“Hoje em dia já existe muito mais informação sobre medicina estética e falam do tema de forma mais aberta.” Para Sofia Moreira, fundadora da SS Clinic, em Lisboa, a mudança aconteceu de forma gradual, mas acelerou nos últimos anos. “Com o Instagram e figuras públicas como a Kylie Jenner ou a Hailey Bieber, que assumem os procedimentos que fazem, as pessoas perderam o medo de procurar estes tratamentos”, conta à NiT.
Acima de tudo, mudou o perfil dos clientes. “As mulheres mais novas já cresceram num mundo em que a imagem está muito mais presente. Por isso, têm uma mentalidade completamente diferente.”
A clínica da especialista abriu em 2019, mas Sofia Moreira trabalha na área da medicina estética há quase dez anos. Desde então, diz ter assistido a uma transformação significativa na forma como os portugueses encaram os procedimentos estéticos. Se antigamente muitos procuravam tratamentos para corrigir sinais de envelhecimento, hoje em dia, a tendência passa pela prevenção.
Segundo Sofia Moreira, as diferenças são particularmente evidentes entre as mulheres dos 25 aos 35 anos e as gerações anteriores. A especialista de 34 anos explica que as clientes mais jovens chegam às consultas já com rotinas de skincare bem definidas, utilizam protetor solar diariamente e procuram tratamentos que permitam retardar o envelhecimento da pele, em vez de tentar revertê-lo mais tarde.
“Querem impedir que o envelhecimento aconteça, em vez de esperar que apareçam rugas, flacidez ou manchas para depois resolver.” Esta mudança representa uma vantagem. “As mais novas estão a fazer o correto porque estão a prevenir.”
Essa prevenção passa, muitas vezes, pelos chamados bioestimuladores, que intensificam a produção natural de colagénio, ajudando a manter a firmeza da pele durante mais tempo. Isto porque a partir dos 30 anos perde-se mais de metade do colagénio produzido na juventude, razão pela qual iniciar este tipo de tratamentos entre os 24 e os 26 anos pode ajudar a reduzir esse declínio.
“O botox também é um procedimento preventivo”, sublinha. “Deve começar a ser feito quando existem apenas rugas dinâmicas, aquelas que aparecem quando fazemos expressões faciais.” Quando essas marcas passam a estar presentes mesmo com o rosto em repouso, explica, o tratamento continua a melhorar o aspeto da pele, mas já não consegue eliminá-las totalmente. “Impede que continuem a formar-se, mas já não as reverte.”
O botox continua, aliás, a ser o procedimento mais procurado na clínica. Sofia Moreira conta que realiza cerca de 15 tratamentos por semana, embora a procura varie ao longo do ano. Os meses entre abril e agosto correspondem à época alta, impulsionados pelas férias, casamentos e outros eventos sociais. Depois de uma ligeira quebra no final do verão, a procura volta a aumentar significativamente entre outubro e dezembro, sendo este último um dos períodos mais movimentados devido às festas de Natal e de fim de ano.
A médica acrescenta que este tratamento costuma ser repetido a cada seis meses, enquanto os bioestimuladores, na maioria dos casos, têm uma periodicidade anual.
Outro tratamento bastante popular é o preenchimento labial — e Sofia Moreira considera que alguns pedidos surgem demasiado cedo. Há uns anos, havia jovens de apenas 16 anos interessadas neste procedimento. “Levavam fotografias da Kylie Jenner como referência.” Atualmente, considera que essa tendência perdeu alguma força, embora continue a existir interesse por parte dos mais novos.
Engana-se quem acha que o aumento da procura acontece apenas entre as mulheres. Na verdade, também os homens têm recorrido cada vez mais à medicina estética, sobretudo nos últimos três anos. Muitos chegam à clínica incentivados pelas companheiras, mas há igualmente uma preocupação crescente com a imagem entre o público masculino mais jovem.
Na perspetiva da especialista, esta mudança está relacionada com a importância crescente da aparência na sociedade, incluindo no contexto profissional. “Há vários estudos que comprovam que a imagem influencia quem consegue um emprego.”
Quanto ao futuro, Sofia Moreira acredita que a idade média dos clientes continuará a diminuir, embora defenda que existem limites. Considera que procedimentos como limpezas de pele ou lasers poderão tornar-se cada vez mais comuns entre os jovens, mas não vê vantagem em recorrer precocemente a procedimentos injetáveis.
“Na minha ótica, não faz sentido fazer estes tratamentos antes dos 18 ou 20 anos, exceto em casos específicos, como patologias relacionadas com acne.” A especialista recorda que, nessas idades, o rosto continua em desenvolvimento. “Quando falamos de prevenção, simplesmente ainda não existe necessidade.”







