No cinema, uma cabana de madeira no meio da floresta pode ser o ponto de partida para uma história de terror. “The Cabin in the Woods”, realizado por Drew Goddard, em 2012, levou esse imaginário ao extremo: um grupo de amigos procura descanso e acaba envolvido em acontecimentos macabros que transformam a casa isolada numa armadilha assustadora. A ideia de refúgio transforma-se em claustro, e o cenário natural torna-se palco de monstros e segredos.
Mas nem todas as cabanas escondem terrores. Em Caminha, a menos de uma hora de Braga, há um projeto que prova exatamente o contrário. Chama-se Woodmood e é tudo o que se espera de um retiro de outono: madeira, natureza, silêncio e atividades que promovem bem-estar físico e mental. Se no grande ecrã as cabanas servem de cenário ao medo, aqui são convites ao relaxamento.
O sonho começou com Rui Homem Ribeiro, advogado de 64 anos que desde pequeno passava férias na zona de Caminha. Surfista amador e apaixonado pela região, sempre imaginou ter um espaço que preservasse a beleza natural do lugar e pudesse receber hóspedes. “Sempre tive esta ideia de que, se um dia encontrasse um terreno adequado, faria alguma coisa para mim ou para alugar”, recorda.
O momento surgiu há cerca de dez anos, quando encontrou uma propriedade com três mil metros quadrados “cheios de sobreiros”, perto do mar, do rio e da montanha. “Já andava à procura há algum tempo e, por acaso, passei por lá com uma agência local. Disse logo que era o local ideal. Conseguimos fechar negócio e avancei devagarinho, apenas nas horas vagas”, explica.
O resultado é hoje visível no Woodmood, inaugurado no final de 2024. O projeto de arquitetura, assinado por Lourenço Rocchi, respeita a morfologia do terreno e valoriza os sobreiros que já existiam. As unidades foram todas construídas em madeira, erguidas sobre pilotis, e integram-se na paisagem sem a desfigurar. “Sempre gostei do conceito de casas de madeira, acho que oferecem um conforto especial”, acrescenta Rui.
O alojamento divide-se em quatro módulos: nove lodges (seis T0 e três T1) e um espaço comum com duas salas, casa de banho e um deck exterior que termina junto à piscina. Cada unidade está equipada com quarto, casa de banho, kitchenette, mini frigorífico, chaleira, torradeira, máquina de café e todos os utensílios necessários para preparar um pequeno-almoço. Os T1 incluem ainda sala e alpendre privado.
No exterior, o destaque vai para a piscina de água salgada (7,20 por 3,60 metros quadrados), rodeada por jardim e vista para a mata do Camarido, que antecede o mar. A proximidade da praia de Moledo (2,5 quilómetros) e do centro histórico de Caminha (4 quilómetros) permite equilibrar descanso e passeio urbano.
O Woodmood aposta numa estética simples e acolhedora que potencia a harmonia interior e exterior. O objetivo, explica Rui, é oferecer “um ambiente de conforto, simplicidade e bem-estar, que permita fugir das rotinas da cidade e desfrutar da tranquilidade da natureza”.
As atividades disponíveis seguem a mesma filosofia. Os hóspedes podem participar em aulas de ioga e meditação, workshops de banhos de gelo ou retiros organizados. O espaço também recebe eventos privados, bootcamps e team buildings. Nas redondezas, não faltam opções: caiaque, stand up paddle, surf, kitesurf, windsurf, wing foil, passeios a cavalo, bicicleta, buggy ou até golfe.
Sustentabilidade é outro dos pilares do projeto. Para além da construção em madeira, o Woodmood implementa práticas de gestão eficiente de recursos e minimização de desperdício, promovendo uma consciência ambiental que se reflete em todos os detalhes.
Os preços por noite começam nos 120€, incluindo estacionamento, roupa de cama, toalhas, amenities de banho e até a possibilidade de cama extra para miúdos. Existe ainda um lodge adaptado a hóspedes com mobilidade reduzida. A regra geral é não permitir animais de estimação, mas Rui admite abrir exceções mediante pedido e pagamento de taxa extra.
Mais do que um alojamento, o Woodmood pretende ser um estilo de vida. Um lugar onde o luxo está na madeira que aquece, no som das árvores ao vento e na liberdade de desligar da cidade. Se em The Cabin in the Woods a floresta escondia perigos, aqui esconde apenas paz e tempo para si.
“O nosso objetivo sempre foi preservar a beleza natural do local e oferecer um espaço simples, confortável e em harmonia com a natureza. Acho que conseguimos”, conclui Rui Homem Ribeiro.
Como lá chegar
Desde Braga, siga pela N 14 em direção Barcelos/Porto e mantenha-se na N14 durante 2,5 quilómetros. Depois, siga pela A11 em direção à A28 para os acessos a Viana do Castelo e saía na saída 27 e mantenha-se na A28 durante 68 quilómetros. Continue pela A28 até a saída para a N 13 em direção Cristelo e continue durante dez minutos. Depois, terá chegado ao seu destino.
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