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Braga vai refletir sobre o passado colonial com arte, debate e pensamento crítico

O gnration acolhe este mês, o ciclo “O que fazemos com isto?”, um programa gratuito que questiona as heranças coloniais.

Antes de ser um espaço de referência na cultura contemporânea, o gnration foi um dos edifícios mais simbólicos da modernização urbana de Braga. Criado em 2013, nas antigas instalações da GNR, este centro cultural surgiu no âmbito da Capital Europeia da Juventude e rapidamente se tornou um polo de experimentação artística e pensamento crítico. Desde então, o gnration conseguiu afirmar-se como um dos projetos mais consistentes do País no cruzamento entre arte, tecnologia e sociedade — um lugar que convida à reflexão através de concertos, performances, residências e conversas que questionam o mundo.

É neste contexto que chega agora o ciclo “O que fazemos com isto? – Pensar questões coloniais”, que decorre nos dias 20 e 21 de novembro, e propõe uma reflexão sobre as heranças coloniais e os seus impactos no presente. A programação inclui visitas guiadas, rodas de conhecimento, um lançamento editorial, apresentações artísticas e uma instalação, num convite à escuta e à ação. O evento integra o programa oficial da Braga 25 – Capital Portuguesa da Cultura e tem entrada livre.

O projeto começou em 2024 sob direção artística de Hugo Cruz, reunindo jovens com ligação a Braga e a países de língua oficial portuguesa. Ao longo de encontros com artistas, investigadores e ativistas, o grupo criou uma série de objetos artísticos coletivos — entre eles um livro de contos, uma vídeo-instalação e uma performance — e, mais importante, um espaço contínuo de pensamento crítico e criação colaborativa.

O ciclo de novembro é a continuação natural desse processo. A 20 de novembro, pelas 16 horas, o ponto de partida é a visita guiada “Desbravar impérios: passeio pelas malhas coloniais em Braga”, conduzida por Chisoka Simões. Este percurso leva o público a descobrir como o passado colonial permanece inscrito na cidade — nos monumentos, nos nomes das ruas e nos símbolos que se tornaram invisíveis pela repetição. A participação é gratuita, mas sujeita à inscrição e está limitada a 15 pessoas.

No dia seguinte, 21 de novembro, o gnration recebe uma programação intensiva de pensamento e partilha. A manhã começa com a sessão de abertura, seguida pela roda de conhecimentos “Outras histórias, outros futuros. Memórias coloniais e desafios decoloniais”, com curadoria do projeto CONCILIARE (CECS-UMinho). A conversa procura repensar criticamente como os legados coloniais ainda moldam as desigualdades do quotidiano e como podem ser criadas outras narrativas de descolonização.

Durante a tarde, a roda de conhecimentos “O que estamos a fazer com isto? e o que, ainda, falta fazer” reúne o grupo de jovens cocriadores do projeto e a curadora Melissa Rodrigues, num momento de balanço e partilha de aprendizagens. Segue-se a intervenção “Começo, meio e começo”, de Gessica Correia Borges, um gesto performativo que propõe refletir sobre o tempo e o ciclo da transformação.

O final de tarde é dedicado ao lançamento do livro “Tudo isto é futuro”, uma antologia coordenada pelo escritor Ondjaki e escrita por jovens autores de Angola, Brasil, Cabo Verde, Moçambique, Portugal e São Tomé e Príncipe, com ilustrações de Joana Taya, Tiago Mena Abrantes e Diogo Gazella. A obra cruza vozes e geografias numa coleção de contos sobre memória, pertença e futuro.

Logo depois, às 19h30, é inaugurada a vídeo-instalação “Neo-Drapetomania”, de Diogo Gazella Carvalho, que explora as formas contemporâneas de opressão e resistência a partir do espaço urbano de Braga. A noite encerra com a performance “Peça-Con(ser)to”, dirigida por Joãozinho da Costa, Susana Madeira e o coletivo musical Landa. Criada e interpretada pelo grupo de jovens participantes do projeto, esta performance combina música, teatro e dança, transformando em palco o diálogo entre passado e presente, dor e esperança.

Com esta programação, o gnration reafirma o seu papel como espaço de pensamento crítico e criação colaborativa, onde a arte serve de ferramenta para compreender — e transformar — o mundo. Porque pensar o passado é, afinal, uma forma de imaginar futuros possíveis.

FICHA TÉCNICA

  • MORADA
    Praça Conde de Agrolongo
    4700-312 Braga
  • HORÁRIO
  • Segunda-feira a sábado das 9h30 às 18h30
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