No Minho, não é comum encontrar propriedades com 70 hectares. Ainda menos quando, além da dimensão, juntam vinhas, casas antigas, rio, piscina aquecida, experiências para hóspedes e um plano de expansão em curso. É esse o caso do Terra Rosa Country House & Vineyards, em Ponte de Lima, a cerca de meia hora de Braga, que nasceu como projeto de agroturismo em 2021 e que, desde o verão passado, passou também a apostar em casamentos. A novidade mais recente chegou em novembro de 2025, com a abertura de uma loja de decoração onde é possível comprar peças iguais às que se veem no hotel.
O Terra Rosa fica na Quinta de Codeçosa, uma propriedade familiar que remonta ao século XVIII e que tem uma dimensão rara nesta zona do País. Dos 70 hectares, 50 são ocupados por vinha. “É uma quinta com 70 hectares, que é um tamanho muito invulgar para o Minho”, resume Eliana Rosa, fundadora do projeto. O espaço abriu portas como agroturismo em maio de 2021, mas o plano começou a ganhar forma quatro anos antes, a partir de conversas entre pai e filha sobre o futuro da propriedade.
A história começa com uma herança familiar. A quinta passou dos avós de Eliana para o pai, Francisco Rosa, que desenvolveu a exploração agrícola e tornou a propriedade na maior produtora da Adega Cooperativa de Ponte de Lima. Durante vários anos, o foco esteve na produção de uva. Depois, surgiu a ideia de aproveitar também as casas espalhadas pela quinta. “Achávamos que as casas estavam muito pouco aproveitadas e a quinta era tão bonita que eu tinha de a abrir ao público”, conta.
Antes de avançar para a hotelaria, Eliana trabalhou noutras áreas. Estudou gestão de empresas, passou pela indústria farmacêutica e esteve ligada à decoração. Chegou a ter uma loja do setor e foi ela própria quem assinou o projeto de interiores da Terra Rosa. Essa experiência continua visível em todo o espaço e explica, em parte, uma das novidades mais recentes: a abertura de uma loja própria dentro da quinta.
O conceito da Terra Rosa cruza agroturismo, privacidade e uma estética assente em materiais naturais, tons neutros e peças com marcas do tempo. Eliana diz que a decoração foi pensada a partir da filosofia japonesa wabi-sabi. “É ver a beleza no imperfeito e ver a beleza nas peças marcadas e com história”, explica. Por isso, há madeira, linho, algodões orgânicos, mobiliário antigo, objetos recuperados e peças escolhidas para reforçar a sensação de calma. “Quisemos tons neutros que dessem serenidade, tranquilidade e paz ao olhar”, acrescenta.
Desde a abertura, a oferta de alojamento mantém-se concentrada na Casa do Lúpulo, a primeira a ser recuperada. É aí que estão os sete quartos e suítes, além da receção, da cozinha e das zonas comuns. Há quatro quartos duplos e três suítes, algumas com sala de estar e capacidade para famílias. Os preços por noite, com pequeno-almoço incluído, começam nos 150€ em época baixa e podem chegar aos 300€ em época alta, para estadias de casal.
A expansão do projeto tem avançado por fases. Depois da recuperação da primeira casa, os proprietários concluíram uma segunda, que serve hoje de apoio aos eventos e também aos hóspedes. No piso superior há uma sala de estar alternativa, com uma antiga mesa de bilhar recuperada. No andar de baixo funciona uma cozinha ampla com uma mesa corrida para 20 pessoas, usada para refeições, provas de vinho, workshops e apoio logístico ao catering nos dias de evento.
Foi essa nova casa que permitiu arrancar com outra frente de negócio: os casamentos. “A nossa ideia sempre foi abrir depois os nossos espaços também para eventos e, portanto, quando essa casa ficou pronta, começámos a fazer casamentos”, explica Eliana. A maioria tem sido organizada para clientes estrangeiros, sobretudo americanos, ingleses e dinamarqueses. “No fundo somos um wedding destination”, resume.
Os eventos acontecem sempre com aluguer exclusivo da propriedade. Isso significa que a quinta fica reservada apenas para os noivos e convidados, sem cruzamento com outros hóspedes. “Só fazemos casamentos com o aluguer exclusivo de tudo. A quinta fica disponível em uso exclusivo para esse cliente”, explica. Em regra, a reserva inclui um mínimo de duas noites para grupos até 20 pessoas e três noites para eventos maiores.
Os preços variam consoante a época do ano e o número de convidados. Para casamentos até 20 pessoas, os valores começam nos nove mil euros entre novembro e março, passam para 10.500€ em abril, maio e outubro, e chegam aos 12 mil euros entre junho e setembro. Para grupos até 50 pessoas, os preços vão dos 12 mil aos 15 mil euros. Até 100 pessoas, os valores oscilam entre 12.500€ e 15.500€. Até 150 pessoas, entre 13 mil e 16 mil euros. Já os eventos até 200 convidados custam entre 14 mil e 17 mil euros. Todos os valores incluem IVA, alojamento com capacidade para 14 adultos e sete miúdos e pequeno-almoço durante a estadia.
Outra novidade abriu em novembro do ano passado. Trata-se de uma loja de decoração instalada numa das casas da propriedade, criada para responder a um pedido frequente dos hóspedes. “O nosso hotel funciona no fundo como um showroom. Os hóspedes podem comprar tudo o que veem”, diz Eliana. “Desde os sofás, às mesas, aos tapetes, aos candeeiros, aos objetos de decoração, tudo está à venda.” Na nova loja, o foco está sobretudo nas peças mais pequenas e fáceis de transportar. Os preços começam nos 5€ e 10€, mas podem chegar aos 1.000€ no caso de alguns tapetes.
A próxima fase já está em estudo. A equipa quer recuperar mais uma casa da quinta para aumentar a oferta de alojamento. Ainda não há data de abertura, mas a intenção passa por expandir o projeto sem alterar o princípio base que o definiu desde o início: menos rotação, mais privacidade e mais tempo para estar parado.
Além do alojamento, a Terra Rosa organiza várias experiências ligadas à quinta e à paisagem envolvente. Há passeios junto ao rio Neiva, percursos pelas vinhas, massagens, piqueniques, provas de vinho, aluguer de bicicletas, workshops e estadias reservadas por empresas para reuniões de direção e momentos de team building. “Acho que a palavra tranquilidade e parar no tempo é o que mais nos caracteriza”, diz Eliana. “As pessoas sentem muita privacidade, muita tranquilidade e sentem-se em casa.”

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