Poucas cidades podem dizer que têm o seu nome gravado no mapa do Sistema Solar. Braga passou recentemente a integrar esse grupo restrito graças a um asteroide descoberto por um português que, apesar de viver há décadas na Suíça, nunca esqueceu a cidade onde cresceu.
O asteroide 729512 Braga recebeu no passado domingo, 31 de maio, oficialmente esta designação por proposta de José de Queiroz, astrónomo amador nascido em Lisboa e com fortes ligações à capital minhota. A atribuição foi aprovada pela União Astronómica Internacional (IAU), entidade responsável pela nomenclatura oficial dos corpos celestes, tornando Braga um nome permanente nos registos da astronomia mundial.
A história começa muito antes da descoberta. José de Queiroz tem 72 anos e mudou-se ainda em miúdo para Braga, cidade onde passou parte da infância antes de prosseguir os estudos no Porto. Após a Revolução dos Cravos, em 1974, emigrou para a Suíça, onde construiu uma carreira ligada à hotelaria e ao turismo no cantão dos Grisões.
Foi já longe de Portugal que desenvolveu uma paixão cada vez maior pela astronomia. Ao longo dos anos tornou-se uma figura ativa na divulgação científica e participou na fundação do Observatório Mirasteilas, em Falera, considerado um dos maiores observatórios suíços abertos ao público.
O trabalho realizado nesta área levou-o também à descoberta de vários asteroides. O Minor Planet Center, organismo internacional responsável pelo registo destes corpos celestes, já lhe atribuiu diversas descobertas realizadas em 2009.
Entre elas está o atual 729512 Braga, identificado a partir do Observatório de Falera a 1 de abril de 2011. O asteroide encontra-se no cinturão principal de asteroides, a vasta região situada entre as órbitas de Marte e Júpiter, onde circulam milhões de objetos rochosos.
Segundo os dados disponíveis, tem cerca de um quilómetro de diâmetro e completa uma volta ao Sol a cada 4,1 anos. A sua órbita é considerada estável e não representa qualquer risco conhecido para a Terra.
A escolha do nome não aconteceu por acaso. Em declarações ao jornal “O Minho”, José de Queiroz explicou que quis prestar homenagem à cidade onde cresceu e que continua a considerar uma referência importante da sua vida.








