Entre negativos e retratos a preto e branco, há fragmentos de uma cidade que sempre viveu da arte e do movimento. A nova exposição do Museu dos Biscainhos, intitulada “As Artes nos Fundos Photographia Alliança e Casa Pelicano”, é um tributo à memória artística de Braga — e uma viagem pelo tempo através da fotografia.
A mostra, inaugurada a 30 de outubro, integra o projeto MEMORAR – Mediação Cultural do Arquivo Municipal de Braga, uma iniciativa que procura ligar o património arquivístico à comunidade, valorizando o olhar sobre o passado e as suas expressões culturais.
A nova exposição reúne um conjunto raro de imagens provenientes de dois acervos históricos: os fundos Photographia Alliança e Casa Pelicano, que documentam a vida artística e social da cidade ao longo do século XX.
São fotografias que captam momentos de teatro, música, pintura e escultura, revelando o dinamismo da cena cultural bracarense — dos bastidores às ruas, das salas de espetáculo às oficinas de criação. Cada imagem é um testemunho silencioso das pessoas que deram forma ao panorama artístico da cidade e uma forma de preservar o seu património cultural imaterial.
“Esta mostra evoca o percurso histórico de Braga, com um enfoque especial na componente artística”, destacou Ricardo Rio, presidente da Câmara Municipal, durante a inauguração. “Um dos nossos principais objetivos, quando promovemos este tipo de iniciativas, é dar a conhecer não apenas o nosso passado, mas também diferentes perspetivas sobre as pessoas, as rotinas e as diversas formas de vida em comunidade que estavam guardadas e que agora se tornam visíveis.”
A nova exposição é, assim, uma janela aberta para o passado, permitindo aos visitantes reconhecer rostos e lugares familiares e compreender o papel que a arte desempenhou (e continua a desempenhar) na identidade coletiva da cidade.
A escolha do Museu dos Biscainhos para acolher esta mostra não é aleatória. Instalado num palácio barroco do século XVIII, no coração de Braga, o museu é um dos espaços culturais mais emblemáticos da cidade. Originalmente residência senhorial, o edifício preserva a traça e o esplendor da época, com salas ricamente decoradas, tetos pintados e um jardim histórico que transporta os visitantes para outros tempos.
Hoje, o espaço dedica-se à história e à vida quotidiana da nobreza e da burguesia bracarense, reunindo coleções de arte decorativa, mobiliário, cerâmica, têxteis e instrumentos musicais. É também um palco privilegiado para exposições temporárias, como esta, que cruzam património, memória e criação artística contemporânea.
A diretora do museu, Fátima Pereira, revelou que o espaço se prepara para uma nova fase de renovação: “Vamos realizar uma importante intervenção de conservação e valorização do teto do Salão Nobre, um dos principais atrativos do museu, e implementar melhorias na segurança e na iluminação. O objetivo é permitir a utilização do jardim também em horário noturno e realizar mais atividades nesse contexto.” As obras, que representam um investimento de 500 mil euros, financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência, deverão começar nos próximos meses.
A exposição “As Artes nos Fundos Photographia Alliança e Casa Pelicano” é mais do que um conjunto de imagens: é um retrato vivo da cidade e dos seus artistas, um testemunho da forma como a arte se entrelaça com a história e o quotidiano de Braga, — e pode ser visitada até 30 de novembro, com entrada gratuita.

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