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Novo documentário explica o roubo das jóias da coroa francesa do Louvre

A produção da série “Heist“ (golpe, em português) apresenta uma reconstituição minuciosa do assalto que abalou a França.

Em escassos minutos, um grupo de quatro suspeitos levou a cabo um dos assaltos mais mediáticos dos últimos tempos: o roubo de jóias da coroa francesa expostas na Galeria de Apolo, no Museu do Louvre. O crime ocorrido a 19 de outubro de 2025 é o foco de “Louvre Heist: Minute by Minute”, um documentário especial que se estreia este domingo, 1 de fevereiro, às 22 horas, no canal ID – Investigação Discovery (disponível nas operadoras NOS e MEO na posição 115; Vodafone, na 130 e DIGI na 64). 

Além da reconstituição minuciosa do crime, o programa recorre a testemunhos de presentes no local, entrevistas com antigos assaltantes, análises forenses e comentários de especialistas em segurança para reconstituir o golpe minuto a minuto. O assalto abalou França e o resto do mundo pela sua audácia e aparente simplicidade, mas também pelos paralelismos caricatos com um incidente semelhante — e igualmente mediático, — ocorrido no mesmo museu. 

Separados por mais de um século, os dois assaltos partilham uma característica desconcertante: a facilidade com que os tesouros nacionais foram subtraídos do antigo palácio. Em 1911, Vincenzo Peruggia, um artesão italiano de 30 anos, saiu tranquilamente com a “Mona Lisa” escondida debaixo do casaco, depois de passar a noite dentro do edifício e aproveitar o fecho ao público na segunda-feira para retirar o quadro com calma. Já o bando utilizou uma plataforma elevatória para aceder à Galeria de Apolo, em plena luz do dia, num domingo, com o espaço repleto de turistas. Em ambos os casos, a audácia dos ladrões explorou vulnerabilidades gritantes na vigilância.

Peruggia, que trabalhara no Louvre e ajudara a instalar o vidro de proteção da Mona Lisa, aproveitou o seu conhecimento como funcionário para levar a cabo o crime. Mais de um século depois, os assaltantes de 2025 exploraram vulnerabilidades diferentes, mas igualmente graves: a ausência de câmaras em várias salas, um alarme local avariado e o acesso externo por uma varanda sobre o Sena, combinados com um plano que lhes permitiu chegar rapidamente às vitrinas com as oito peças históricas adornadas com milhares de diamantes e outras pedras preciosas, algumas ligadas a figuras como a imperatriz Eugénie, Marie Louise, Marie-Amélie e Hortense.  

A Galeria de Apolo, descrita como “a mais bela caixa de jóias do mundo”.

As semelhanças não se esgotam na forma como os ladrões tiraram partido das falhas de segurança; estendem-se ao impacto público e mediático. Em 1911, o desaparecimento da “Mona Lisa” transformou um quadro então já considerado uma das mais importantes pinturas da Renascença, mas longe de ser a grande estrela do Louvre, num fenómeno global. 

O espaço vazio na parede do museu atraiu multidões de curiosos, incluindo Franz Kafka, e a obra-prima de Leonardo Da Vinci tornou-se a pintura mais famosa do mundo “da noite para o dia”, após o seu desaparecimento. O retrato de Lisa Gherardini, imortalizada como “A Gioconda”, passou a figurar nas primeiras páginas dos jornais de todo o mundo, inspirou números de vaudeville, canções de cabaré, ilustrações em revistas e até uma curta-metragem. Ao mesmo tempo, a polícia francesa tornou-se alvo de sátira pelo fiasco da investigação; Peruggia chegou a ser interrogado na pensão onde vivia e guardava o quadro, no fundo falso de uma arca, sem levantar suspeitas, apesar do seu registo criminal. 

Em 2025, o assalto às joias da coroa francesa, avaliadas em 88 milhões de euros, desencadeou uma onda de indignação semelhante: o Louvre fechou temporariamente, foram mobilizados cerca de 60 inspetores, a perda do património nacional tornou-se motivo de debate político, e o Presidente Emmanuel Macron classificou o crime como “um ataque à história de França”.  

Por fim, paira sobre ambos os episódios a sombra da perda irreversível. Se Peruggia falhou na tentativa de vender a obra devido à sua fama instantânea, os especialistas temem que as jóias das imperatrizes Eugénie ou Marie Louise sejam desmontadas e as pedras preciosas vendidas como gemas anónimas e sem história. 

Com a pintura escondida numa arca há quase três anos, Peruggia regressou a Florença, a sua cidade natal. Ao tentar vender a pintura acabou por ser apanhado, porém, no tribunal, alegou que pretendia devolver a obra a Itália. A justificação patriótica valeu-lhe uma pena de oito meses de prisão.

Já o desfecho do golpe de 2025 continua em aberto. Embora as autoridades francesas tenham identificado cinco suspeitos principais e indiciado pelo menos mais duas pessoas por cumplicidade e associação criminosa, a corrida contra o tempo continua. Todos os minutos contam para evitar que o património histórico francês se desvaneça definitivamente no mercado negro. 

O documentário “Louvre Heist: Minute by Minute” também foi adicionado recentemente ao catálogo da HBO Max. 

Carregue na galeria para conhecer as melhores séries e temporadas que estreiam em fevereiro nas plataformas de streaming e canais de televisão.

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