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Empresas têm 60 dias para remover quase 600 trotinetes partilhadas em Braga

A Câmara de Braga suspendeu o serviço por questionar a segurança dos equipamentos. Só este ano já houve mais de 40 acidentes.

Durante quase uma década, as trotinetes elétricas passaram a fazer parte da paisagem de Braga. Agora, a cidade prepara-se para assistir ao movimento inverso: nos próximos 60 dias, as operadoras terão de retirar praticamente todos os equipamentos das ruas, numa decisão que marca uma mudança de rumo na política de mobilidade do município.

Esta sexta-feira, 4 de julho, a Câmara Municipal de Braga aprovou, por maioria, a suspensão do serviço de trotinetes elétricas partilhadas e deu às empresas um prazo de dois meses para removerem cerca de 600 equipamentos espalhados pelo concelho. Caso a ordem não seja cumprida dentro desse período, o município poderá avançar com a remoção coerciva, imputando todos os custos às operadoras.

A proposta foi aprovada por todas as forças representadas no executivo, à exceção do movimento Amar e Servir Braga (ASB), que optou pela abstenção.

Segundo o presidente da autarquia, João Rodrigues, a decisão resulta da evolução registada nos últimos anos. Foi o próprio quem, há cerca de oito anos, impulsionou a chegada das trotinetes à cidade, mas considera que a realidade mudou.

“Há oito anos, fui eu que propus trazer as trotinetes partilhadas para Braga. Achei, na altura, que fazia sentido abrir a cidade a novas formas de mobilidade. Continuo a achar que a mobilidade suave é importante. Mas governar também é isto: olhar para a realidade como ela é, e não como gostaríamos que fosse”, afirmou.

O autarca sublinha que o problema não está no conceito da mobilidade suave, mas sim na forma como o serviço tem funcionado. Só desde o início deste ano registaram-se mais de 40 acidentes envolvendo trotinetas e velocípedes — a maioria relacionados com trotinetes — muitos deles com jovens menores de 18 anos.

Ao mesmo tempo, o número de equipamentos aumentou significativamente. As cerca de 100 trotinetas existentes quando o sistema arrancou deram lugar a quase 600 atualmente. Também a utilização disparou: das 32 mil viagens registadas em 2023 passou-se para 63 mil em 2024 e para 144 mil durante o ano passado.

Para João Rodrigues, o crescimento veio acompanhado por problemas recorrentes, como trotinetes abandonadas em passeios, zonas pedonais e junto de passadeiras, dificultando a circulação de peões, pessoas com mobilidade reduzida ou carrinhos de bebé. O município aponta ainda para o incumprimento frequente das regras de utilização e considera que as empresas não conseguiram implementar mecanismos eficazes de controlo e prevenção.

“Não me aflige reconhecer problemas, afligir-me-ia ignorá-los. Por isso, vamos suspender a atividade das empresas de trotinetes partilhadas em Braga para regulamentarmos melhor a sua utilização no espaço público”, acrescentou o presidente da Câmara.

A suspensão, garante o município, não representa um abandono definitivo deste modelo de mobilidade. O objetivo passa por criar um novo regulamento que permita compatibilizar a utilização das trotinetes com a segurança rodoviária e pedonal, antes de ponderar um eventual regresso do serviço.

Entretanto, Braga junta-se a cidades como Paris, Madrid e Praga, que também optaram por retirar as trotinetes partilhadas das ruas devido a preocupações relacionadas com a segurança e a ocupação do espaço público. Em Portugal, Lisboa seguiu um caminho diferente, mantendo o serviço, mas impondo novas regras de circulação, limites de velocidade e zonas obrigatórias de estacionamento.

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