O método Montessori nasceu no início do século XX, criado pela pedagoga e médica italiana Maria Montessori, que acreditava que o processo de aprendizagem devia ser centrado nos miúdos — nas suas curiosidades, ritmos e talentos. A ideia era simples, mas revolucionária: conferir liberdade aos mais novos para explorar o mundo, aprender através da experiência e desenvolver autonomia com base no respeito e na observação. O conceito espalhou-se por todo o mundo e, decorridos mais de 100 anos, continua a inspirar educadores, famílias e espaços dedicados à infância — como o Rikiki Diver Sapiens, em Braga, um projeto que alia o ensino à diversão de forma criativa e carinhosa.
Maria Luísa Rodrigues (34) e José Eduardo Rodrigues (35), os fundadores do espaço, decidiram transformar a experiência de vida e a paixão pela educação em algo concreto. Luísa é licenciada em Estudos Portugueses e Lusófonos pela Universidade do Minho e titular da certificação de aptidão profissional na área infantil pela Academia de Versalhes, em França, onde viveu durante vários anos. Foi precisamente em solo francês que conheceu o método da pedagoga italiana e encantou-se com a abordagem centrada na liberdade, no respeito e na autonomia dos miúdos. “Em França tive a oportunidade de crescer profissionalmente, de observar escolas Montessori e de perceber como podiam transformar o quotidiano dos mais novos”, recorda.
O casal regressou a Portugal em maio do ano passado, quando começou a germinar a ideia de criar um espaço que juntasse o melhor das duas dimensões — o rigor pedagógico e a alegria da infância. Durante vários meses, Luísa começou por aplicar as suas práticas em casa e ao domicílio, trabalhando diretamente com famílias da região. “A resposta foi tão positiva que percebemos que precisávamos de um local maior, com condições e materiais adequados”, explica. Assim, a 26 de julho deste ano, inauguraram o Rikiki Diver Sapiens, na Póvoa de Lanhoso, a poucos minutos do centro de Braga.
O nome não foi escolhido ao acaso. “Rikiki” é uma palavra francesa que significa “pequenino”, “querido”, “fofinho” — uma homenagem aos anos vividos em Paris e à ternura das primeiras idades. “Diver” vem de “diversão” e “Sapiens”, do latim, significa “sabedoria”. Juntas, as três palavras sintetizam a filosofia do espaço: brincar, aprender e crescer com alegria.
“Queríamos criar um sítio onde os miúdos se sentissem em casa, pudessem brincar e, ao mesmo tempo, aprender algo novo todos os dias”, conta Luísa. “É um espaço para famílias que precisam de apoio, mas também procuram um ambiente onde a criança é respeitada e feliz.”
O Rikiki Diver Sapiens é colorido, acolhedor e pensado ao detalhe. As salas estão organizadas por zonas de atividade e aprendizagem — tal como nas salas Montessori tradicionais —, com materiais sensoriais, mesas baixas, brinquedos de madeira e prateleiras acessíveis para que as próprias crianças possam escolher o que usar. Há ainda um cantinho de leitura, um espaço de arte, uma zona de brincadeira livre, e áreas destinadas ao apoio ao estudo e aos ateliers temáticos.
O espaço divide-se em três grandes áreas de atuação: educativa, lúdica e criativa.
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Na vertente educativa, o destaque vai para as explicações personalizadas, que abrangem alunos do primeiro ao nono ano. As disciplinas principais são o Português, a História e o Francês, com especial atenção ao Português Língua Não Materna (PLNM). O objetivo, explica Luísa, “não é replicar o papel do professor, mas ajudar os miúdos a descobrir o seu próprio método de estudo, ganhar confiança e autonomia”. Estas sessões têm valores médios entre 10€ e 20€ por hora, variando conforme o nível e o formato (individual ou em grupo).
