Durante oito anos, bastava abrir uma aplicação, encontrar a trotinete mais próxima e seguir viagem. A partir desta terça-feira, 1 de setembro, deixa de ser possível fazê-lo em Braga. A Bolt está a retirar as últimas unidades das ruas, depois de terminar o prazo dado pelo município para suspender o serviço.
A medida aplica-se apenas aos sistemas de trotinetes elétricas partilhadas. Quem tem uma trotinete particular pode continuar a circular pela cidade, desde que cumpra as regras previstas no Código da Estrada. A Bolt, única empresa que ainda prestava o serviço em Braga, faz a recolha entre 31 de agosto e 1 de setembro.
A suspensão começou a desenhar-se a 29 de junho, quando o executivo municipal aprovou, por maioria, a revogação dos acordos de colaboração com os operadores e deu 60 dias para retirarem todos os equipamentos do concelho. Caso a ordem não fosse cumprida, a Câmara poderia avançar com a remoção coerciva e cobrar os custos às empresas. Segundo João Rodrigues, presidente da autarquia, a resolução dos contratos não terá encargos para o município.
Quando a decisão foi tomada existiam cerca de 500 trotinetes, operadas por duas empresas e distribuídas por 240 pontos de partilha. A segurança foi um dos principais argumentos apresentados. Segundo os dados divulgados pelo município, a PSP de Braga registou 37 acidentes rodoviários com trotinetes elétricas desde o início de 2026, que provocaram 33 feridos, 31 ligeiros e dois graves.
A Câmara apontou ainda problemas com o estacionamento dos equipamentos em passeios, passadeiras e zonas pedonais, onde criavam obstáculos para peões, pessoas com mobilidade reduzida e famílias com carrinhos de bebé. Ao mesmo tempo, a utilização cresceu de forma acentuada nos últimos anos: foram contabilizadas 32 mil viagens em 2023, 63 mil em 2024 e 144 mil em 2025.
“Há oito anos fui eu que propus trazer as trotinetes partilhadas para Braga. Continuo a achar que a mobilidade suave é importante”, afirmou João Rodrigues. O autarca considera, contudo, que o funcionamento do serviço deixou de ser compatível com a segurança e a qualidade do espaço público. “É parar para corrigir. É colocar a segurança das pessoas em primeiro lugar.”
A proposta recebeu os votos favoráveis de todas as forças representadas no executivo, à exceção do movimento Amar e Servir Braga, que se absteve por considerar insuficientes os dados apresentados. O PS apoiou a suspensão, mas sugeriu a criação de um grupo de trabalho para preparar novas regras.
A despedida pode não ser definitiva. Durante a pausa, a Câmara pretende criar um regulamento municipal específico, com regras para a circulação, estacionamento e fiscalização. Só depois será avaliado um eventual regresso das trotinetes partilhadas às ruas de Braga.







