11 anos depois da última passagem por Braga, os norte-americanos Matmos regressam ao gnration a 3 de junho e são o principal destaque da nova temporada cultural do espaço. A programação, apresentada a 24 de março, estende-se até agosto e combina música, arte digital, performance e cinema.
Criado no contexto da Braga 2012, Capital Europeia da Juventude, o gnration nasceu com o objetivo de cruzar arte e tecnologia. Mais de uma década depois, mantém essa identidade, com uma programação que mistura nomes internacionais e projetos emergentes.
“O gnration tem uma programação muito dedicada à arte e à música contemporânea, com linguagens mais desafiantes e espaço tanto para artistas consolidados como para novas criações”, explica Ilídio Marques, da direção artística.
O arranque acontece a 2 de maio com o habitual open day de aniversário, que assinala os 13 anos do espaço. Ao longo do dia, o público pode circular entre concertos, instalações e atividades. O guitarrista britânico James Blackshaw abre a programação com o seu estilo minimalista de guitarra de 12 cordas. À noite, o ambiente muda com Bonga, uma das maiores figuras da música angolana, que sobe ao palco com semba e sonoridades africanas.
Seguem-se Femme Falafel, com um novo trabalho que cruza eletrónica e pop experimental, e Uncle Gueispar and the Oompa Loompas, uma banda emergente apoiada pelo próprio gnration. O encerramento fica a cargo da rapper nigeriana Aunty Rayzor, conhecida pela energia intensa em palco, com DJ sets de Saya e Rádio Cacheu a prolongar a noite.
Ainda em maio, no dia 22, há um encontro entre duas gerações e geografias distintas. A pianista francesa Eve Risser, ligada à improvisação contemporânea europeia, junta-se à vocalista maliana Naïny Diabaté, uma referência da tradição griot. O concerto marca a apresentação do primeiro disco do duo, numa fusão entre jazz, tradição oral e experimentação sonora.
A 30 de maio, o palco recebe um espetáculo diferente: a coreógrafa Vânia Doutel Vaz e o percussionista Gabriel Ferrandini cruzam dança e música ao vivo. O encontro acontece no âmbito do ciclo Zona Franca e foi pensado como uma criação conjunta, onde o corpo e o som se constroem em tempo real.
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O mês de junho começa com um dos momentos mais esperados. A 3 de junho, os Matmos regressam ao gnration com “Metallic Life Review”, um disco construído exclusivamente a partir de sons de objetos metálicos. O duo norte-americano é conhecido por transformar materiais improváveis em música e este concerto segue essa linha experimental.
Três dias depois, a 6 de junho, o britânico Will Samson apresenta “Sings Again”, um álbum criado a partir de gravações feitas numa residência no Alentejo. O espetáculo combina música eletrónica com gravações de campo e inclui uma componente visual desenvolvida por estudantes do Mestrado em Media Arts da Universidade do Minho, reforçando a ligação do espaço à academia.
A 9 de junho, o palco é entregue precisamente a esses estudantes, com um concerto dedicado à música contemporânea. Já a 27 de junho, o foco volta à criação local com o ciclo Radiografia. Desta vez, o compositor bracarense Carlos Brito Dias apresenta “hope (ii)”, uma nova peça que explora linguagens contemporâneas e reforça o apoio do gnration a novos criadores.
Em paralelo, o espaço recebe parte da programação da bienal INDEX, Bienal de Arte e Tecnologia. Entre 7 de maio e 1 de agosto, as galerias acolhem duas obras da artista alemã Cemile Sahin, Road Runner e BB, “Born to Bloom”, que cruzam narrativa visual, política e tecnologia.
Ainda no âmbito da bienal, a 15 de maio estreia uma nova performance do coletivo português ZABRA, que parte de figuras como Jeff Bezos ou Elon Musk para refletir sobre poder e tecnologia. No mesmo dia, há também o concerto de Nídia e Valentina Magaletti com o projeto Estradas, seguido de DJ set de Supa.
O programa inclui ainda vários momentos de pensamento crítico, com painéis entre 7 e 17 de maio que juntam nomes internacionais ligados à arte, tecnologia e cultura digital. Todas estas sessões têm entrada gratuita.
Em julho, o destaque vai para o regresso do ciclo “Julho é de Jazz”, que volta a dividir-se entre o gnration e o Theatro Circo, com programação ainda por revelar. Entre 17 e 25 de julho, os estudantes de Media Arts apresentam também a exposição eMMA, com projetos desenvolvidos ao longo do ano.
A temporada termina em agosto com o Cinema no Pátio, uma das iniciativas mais populares do espaço. Todas as quintas-feiras há sessões ao ar livre com entrada gratuita e poderá assistir a produções como “A Quimera” (6 de agosto), “O Estudante de Praga” (13), “O Bobo” (20) e “Persona” (27), numa seleção que cruza cinema clássico e contemporâneo.
Os bilhetes para a agenda já estão à venda online e na bilheteira local do gnration, com preços desde 7€. Portadores do cartão Quadrilátero têm 50 por cento de desconto. As exposições e atividades digitais mantêm entrada gratuita.

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