O apoio ao estudo é outro serviço muito procurado. Funciona para pequenos grupos de alunos, num ambiente tranquilo e organizado, onde há espaço para dúvidas, exercícios e revisão de matérias. Os preços rondam os 8€ a 15€ por aluno e hora, consoante o número de participantes e o grau de ensino.
Na área lúdica e sensorial, o espaço oferece o Atelier Ludo-Educativo Montessori, destinado a miúdos dos 18 meses aos seis anos. Aqui têm oportunidade de explorar peças para ordenar e classificar, kits de matemática, escovas e utensílios infantis, materiais sensoriais e painéis tácteis. As sessões custam, em média, entre 15 a 30€ por miúdo, dependendo da duração e do tipo de atividade. “É através destas experiências simples e práticas que as crianças desenvolvem motricidade, concentração e autonomia”, explica a fundadora.
Outra iniciativa que rapidamente conquistou as famílias são as ‘Tardes na Rikiki’, pensadas para miúdos entre os quatro e os 12 anos. Mais do que um “depósito para os mais novos” enquanto os pais trabalham, o conceito aposta na convivência, partilha e descoberta. “Queremos proporcionar experiências únicas e relembrar tradições portuguesas, como as vindimas, o magusto ou o outono”, diz Luísa. “Os miúdos brincam em comunidade, respeitam-se e aprendem umas com as outras. Cada uma tem algo a ensinar.”
Existe ainda a possibilidade de frequentar o espaço logo de manhã, antes do início das aulas, sendo que o casal se responsabiliza por deixar os miúdos na escola. A tarifa mensal para o período da manhã custa 50€, já para o período da tarde o preço é de 140€. Se desejar lanche, acresce 30€.
“Garantimos um ambiente seguro e acolhedor, com acompanhamento nos trabalhos de casa, jogos e exercícios, atividades de grupo, descanso criativo, estímulo à imaginação, entre outras coisas. Além disso, encontrámo-nos abertos também nos dias de greve escolar, para atender melhor as necessidades dos pais nestas situações”, explica.
Há ainda a vertente de animação infantil e festas de aniversário, que reforça o espírito familiar do espaço. Cada festa é pensada à medida da criança e pode incluir pinturas faciais, atividades artísticas Montessori, jogos tradicionais e momentos de partilha criativa. Os pacotes variam entre 50€ e 100€ por hora e podem ultrapassar 200€ em opções completas com lanche e decoração. “Queremos que as festas sejam mais do que um momento de brincadeira — queremos que fiquem na memória e despertem curiosidade”, sublinha Luísa.
Para celebrar as épocas festivas, o Rikiki Diver Sapiens organiza também eventos sazonais. O próximo será a Festa de Halloween, em parceria com a Pura Diversão, no dia 31 de outubro, com duas sessões: das 17h30 às 19h30 para crianças dos três aos dez anos, e das 20h30 às 22 horas para os mais velhos. O bilhete custa 5€ e inclui pintura facial.
O espaço funciona de segunda a sexta-feira, com horários flexíveis e possibilidade de permanência à hora, ideal para quem precisa de apoio pontual. Aos sábados, está aberto todo o dia, com atividades diferentes e disponibilidade para festas, e aos domingos funciona mediante marcação. Durante as férias escolares, mantém-se aberto com programas específicos de ocupação lúdica e educativa.
“A maior satisfação é ver o sorriso dos miúdos quando descobrem algo novo, ou quando pedem para voltar no dia seguinte”, partilha Luísa. “É perceber que estamos a criar memórias, a afastá-los dos ecrãs e a mostrar-lhes o prazer de aprender de forma natural.”
Mais do que um centro de atividades, o Rikiki Diver Sapiens é uma segunda casa para muitas famílias. Um lugar onde o estudo, a arte e a brincadeira coexistem num equilíbrio perfeito — e onde, como diria Maria Montessori, “a educação é um processo natural que se desenvolve espontaneamente”.
Carregue na galeria para conhecer algumas das atividades disponíveis do novo espaço, a poucos minutos do centro de Braga.

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