Durante a adolescência, o objetivo é só um: chegar aos 18 anos para nos tornarmos oficialmente adultos e fazermos tudo o que quisermos. É a partir dessa idade que podemos tirar a cartar de condução, votar, entrar em discotecas, compras bebidas alcóolicas e viajar sozinhos para fora do país (sem ser preciso autorização). No entanto, apesar de nos tornamos legalmente responsáveis por nós próprios, não é necessariamente a idade em que nos tornamos adultos.
Um novo estudo, publicado na plataforma Nature (dedicada a artigos científicos) a 25 de novembro, sugere que o cérebro tem cinco “eras” — e o modo adulto só começa no início dos 30.
O estudo, baseado em ressonâncias magnéticas de quase quatro mil pessoas, com idades entre um e 90 anos, mostra que o cérebro passa por cinco grandes fases de mudança, marcadas por quatro momentos-chave: aos 9, 32, 66 e 83 anos. Em cada um destes pontos, o cérebro muda de direção e entra numa nova etapa.
A primeira fase — da primeira infância até aos nove anos —, é essencialmente um processo de desenvolvimento: o cérebro começa a eliminar ligações que não são usadas e a reforçar as que fazem falta. É também um período especialmente sensível, porque tudo está a ser formado, desde a aprendizagem ao comportamento.
Depois, há um período entre os nove aos 32 anos. Aqui, as ligações tornam-se mais eficientes e organizadas, aumentando o desempenho cognitivo. É nesta fase que surgem mais problemas de saúde mental, precisamente porque o cérebro está em remodelação.
Só aos 32 anos é que a estrutura cerebral estabiliza e entra em “modo adulto”, como lhe chamam os investigadores. “Não estamos, de forma alguma, a dizer que pessoas no final dos 20 anos vão comportar-se como adolescentes, ou que o cérebro delas se parece com o de um adolescente”, disse Alexa Mousley — autora do estudo e aluna de doutoramento da Unidade de Cognição e Ciências do Cérebro do MRC, na Universidade de Cambridge —, ao “The Guardian”.
O estudo foi também desenvolvido por Fang-Cheng Yeh — professor assistente no Departamento de Cirurgia Neurológica da Universidade de Pittsburgh — e Duncan Astle — professor e investigador de neuroinformática na Universidade de Cambridge.
A seguir, por volta dos 66 anos, surgem os primeiros sinais consistentes de envelhecimento: as ligações começam a perder eficiência e algumas vias de comunicação degradam-se. O processo intensifica-se perto dos 83 anos, quando o cérebro entra na última fase, marcada pelo declínio mais evidente das ligações.
A investigação destes cinco períodos ajuda a perceber quando é que o cérebro está mais vulnerável e porquê. As fases de maior risco são as de transição, sobretudo a adolescência prolongada até aos 32 anos e o início da velhice. Os últimos dois pontos de mudança são definidos pela perda de ligações no cérebro, com mudanças profundas, o que torna o sistema mais sensível a perturbações externas. Acreditam estar relacionado com o envelhecimento e degradação da massa branca (conjunto de fibras nervosas que permitem a comunicação entre diferentes regiões cerebrais).
Para esta investigação, os cientistas estudaram a organização cerebral através de 12 técnicas diferentes, incluindo “a eficiência da fiação, o grau de compartimentalização e se o cérebro depende muito de centros de conexão ou se possui uma rede de conetividade mais difusa”, partilham os cientistas.
O estudo pretende, assim, abrir caminho para uma melhor compreensão de doenças mentais e do envelhecimento, deixando claro que o cérebro não envelhece de forma linear.
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