Há obras que mudaram para sempre a forma como ouvimos música. “A Sagração da Primavera”, de Igor Stravinsky, é uma delas. Estreada em 1913, em Paris, causou escândalo, divisão e polémica, mas também abriu caminho a uma nova relação entre ritmo, corpo e som, tornando-se um marco incontornável da música do século XX. É precisamente em torno desta peça que se constrói o primeiro momento do ano do ciclo Contraponto, que sobe ao palco do Theatro Circo este sábado, 10 de janeiro, às 21h30.
O concerto, interpretado pela Orquestra do Norte, sob direção artística do maestro Fernando Marinho, propõe um percurso que liga a vanguarda musical do século XX à criação contemporânea portuguesa. A noite começa com “Octandre”, de Edgard Varèse, uma obra emblemática da modernidade musical, construída a partir de gestos incisivos, contrastes abruptos e uma arquitetura sonora quase escultórica. Escrita para um conjunto de sopros, “Octandre” revela já claras influências de Stravinsky, sobretudo na forma como explora ritmo, tensão e energia sonora.
Segue-se “Before Spring”, do compositor português Luís Tinoco, uma criação que dialoga diretamente com o universo de Stravinsky. Pensada como uma espécie de antecâmara imaginária para “A Sagração da Primavera”, a obra constrói um ambiente de expectativa e suspensão, onde as texturas se adensam progressivamente, preparando o terreno emocional e sonoro para o momento final do programa.
O concerto culmina, então, com “A Sagração da Primavera”, apresentada numa orquestração de J. McPhee que preserva a força rítmica, a vitalidade e a modernidade harmónica da versão original. Mais de um século depois da estreia, a obra continua a impressionar pela sua energia crua, pela forma como convoca imagens de rituais ancestrais e pela liberdade com que rompeu convenções, influenciando gerações de compositores e criadores.
Este espetáculo marca também o arranque de mais um ano do ciclo Contraponto, uma programação dedicada à música dos séculos XX e XXI, que convida ensembles e compositores nacionais e internacionais a explorar alguns dos períodos mais férteis em novas ideias e linguagens musicais. Ao longo do ano, o ciclo afirma-se como um espaço de escuta, descoberta e confronto entre épocas, estilos e estéticas.
Os bilhetes têm o custo de 12€ (6€ com o Cartão Pentágono) e estão disponíveis na bilheteira local do Theatro Circo e online.

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