Durante anos, foi entre cordas, raquetes e conversas rápidas ao balcão que Paulo Silva construiu uma reputação no mundo do ténis em Braga. Agora, depois de um período mais silencioso — focado no armazém e nas vendas online — decidiu voltar ao ponto de partida: a loja física. O espaço reabriu a 20 de março, em Santa Tecla, e quer recuperar algo que se foi perdendo com o tempo, a proximidade.
“Sentia falta desse contacto direto. Da conversa, do aconselhamento feito com tempo. O digital é importante, mas aqui está ao serviço da relação, não o contrário”, explica o fundador de 50 anos, à New in Braga.
A história começa muito antes de 2004, ano em que o projeto ganhou forma. Paulo já vivia o desporto desde jovem, tendo passado por várias lojas de artigos desportivos em Braga, numa altura em que estes espaços eram também pontos de encontro. O ténis surgiu de forma natural — primeiro como prática, depois como especialização.
“Foi um percurso feito da soma de experiências, pessoas e paixões que me foram empurrando sempre na mesma direção”, recorda.
Uma das memórias que guarda é a da primeira raquete: uma Slazenger dourada, em alumínio. Mas foi no final dos anos 80 que o ténis deixou de ser apenas um hobby. Ao trabalhar numa loja multidesportos no Gold Center, introduziu um serviço raro na altura: o encordoamento de raquetes.
“Era dos poucos na zona de Braga com uma máquina eletrónica”, conta, cheio de orgulho, passados tantos anos.
Quando lançou o próprio projeto, em 2004, tudo começou de forma quase artesanal, a partir de casa, com encordoações e alguns acessórios. O objetivo era claro desde o início: criar um espaço verdadeiramente especializado, focado apenas no ténis.
Ao longo dos anos, o negócio foi crescendo, mas acabou por se transformar. A loja nunca fechou totalmente, mas passou a funcionar mais como armazém e centro logístico, com forte aposta no online. O verdadeiro ponto de viragem aconteceu depois da pandemia.
“O ténis foi dos primeiros desportos a regressarem e dos últimos a pararem. Trouxe muita gente nova para a modalidade”, explica. Seguiu-se um período de reflexão, com menos foco nas vendas digitais e mais na definição de um novo conceito.
Esse conceito materializa-se agora com a reabertura da loja numa espécie de “oficina do ténis”. A PLAYMORETENNIS foi pensada para ser mais do que um ponto de venda: é um espaço técnico, mas também de convívio, onde se pode entrar sem pressa, conversar e perceber melhor o jogo.
Localizada na Rua de Torneiros, em Santa Tecla, está a poucos minutos de alguns dos principais pontos de prática da cidade, como o Complexo Desportivo da Rodovia, os courts das Piscinas Municipais e o Clube de Ténis de Braga. A proximidade não é coincidência — faz parte da lógica do projeto.
Lá dentro, o ambiente segue a mesma linha. O espaço combina zona de exposição de produtos com área de trabalho técnico, onde se realizam encordoamentos e personalizações. A oferta inclui tudo o que é essencial à prática do ténis: raquetes, bolas, cordas, sapatilhas, acessórios e material de treino.
Mas o grande diferencial está no serviço. “O encordoamento é altamente personalizado. Cada jogador é diferente e isso reflete-se na tensão, na corda, no tipo de jogo”, explica o responsável. Mesmo quando a corda não parte, há um detalhe importante: ao fim de cerca de 20 horas de jogo, perde grande parte das suas características.
Ao longo dos anos, Paulo trabalhou em torneios nacionais e internacionais, incluindo ATP Challengers, WTA, ITF e Taça Davis. “Já chegámos a encordoar cerca de 30 raquetes num único dia”, revela. Entre os clientes, passaram jogadores que chegaram ao top 10 mundial, com tensões que variam entre os 11 e os 29 quilos. Alguns dos nomes são João Sousa, Gastão Elias, Jaime Faria, Richard Gasque, Moez Echargui, Radu Albot, Coulibaly, entre outros.
A personalização de raquetes é outro dos serviços mais procurados, sobretudo por jogadores mais exigentes. O objetivo passa por ajustar peso, balanço e outras características para garantir consistência em jogo — especialmente para quem usa várias raquetes.
Em termos de marcas, a loja trabalha sobretudo com referências do setor como HEAD, Wilson e Signum Pro, escolhidas pela qualidade e consistência. Os preços variam entre cerca de 2€ para acessórios mais simples e 220€ para raquetes de gama média e alta, com serviços técnicos ajustados ao nível de personalização.
Apesar da componente técnica, o espaço não é apenas para profissionais. Pelo contrário. A ideia é que qualquer pessoa — do iniciante ao jogador competitivo — possa entrar, esclarecer dúvidas e encontrar soluções adaptadas ao seu nível.
“A loja deve ser um ponto de encontro. Um espaço onde se fala de ténis, se partilham experiências e se cria comunidade”, resume o fundador.

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