“This Is a Gardening Show” é uma das apostas mais inesperadas da Netflix este mês. Em vez de séries de true crime, comédias românticas ou dramas familiares, a plataforma apostou numa produção sobre jardinagem. Descrita como uma comédia documental, foi escrita, produzida e protagonizada por Zach Galifianakis, que chega como ele próprio e com todos os ingredientes que os fãs mais gostam.
Esta incursão pelo mundo da jardinagem, tem seis episódios, cada um com cerca de 15 minutos, todos já disponíveis. A ideia é simples: mostrar de onde vem aquilo que comemos, mas sem transformar o tema numa aula formal.
“Zach Galifianakis mergulha no mundo da jardinagem, entrevistando miúdos curiosos e especialistas excêntricos numa celebração divertida e estranha da comida que comemos”, refere a sinopse. A novidade chegou à plataforma de streaming a 22 de abril.
Ao longo da série, o ator e humorista explora temas como maçãs, tomates, raízes, milho, cogumelos, compostagem e agricultura sustentável. Galifianakis, que já pratica jardinagem há vários anos, assume o papel de curioso mais do que de especialista. Faz perguntas básicas, conversa com agricultores, aprende técnicas simples e tenta mostrar que cultivar alimentos pode ser mais acessível (e mais divertido) do que parece.
O formato mistura entrevistas, pequenas animações, imagens em lapso-temporário e conversas com miúdos, onde o humor absurdo do criador de “Between Two Ferns” aparece com a mesma força, mas num formato diferente. O resultado é uma série curta, leve e com uma mensagem ecológica clara, mas sem tom moralista.
As críticas são bastante positivas
No Rotten Tomatoes, “This Is a Gardening Show” soma atualmente 100 por cento de aprovação entre os críticos, embora ainda com poucas avaliações. O público, para já, ainda não tem pontuação suficiente na plataforma.
O “The Guardian” descreve a série como uma surpresa encantadora e considera que os episódios têm “um toque tão leve e delirante que dão vontade de correr para a rua e enfiar as mãos na terra”. A publicação elogia sobretudo a forma como Galifianakis encontra o tom certo para quem sabe pouco sobre jardinagem, escrevendo que o programa é “parte lição, parte brincadeira e parte aviso”.
Segundo o jornal britânico, o apresentador é uma das grandes razões para a série funcionar. “É difícil imaginar um melhor anfitrião para este programa”, escreve a crítica, acrescentando que Galifianakis sabe que está a falar para principiantes e consegue transformar a própria ignorância numa das forças da série. No final, o “The Guardian” conclui que, para novatos, “This Is a Gardening Show” é “perfeita: divertida, bonita e cheia de entusiasmo”.
O “Los Angeles Times” também destaca o equilíbrio entre humor e sinceridade. A publicação escreve que Galifianakis “não está a brincar quando diz que o futuro é agrário” e sublinha que a série funciona porque há uma missão real por trás das piadas. “Por mais pessimista que uma pessoa possa ficar hoje em dia, os jardins são esperança. A Terra é a nossa esperança. A natureza é a nossa esperança”, diz o apresentador, citado pelo jornal.
A mesma crítica elogia ainda as conversas com os mais pequenos, onde Galifianakis usa um humor seco e absurdo, mas sem perder a ternura. Para o “Los Angeles Times”, a série é “esclarecedora e sincera” e junta informação, agricultores, miúdos adoráveis e piadas “num pacote delicioso”.
Já o “The Telegraph” começa por dizer que “This Is a Gardening Show” é brilhante mesmo que, segundo o jornal, não seja exatamente um programa de jardinagem no sentido tradicional. A crítica descreve a série como “livre, excêntrica e absolutamente encantadora, mais interessada em cultivar comida do que em ensinar técnicas clássicas de jardim”.
A publicação acrescenta que o lado educativo é apenas uma pequena parte da experiência. O mais importante é ver Galifianakis a ser “divertidamente caótico”, entre perguntas estranhas, conversas com agricultores e momentos em que quase se esquece do tema do episódio. Ainda assim, para o jornal, isso não é um problema: “Os frutos mais saborosos são muitas vezes os que têm um aspeto mais estranho.”
A “IndieWire” vai pelo mesmo caminho e chama-lhe “o tipo de fantasia leve de que todos precisamos agora”. A publicação descreve a série como “uma espécie de mistura entre programas educativos, humor absurdo e televisão de conforto”, defendendo que “funciona como um limpa-palato relaxante que devia ser receitado por médicos”.
O site destaca ainda o entusiasmo genuíno de Galifianakis e a forma como ele faz perguntas que muitos principiantes teriam vergonha de colocar. “O que é um tomate?”, “o milho é um cereal?” ou “isto vai dar-me diarreia?” são algumas das dúvidas que aparecem pelo caminho. Para a “IndieWire”, a série não quer reinventar a comédia, mas celebra “os prazeres simples da vida com mais sinceridade do que sarcasmo”.
Também o “Decider” recomenda a série, precisamente por ser rápida, leve e engraçada sem exagerar no disparate. A publicação escreve que “This Is a Gardening Show” é divertida porque “Galifianakis parece estar realmente a divertir-se”. O site acrescenta que “o humor surge da sua estranheza natural, mas que a série nunca se deixa afogar em piadas: Dá informação sem se tornar aborrecida.”
No fundo, “This Is a Gardening Show” é exatamente aquilo que promete: uma série curta sobre comida, terra, plantas e curiosidade. Pode não transformar todos os espectadores em jardineiros, mas consegue tornar o tema acessível, estranho e surpreendentemente divertido. Para quem procura algo leve para ver em episódios rápidos, pode ser uma das estreias mais simpáticas da Netflix este mês.
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