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Aplicação bracarense de treino assistido por IA conquista utilizadores pelo mundo

A dotmoovs nasceu em Braga e junta treinos personalizados, competição e inteligência artificial numa só aplicação.

Quando pensamos em personal trainers, imaginamos alguém a corrigir a postura durante um agachamento ou a motivar-nos a fazer mais uma flexão. A novidade é que, em Braga, uma equipa de especialistas em saúde digital, inteligência artificial e desporto decidiu transformar esse acompanhamento em algo acessível a todos, com apenas um telemóvel. Assim nasceu a dotmoovs, uma aplicação que combina treino personalizado com gamificação e competição digital.

A ideia surgiu a Francisco Varela e Salomé Azevedo, dois apaixonados por desporto. Queriam treinar em qualquer lugar, sem depender de equipamentos ou ginásios. “Definimos como missão permitir que qualquer pessoa, em qualquer lugar, treine com acompanhamento inteligente através de vídeo, onde a IA analisa e corrige a postura em tempo real”, explica Salomé. O projeto ganhou forma em 2024 e a app foi lançada oficialmente em dezembro deste ano.

O que a distingue das centenas de aplicações de treino já existentes? Em primeiro lugar, a tecnologia: os algoritmos da dotmoovs usam a câmara do telemóvel para monitorizar movimentos em tempo real e dar feedback imediato. “Se as costas não estão direitas ou os braços não acompanham o movimento corretamente, o utilizador recebe correções instantâneas. É como ter um personal trainer virtual ao lado”, acrescenta Francisco.

Além da componente técnica, a aplicação aposta numa experiência divertida. Através de desafios e torneios digitais, os utilizadores competem com pessoas de todo o mundo em diferentes modalidades: futebol freestyle, dança, fitness funcional e boxe. “A nossa arena internacional é um espaço de competição saudável, com classificações justas porque a avaliação é feita pela IA. Já tivemos torneios de truques com bola, coreografias de dança ou séries de agachamentos — tudo monitorizado pela aplicação”, explica João Silva, especialista em medicina desportiva na equipa.

A startup bracarense não se limita ao treino físico. Colabora com nutricionistas e especialistas em bem-estar para dar orientações complementares e manter a motivação. Também aposta em parcerias com atletas de renome, como Ricardo Quaresma, Luís Figo ou Uisma Lima, campeão mundial de boxe. “Estas colaborações não só validam a qualidade da aplicação, como também nos ajudam a criar planos de treino mais próximos da realidade desportiva”, diz Guilherme Viveiros, CTO da empresa.

dotmoovs

Para quem nunca experimentou, o funcionamento é simples: basta descarregar a aplicação (disponível para iOS e Android), registar-se e começar. Há uma versão gratuita que inclui sete dias de treinos personalizados, mini-desafios e torneios digitais abertos. Mas é no modelo de subscrição que está a maior proposta de valor. Por uma semana paga 6,99€, já por um mês o preço é de 25,99€ e se quiser garantir a subscrição anual só paga 119,99€.

Os assinantes têm acesso a mais de mil treinos diferentes, planos completos ajustados aos objetivos pessoais (como perder peso, ganhar massa muscular ou melhorar a resistência), e torneios exclusivos. “O feedback mais comum que recebemos é que a app dá confiança para treinar sozinho. Muitos utilizadores dizem que preferem esta experiência ao ginásio, porque não se sentem observados e ao mesmo tempo recebem correções técnicas”, explica Salomé.

Entre as histórias de sucesso, a equipa recorda utilizadores que voltaram a treinar após anos de sedentarismo. “Um deles contou-nos que a competição com amigos o motivou a fazer exercício diariamente. Começou com desafios simples de 30 segundos e hoje já consegue completar sessões de boxe intensivas. Esse é o impacto que queremos criar”, sublinha João.

Outra diferença da dotmoovs está na forma como a tecnologia se adapta. A aplicação reconhece o progresso individual e ajusta automaticamente a dificuldade dos treinos. Quem começa com exercícios básicos vai evoluindo para níveis mais exigentes à medida que ganha resistência e técnica. “Não repetimos treinos de forma aleatória. Cada jornada é personalizada e evolutiva”, garante Guilherme.

O futuro também já está a ser desenhado. A startup prepara a integração com wearables, para recolher dados biométricos como frequência cardíaca ou gasto calórico, e vai lançar o MOOV Club, uma comunidade que mistura eventos digitais e encontros presenciais, com prioridade para Braga. “Queremos que a cidade que nos viu nascer seja o palco de muitas das nossas iniciativas. Braga tem juventude, talento e uma ligação forte ao desporto, por isso é o lugar ideal para crescer”, afirma Francisco.

E para quem procura um empurrão depois das férias de verão, a equipa recomenda uma rotina rápida disponível na app: três séries de 20 agachamentos, seguidas de dois minutos de boxe shadow (socos no ar, com correções de postura em tempo real), e terminar com uma sequência de pranchas de 30 segundos. “É um treino curto, mas eficaz para voltar aos eixos”, sugere João.

No final, a dotmoovs quer ser mais do que uma app: pretende tornar-se uma plataforma global que democratiza o acesso ao treino de qualidade. “O nosso objetivo é liderar a revolução digital no desporto, mostrando que a tecnologia pode ser inclusiva, justa e divertida”, resume Salomé.

 
 
 
 
 
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