Quando abriu portas em 2014, o gnration nasceu com uma missão clara: colocar Braga no mapa da criação contemporânea, estimulando o cruzamento entre música, arte digital, pensamento crítico e inovação. Instalado num antigo quartel da GNR, o espaço rapidamente se tornou uma referência nacional pela aposta em artistas pioneiros, pela programação exigente e pela capacidade de acolher performances que desafiam fronteiras entre disciplinas.
Ano após ano, a sua programação tem sido marcada pela diversidade: concertos de música eletrónica e experimental, encontros inéditos entre artistas nacionais e estrangeiros, exposições que interrogam a tecnologia, residências artísticas, ciclos de cinema e conversas que aproximam público e criadores. Este equilíbrio entre descoberta e continuidade tornou o gnration num espaço essencial para quem procura novas linguagens e experiências sensoriais.
Os primeiros quatro meses de 2026 prometem reafirmar esta identidade com uma temporada intensa, plural e com grandes nomes da música contemporânea. Entre janeiro e abril, o programa inclui estreias absolutas, apresentações de novos discos, encontros únicos e programação expositiva e digital, num arranque de ano que se destaca pelo risco e pela qualidade artística.
O ano arranca a 9 de janeiro com uma parceria entre duas figuras da criação contemporânea: a pianista e compositora Hara Alonso e o artista visual Pedro Maia, que apresentam uma nova performance audiovisual criada especialmente para o gnration. A proposta mergulha o público numa narrativa sensorial onde som, luz e imagem são moldados e reconstruídos em tempo real.
A 17 de janeiro, o palco recebe um encontro de gerações e geografias: o quarteto HEDERA 4TET — Carlos Zíngaro, Bernardo Aguiar, David Magalhães Alves e Francisco Lima da Silva — junta-se a Nuno Rebelo, um nome essencial da música portuguesa e um dos criadores mais inventivos das últimas décadas.
O mês termina com a colaboração entre a compositora iraniana Rojin Sharafi e a artista sonora Ece Canlı, atualmente radicada em Portugal. Atuam a 31 de janeiro, explorando um diálogo entre eletrónica, experimentação vocal e atmosferas densas.
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Em fevereiro, chegam alguns dos nomes mais aguardados da temporada. Kelly Moran, compositora norte-americana aclamada pela crítica, apresenta-se a 8 de fevereiro com o seu novo disco “Don’t Trust Mirrors” (2025). Conhecida pelo trabalho com FKA Twigs, Helado Negro ou Yves Tumor, Moran tem sido destacada como uma das vozes mais singulares da música para piano preparado e eletrónica.
A 28 de fevereiro, o gnration volta a reforçar o apoio à criação local com a estreia do projeto conjunto entre o guitarrista Tiago Sampaio e o saxofonista João Mortágua, que apresentam ao vivo o seu disco “Pomes”, apoiado pelo programa Trabalho da Casa.
Março traz dois momentos fundamentais da música experimental. A 15 de março, os australianos Oren Ambarchi & Will Guthrie retomam uma parceria icónica para um concerto que promete ser um dos pontos altos da estação. Já a 29 de março, é a vez do supergrupo Water Damage — composto por músicos de projetos como Swans, Black Eyes e Thor & Friends — ocupar o palco com o seu drone rock hipnótico e físico.
Abril começa com uma verdadeira celebração. A 2 de abril, os britânicos caroline desembarcam em Braga para apresentar “caroline 2”, álbum amplamente aclamado e já incluído entre os melhores de 2025 pela Rough Trade. Um concerto muito esperado e certamente um dos que marcará o ano musical bracarense.
A 11 de abril, o lendário guitarrista Bill Orcutt — figura central do experimentalismo norte-americano — apresenta o seu trabalho mais recente, num concerto que honra mais de 40 anos de carreira, da fundação dos Harry Pussy às suas reinvenções a solo.
Finalmente, a 24 de abril, o saxofonista norte-americano Cole Pulice sobe ao palco com “Land’s End Eternal” (2025), um álbum que sucede ao aclamado “If I Don’t See You in the Future, I’ll See You in the Pasture” (2023), distinguido pela Pitchfork com “Best New Music”.
Mas nem só de música vive o gnration, que aposta todos os anos numa forte componente expositiva. Entre 17 de janeiro e 18 de abril, as galerias do espaço recebem a exposição “Zapping: A Televisão como Cultura e Contracultura”, uma reflexão crítica sobre a influência da televisão nas práticas artísticas, estruturada em cinco núcleos e concebida em parceria com vários centros culturais nacionais.
A arquitetura também ganha destaque a 21 de fevereiro com a palestra performativa “Instruções para Desenhar Diálogos”, do coletivo Space Transcribers, que celebra dez anos de atividade revisitando alguns dos seus projetos mais emblemáticos.
Ainda em março, a 28, a bailarina e coreógrafa Lea Siebrecht apresenta a performance “A Linguagem das Flores”, no âmbito do ciclo Contrapeso da Arte Total.
Relativamente à programação online, estreia a 15 de abril o ciclo de conversas “Divine Time”, com curadoria de Zaiba Jabbar (HERVISIONS), dedicado à relação entre espiritualidade, tecnologia e os universos do cinema e dos videojogos. O primeiro convidado é o artista iraniano Ali Eslami.
O ciclo Órbita regressa com três performances em vídeo: Gonçalo Cravinho Lopes (21 de janeiro), o duo João Pais Filipe & Luís Pestana (25 de fevereiro) e Vera Morais com o ensemble EUPNEA (22 de abril).
Os bilhetes para os concertos estão disponíveis online, desde 9€, bem como na bilheteira do gnration. Toda as exposições e programação online têm acesso gratuito.

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