Quer se goste ou não do Dia dos Namorados, a verdade é que a data se transformou numa inevitabilidade. Seja para celebrar, boicotar ou satirizar, ignorá-la é quase impossível. O que começou como uma tradição religiosa ligada ao mártir do século III, São Valentim (que casava amantes em segredo, à revelia das ordens do imperador romano), evoluiu para um fenómeno global.
Atualmente, o dia 14 de fevereiro é celebrado em mais de 100 países. Por todo o lado há rosas vermelhas, corações, jantares a dois, e as redes sociais transformam-se num desfile de declarações públicas. Não há escapatória da pressão para participar, mesmo que seja só para ironizar. Como não podia deixar de ser, Hollywood celebra o dia com entusiasmo, ajustando as datas de lançamento das narrativas que exploram o amor em todas as suas facetas: o sublime, o trágico, o cómico ou o romântico.
A lista de estreias de cinema desta quinta-feira, 12 de fevereiro, nas salas nacionais, é um bom exemplo desta tendência. “O Monte dos Vendavais”, de Emerald Fennell, com Margot Robbie e Jacob Elordi, retrata uma paixão tão obsessiva como destrutiva nos pântanos de Yorkshire. Emerald Fennell apresenta uma “nova e ousada apropriação” do clássico “O Monte dos Vendavais” (“Wuthering Heights”, no original), de Emily Brontë.
Diferente das adaptações bucólicas do passado, a versão de Fennell (conhecida por “Saltburn”) mergulha na toxicidade, no desejo e na vingança. O amor não surge como uma solução, mas como uma doença que consome tudo ao seu redor. O cenário sombrio do Yorkshire serve de espelho ao tormento interior das personagens, que partilham uma paixão crua, gótica e, em última análise, trágica.
No extremo oposto, surge “Caga no Dia de São Valentim” (“Fuck Valentine’s Day”, no original). Se “O Monte dos Vendavais” é um banquete de sofrimento, esta comédia descomprometida é uma refeição leve para quem desdenha o romantismo (e dispensa o drama). A narrativa acompanha Gina (Virginia Gardner), que odeia o facto de o seu aniversário coincidir com o 14 de fevereiro.
A protagonista subverte, assim, a narrativa romântica, ao mostrar que odeia a data e arranja forma de sabotar o pedido de casamento que está prestes a receber do noivo — uma anti-celebração hilariante para os céticos e para quem quer fugir aos clichés. Quando suspeita que o pedido está prestes a acontecer, durante uma viagem à Grécia, entra em pânico.
Escrita por Steve Bencich e realizada por Mark Gantt esta “anti-romcom” urbana e descomprometida conta ainda com Skylar Astin, Marisa Tomei, Sabrina Bartlett e Jake Cannavale no elenco.
A obra serve também de contraponto à densidade das outras estreias, em particular de “A Voz de Hind Rajab”. Este “docudrama” transporta o público para “o horror documental e visceral” da invasão de Israel à Faixa de Gaza, em retaliação a um ataque do grupo islamita Hamas, em 7 de outubro de 2023.
Realizado pela tunisina Kaouther Ben Hania, o filme reconstrói os últimos momentos de Hind Rajab, uma menina de seis anos cercada por tanques em Gaza. Vencedor do Grande Prémio do Júri no Festival de Veneza 2025, está também nomeado ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Numa semana de estreias marcada pela diversidade, há também uma uma comédia negra do mestre sul-coreano Park Chan-wook , um documentário português sobre o fenómeno artístico e digital “La Vie de Marie” e um filme de animação sobre um bode muito especial, que promete animar os mais novos.
Carregue na galeria para ficar a conhecer melhor os filmes que chegam esta quinta-feira, 12 de fevereiro, aos cinemas nacionais.

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