A ideia nasceu da vontade de tratar o som e a imagem como matérias vivas, instáveis e em permanente transformação. É a partir dessa premissa que surge o novo espetáculo audiovisual de Hara Alonso e Pedro Maia, uma criação pensada para acontecer ao vivo, sem rede, onde cada apresentação é única. A estreia absoluta acontece esta sexta-feira, 9 de janeiro, em Braga, marcando também o arranque da programação de 2026 do gnration.
O concerto propõe uma verdadeira jornada sensorial, construída a partir da manipulação simultânea de som e imagem em tempo real. Em palco, piano, eletrónica e película analógica dialogam num equilíbrio delicado entre controlo e acaso, cruzando territórios que vão do neoclássico à música experimental, da ambient ao cinema expandido. O resultado é uma experiência imersiva que convida o público a escutar e a ver de outra forma.
Natural de Vila do Conde e atualmente radicado em Berlim, Pedro Maia é um dos nomes de referência internacionais na manipulação de imagem ao vivo. Trabalha sobretudo com película de 16mm e 8mm, explorando as fronteiras entre o analógico, o digital e a performance. Ao longo da última década, colaborou com artistas como Patti Smith, Danny Elfman, Lucrecia Dalt ou The Legendary Tigerman e apresentou o seu trabalho em alguns dos mais importantes festivais e instituições internacionais, do Berlin Atonal ao Centre Pompidou.
Do lado do som está Hara Alonso, pianista e compositora espanhola com um percurso profundamente ligado à experimentação. O seu trabalho parte do piano, mas expande-se através de técnicas estendidas, processamento digital e uma abordagem física ao instrumento. Editou vários discos aclamados, tanto a solo como em colaboração, e tem vindo a afirmar-se como uma das vozes mais interessantes da nova música experimental europeia. Atualmente vive em Estocolmo, onde também desenvolve investigação artística.
No espetáculo que agora apresentam em conjunto, nenhuma das linguagens serve de mero acompanhamento à outra. Som e imagem influenciam-se mutuamente, criando uma narrativa abstrata, em constante mutação, que se constrói diante do público. É essa tensão — entre o que é planeado e o que acontece no momento — que define o coração desta criação.
O concerto realiza-se no dia 9 de janeiro, sexta-feira, às 21h30, no gnration, em Braga. Os bilhetes estão à venda online e na bilheteira local, por 9€.

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