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O maior festival de circo contemporâneo do País volta a agitar Braga

O Vaudeville Rendez-Vous regressa de 15 a 18 de julho. Braga recebe oito espetáculos gratuitos e uma das grandes estreias nacionais.

Uma escada que desafia a gravidade, um enxame de fios que desaparece nas mãos do público, oito acrobatas suspensos entre perspetivas impossíveis e até espetáculos cujo local só será conhecido poucas horas antes do início. Em julho, Braga volta a transformar-se num palco a céu aberto para receber mais uma edição do Vaudeville Rendez-Vous, o maior festival de circo contemporâneo do País.

O evento regressa entre 15 e 18 de julho para a sua 12.ª edição e apresenta-se este ano maior do que nunca. Pela primeira vez, o festival expande-se a Viana do Castelo, que se junta a Braga, Barcelos, Guimarães e Vila Nova de Famalicão. “Pode dizer-se que esta é a primeira materialização do Pentágono Urbano num verdadeiro Pentágono Cultural”, destaca Bruno Martins, diretor artístico do festival. Ao longo de quatro dias, os cinco municípios recebem 18 espetáculos, cerca de 40 sessões e oito estreias nacionais. Tudo com entrada gratuita.

Promovido pelo Teatro da Didascália, o Vaudeville Rendez-Vous é hoje uma das principais referências europeias no circo contemporâneo e integra redes internacionais como a CircusNext e a Circostrada. 12 anos depois da primeira edição, continua a ocupar ruas, praças, jardins e espaços inesperados para mostrar que o circo contemporâneo pode ser muito mais do que aquilo que normalmente imaginamos quando pensamos numa tenda e num trapézio. Em Braga, durante quatro dias, a cidade volta a ser o palco dessa transformação.

O tema desta edição é “Mudança e Transformação”, uma reflexão que atravessa toda a programação. Segundo os diretores artísticos Bruno Martins e Cláudia Berkeley, os espetáculos procuram responder aos tempos de instabilidade que marcam a atualidade, desde as alterações climáticas às crises humanitárias e sociais. “O circo chega a uma nova cidade e, com ele, a possibilidade de encontro, mudança e transformação”, referem os diretores artísticos, acrescentando: “Muitas das obras que acompanhamos refletem, de diferentes formas, esta condição de instabilidade, deslocação e reinvenção”.

Em Braga, o programa arranca a 16 de julho com “Clamor”, de Margarida Montenÿ, um projeto performativo que combina acrobacia aérea, movimento, percussão experimental e uma estrutura construída em torno de um sino. O espetáculo acontece às 19 horas na Escola Secundária D. Maria II e propõe uma experiência sensorial que desafia a ideia tradicional de entretenimento.

À mesma hora, mas com partida no Largo de São João do Souto, o público poderá participar em “How Much We Carry?”, da companhia franco-brasileira Cirque Immersif. Trata-se de um espetáculo-percurso que acompanha dois artistas em permanente desequilíbrio sobre uma percha acrobática, convidando os espectadores a refletir sobre aquilo que carregamos connosco ao longo da vida.

Um dos momentos mais aguardados do festival em Braga acontece às 22 horas, no Parque da Ponte, junto à capela. É aí que se estreia em Portugal “Anitya — L’Impermanence”, da artista francesa Inbal Ben Haim. A cenografia é composta por centenas de fios entrelaçados que se transformam continuamente perante os olhos do público. À medida que a estrutura desaparece, os espectadores são convidados a participar na reconstrução do espaço. O espetáculo aborda conceitos como impermanência, perda e renovação.

No dia seguinte, 17 de julho, a Praça Municipal recebe uma das produções mais impressionantes desta edição. “TENET”, do coletivo catalão Eunoia Kolektiva, junta oito acrobatas e um músico numa criação que desafia constantemente a perceção do público. A proposta convida a olhar para a realidade através de novas perspetivas, combinando acrobacia de alto nível com uma forte componente visual.

Ainda nesse dia, às 15 horas, a mesma praça recebe um workshop gratuito inspirado no universo de “TENET”. A atividade é dirigida a estudantes e profissionais das artes performativas e propõe uma introdução à técnica de mão a mão utilizada pela companhia.

Entre as principais novidades deste ano encontra-se o “Circo Escondido”, uma nova linha de programação dedicada a artistas emergentes e recém-formados. A iniciativa desafia a relação entre o circo e o espaço urbano através de apresentações em locais inesperados das cinco cidades do festival. Os participantes inscrevem-se previamente online e só recebem o local do espetáculo no próprio dia, através de SMS ou email. Em Braga haverá duas sessões de Circo Escondido, ambas a 16 de julho, às 17 horas.

O encerramento da programação bracarense acontece a 18 de julho. O Mercado Municipal recebe às 11 horas “Turno da Noite”, do artista brasileiro Uatumã Fattori, um espetáculo de malabarismo contemporâneo que transforma objetos banais numa máquina em permanente funcionamento. A criação foi selecionada pelo Programa de Apoio à Criação 2026 dos festivais Vaudeville Rendez-Vous e Trengo.

Nesse mesmo dia, às 19 horas, o Jardim do Museu D. Diogo de Sousa recebe “ConCorda”, da Companhia Concorda. A corda surge como metáfora de ligação, afeto e equilíbrio, num espetáculo que explora as forças invisíveis que unem as pessoas.

A despedida faz-se às 22 horas, novamente na Praça Municipal, com “O Início do Fim”, uma coprodução do Vaudeville Rendez-Vous criada por Leonardo Ferreira. Entre clown, sapateado, acrobacia e rituais, o artista aborda temas como censura, liberdade e resistência através de uma narrativa que mistura humor e inquietação.

Além dos espetáculos, o festival mantém a aposta na acessibilidade. Todos os eventos contam com lugares reservados para pessoas com mobilidade condicionada e alguns incluem interpretação em Língua Gestual Portuguesa. Está ainda disponível um Kit de Acessibilidade Sensorial e de Comunicação, com tampões para os ouvidos, máscaras, cartões de comunicação alternativa e outros materiais de apoio. Pode consultar a programação na íntegra online

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