Antes da explosão do punk britânico com as suas guitarras distorcidas, os Dr. Feelgood já marcavam presença no circuito musical do Reino Unido, — afinal, a energia crua do rock’n’roll podia combinar com o blues e com uma postura irreverente. Fundados no início dos anos 70 em Canvey Island, Essex, o projeto nasceu de amigos decididos a trazer de volta ao rhythm & blues a sonoridade direta e sem filtros que caracterizava o género nos seus primórdios.
Liderados originalmente pelo carismático Lee Brilleaux e pelo guitarrista Wilko Johnson, os Dr. Feelgood tornaram-se rapidamente um fenómeno do chamado pub rock britânico — um movimento que antecedeu e inspirou o punk rock. Com temas explosivos como Roxette, She Does It Right ou Back in the Night, construíram uma reputação lendária pelos concertos intensos, cheios de energia elétrica e improviso.
Mesmo depois da perda dos seus fundadores, o grupo manteve viva a chama que os tornou ícones. Hoje, continuam a correr a Europa com a mesma força e autenticidade de sempre, provando que o verdadeiro blues britânico não envelhece — apenas ganha mais garra com o tempo.
A 8 de novembro, às 21h30, o Fórum Braga vai vibrar com esse espírito indomável. Os Dr. Feelgood são um dos grandes destaques do Festival Nova Arcada Braga Blues 2024, prometendo um concerto cheio de guitarras cortantes, grooves explosivos e o espírito rebelde que sempre os definiu. Os bilhetes já estão disponíveis online, com preços entre 22€ e 30€.
Este espetáculo é apenas uma das muitas notas que compõem a oitava edição do Festival Internacional Nova Arcada Braga Blues, que decorre de 1 a 8 de novembro e faz da cidade um verdadeiro santuário para os amantes do género.
O festival nasceu em 2017, fruto da carolice de dois músicos — Budda Guedes, guitarrista e produtor bracarense, e Micha Rudowski, agente cultural — que acreditaram que o blues merecia outro palco. Queriam mostrar que este estilo não é do passado, mas sim uma linguagem viva, feita de partilha, improviso e emoção.
Desde então, o Braga Blues cresceu e espalhou-se pela cidade: das escolas aos cafés, dos auditórios aos palcos principais, tornou-se um dos eventos de blues mais relevantes de Portugal. Por lá já passaram Pedro Abrunhosa, José Cid, Paulo Gonzo e até Tim, dos Xutos & Pontapés — todos a celebrar a raíz de muitos géneros modernos: o blues.
Este ano, o festival decorre de 1 a 8 de novembro e mantém a sua essência: concertos, palestras e momentos de partilha que aproximam artistas e público. As atividades que decorrem no Nova Arcada, nas escolas e nos cafés parceiros são de entrada livre, enquanto os concertos principais, como o dos Dr. Feelgood, têm bilhetes pagos.
Com o passar dos anos, o festival consolidou-se como um ponto de encontro entre gerações e estilos. E, em 2025, promete mais uma vez provar que o blues não é apenas um som — é uma emoção que atravessa fronteiras e tempos.

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