Quando o quarteto [Ahmed] entra em palco, o jazz deixa de ser um género fechado e passa a ser um território em expansão. A música nasce de referências cruzadas, ritmos inesperados e uma energia quase física. É com esse espírito experimental e difícil de catalogar que arranca mais uma edição do Julho é de Jazz, o ciclo que todos os anos assinala a chegada do verão a Braga.
Entre 1 e 11 de julho, o gnration e o Theatro Circo voltam a dividir a programação daquele que é um dos momentos mais consistentes da agenda cultural da cidade. A décima segunda edição mantém a fórmula que o consolidou: cruzar nomes históricos com novas gerações e abrir espaço à experimentação dentro do universo do jazz e da música improvisada.
Criado há mais de uma década, o Julho é de Jazz nasceu com a ambição de colocar Braga no mapa internacional do género, sem perder de vista o talento nacional. Ao longo dos anos, afirmou uma identidade própria, feita de risco e diversidade. “Este festival é uma porta de entrada para a expressão artística contemporânea, onde a tradição e a experimentação dão as mãos”, explicam os diretores artísticos do Theatro Circo e do gnration, Luís Fernandes e Ilídio Marques.
“Ao fim de 12 edições, o Julho é de Jazz consolidou-se como um dos projetos mais estáveis da programação cultural de Braga, atraindo público nacional e internacional e afirmando-se como um espaço de descoberta dentro do género”, acrescentam os responsáveis, que este ano apontam para uma adesão semelhante às edições mais participadas, que se aproximaram dos cinco mil espectadores ao longo de dez dias.
Tal como acontece na agenda de ambos os espaços culturais, a construção do cartaz para o Julho é de Jazz parte de um equilíbrio intencional entre reconhecimento e risco. “O exercício passa por lançar o desafio a artistas que sabemos que podem ter impacto no público, mas também por apresentar estreias e evitar repetir nomes num curto espaço de tempo”, defendem. A seleção privilegia projetos difíceis de programar noutros contextos e propostas que cruzam linguagens, mantendo o foco na contemporaneidade do jazz e da música improvisada.
Essa lógica reflete a edição deste ano, onde coexistem nomes consagrados e novas vozes, projetos orquestrais e formações mais experimentais. “É o caso do quarteto [Ahmed], liderado por Pat Thomas, um dos momentos mais esperados do programa, ao lado de propostas como o jovem trio C.O.R., que apresenta o disco de estreia e representa uma nova geração ligada à improvisação. O objetivo mantém-se: desafiar o público e continuar a posicionar Braga como um ponto de encontro para a criação musical atual, sem fechar portas a novos formatos no futuro“.
A programação de 2026 arranca a 1 de julho, no Theatro Circo, com a estreia nacional do documentário “O Menino d’Olho d’Água”, realizado por Carolina Sá e Lírio Ferreira. O filme é um retrato sensorial do músico brasileiro Hermeto Pascoal, conhecido como “o Bruxo”, e serve de ponto de partida para um programa que também inclui cinema.
No dia seguinte, 2 de julho, o gnration recebe [Ahmed], quarteto liderado pelo pianista britânico Pat Thomas. A formação inspira-se no legado de Ahmed Abdul-Malik, músico que introduziu influências da Ásia Ocidental e da África Oriental no jazz norte-americano, criando um som intenso e em constante transformação.
A 3 de julho, o foco muda para o Theatro Circo, com o Omniae Large Ensemble, dirigido por Pedro Melo Alves. O projeto, que começou como septeto e evoluiu para uma formação orquestral, cruza composição contemporânea com improvisação e reúne músicos de diferentes circuitos europeus.
Ver esta publicación en Instagram
O dia 4 de julho traz dois momentos distintos. Ao final da tarde, às 18 horas, o jovem trio C.O.R., liderado pelo contrabaixista bracarense Gonçalo Cravinho Lopes, apresenta o álbum de estreia “Oxor” no gnration. À noite, às 21h30, o Theatro Circo recebe um encontro inédito entre três nomes de referência: Maria João, André Mehmari e Carlos Bica.
A segunda semana começa a 8 de julho com a exibição de “Jazz on a Summer’s Day”, documentário de 1959 que regista o Newport Jazz Festival e inclui atuações de nomes como Louis Armstrong e Thelonious Monk. No dia 9, o gnration acolhe o trio de Sakina Abdou, saxofonista em ascensão na cena europeia, acompanhada por Toma Gouband e Marta Warelis, com o álbum “Hammer, Roll and Leaf”.
A 10 de julho, Mário Laginha regressa ao Theatro Circo com “Retorno”, disco lançado em fevereiro que marca o regresso do pianista aos trabalhos a solo, quase duas décadas depois.
No dia 11, há dois momentos-chave. Ao final da tarde, às 18 horas, o gnration recebe Carlos Bica & AZUL, num concerto que assinala os 30 anos do álbum “Azul”, editado em 1996 e considerado um marco do jazz português. À noite, às 21h30, o Theatro Circo encerra o ciclo com o septeto de Patricia Brennan, que apresenta “Breaking Stretch” (2024), um trabalho que cruza jazz com influências de salsa e rock.
Ao longo de duas semanas, o Julho é de Jazz constrói um percurso que vai do jazz mais clássico à improvisação contemporânea, passando por projetos híbridos e novas linguagens sonoras.
Os bilhetes estão disponíveis para cada espetáculo, entre 4€ e 12€. Existem também passes semanais que dão acesso à programação de cada semana, com um custo de 25 euros. Podem ser adquiridos online ou nas bilheteiras do gnration e do Theatro Circo.

LET'S ROCK






