Há edifícios que contam histórias — e o Museu da Imagem, no centro histórico de Braga, é um deles. Instalado entre uma casa bracarense do século XIX e a imponente Torre de Menagem da antiga muralha medieval, o espaço nasceu com o propósito de preservar e divulgar a arte fotográfica, um dos grandes patrimónios visuais do século XX. Desde a sua fundação, em 1999, tornou-se uma referência nacional, acolhendo exposições de artistas portugueses e estrangeiros, oficinas e iniciativas educativas que exploram o poder da imagem.
Porém, em 2019, uma década após a abertura, encerrou devido a problemas de infiltrações, degradação das coberturas e falta de isolamento térmico. Seguiram-se seis anos sem receber visitantes, o período que durou a reabilitação que devolveu dignidade e funcionalidade ao edificado histórico.
Finalmente, a espera terminou. O Museu da Imagem reabriu a 31 de outubro, após uma intervenção profunda levada a cabo pelo Município. A empreitada, que representou um investimento superior a 500 mil euros, modernizou todo o edifício, reforçando as condições de acolhimento ao público, o conforto térmico e a conservação do património.
O projeto incluiu o restauro das caixilharias originais em madeira e ferro, o tratamento especializado dos elementos em granito — eliminando infiltrações e humidades — e a renovação integral das coberturas e sistemas técnicos. Foram ainda melhoradas as acessibilidades, os espaços técnicos e os arquivos, garantindo que o acervo fotográfico da cidade possa ser preservado com as melhores condições.
“Esta intervenção devolveu ao Museu da Imagem a dignidade que lhe é devida, permitindo acolher o público com mais conforto e reforçando a sua missão de divulgar a arte fotográfica”, sublinhou o presidente da Câmara Municipal, Ricardo Rio. “Ao cuidarmos do nosso património, projetamos Braga para o futuro”, acrescentou o autarca,— uma mensagem simbólica, no momento em que se prepara para concluir o seu último mandato à frente do executivo municipal.
As obras respeitaram a identidade arquitetónica original do edifício, mantendo a imagem preexistente e recorrendo a materiais compatíveis com o conjunto histórico. Entre as intervenções técnicas realizadas, estão a substituição da cobertura plana da Torre de Menagem, a impermeabilização total e o reforço das redes de águas, eletricidade, telecomunicações e ventilação, que garantem agora o pleno funcionamento do espaço.
Agora, o Museu da Imagem inicia uma nova fase expositória. A programação regular irá incluir exposições temporárias, visitas guiadas e iniciativas pensadas para aproximar a comunidade da fotografia contemporânea, bem como para atrair visitantes nacionais e internacionais.
Mais do que um espaço de exposição, o museu volta a ser um ponto de encontro entre o passado e o futuro da cidade. Aqui, as pedras da muralha medieval convivem com o brilho das novas tecnologias, e as imagens, que antes cobriam as paredes surgem agora em molduras renovadas — prontas para contar outras histórias.







