que dão visibilidade a criadores de todos os continentes.

Carlos Teixeira, natural de Braga, tem vindo a destacar-se pela sua capacidade de retratar o quotidiano da região com um olhar humano e sensível. As suas fotografias percorrem feiras, romarias e tradições locais, sempre com foco nas pessoas e na energia que as move. “Foi uma surpresa enorme ser convidado para integrar esta mostra internacional”, confessou. “Ver uma imagem tão típica da nossa cultura passar num ecrã daqueles é algo indescritível.”

Quem quiser acompanhar o momento pode fazê-lo em direto através do link partilhado pelo autor, numa câmara que transmite continuamente o movimento da praça nova-iorquina. Assim, mesmo a milhares de quilómetros, é possível ver a chama bracarense acender-se por entre as luzes da cidade que nunca dorme.

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