Os livros José Saramago, o único escritor português a vencer o prémio Nobel da Literatura, em 1998, poderão deixar de ser obrigatórias no sistema de ensino nacional. A medida faz parte de uma proposta de revisão do documento “Aprendizagens Essenciais” (AE), colocado em discussão pública pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação (MECI).
Até ao momento, as escolas podiam escolher entre duas das mais famosas obras de Saramago: “Memorial do Convento”, de 1982, e “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, de 1984. Em alternativa, os professores de português vão ter que escolher um dos dois romances do autor e “Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde” (1994), de Mário de Carvalho, que passa a fazer parte da lista de opções das escolas portuguesas, avança o “Correio da Manhã”.
“É para aumentar a diversidade, é para aumentar as temáticas possíveis. A obra de Mário de Carvalho trata uma questão que é muito atual, que tem a ver com toda uma decadência da sociedade, todo um pensamento do ser humano sobre uma sociedade que está em decadência, com todas as manifestações de populismo, de extremismos, com os perigos vários”, disse Carla Marques, da Associação de Professores de Português, à RTP.
O documento em questão, que representa “um núcleo fundamental de conhecimentos, capacidades e atitudes que cada disciplina deve assegurar”, está disponível para consulta pública até 28 de abril.
Pretende-se que “os documentos finais beneficiem da experiência dos professores, das escolas, das associações profissionais, das instituições de ensino superior e de outros atores com conhecimento relevante sobre o currículo, as práticas pedagógicas e a avaliação”, destaca o Ministério da Educação, Ciência e Inovação.
No seguimento da discussão pública, o documento poderá começar a ser aplicado nos programas curriculares a partir do ano letivo 2027/2028. Fernando Pessoa, Eça de Queirós, Almeida Garrett e Camilo Castelo Branco mantêm-se no plano de leitura do ensino secundário.
José Saramago nasceu a 16 de novembro de 1922 na aldeia de Azinhaga, no Ribatejo, e morreu a 18 de junho de 2012 em Lanzarote, nas Ilhas Canárias, aos 87 anos. Filho de pais humildes, começou a trabalhar como serralheiro e, mais tarde, dedicou-se a outras funções, tendo sido tradutor, jornalista e editor. No entanto, foi como autor que toda a gente o conheceu.
O seu primeiro romance, “Terra do Pecado”, foi lançado em 1947, mas foi apenas nas décadas de 70 e 80 que começou a alcançar reconhecimento nacional, graças a obras como “Levantado do Chão”, “Memorial do Convento”, “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, “A Jangada de Pedra” e, claro, “Ensaio Sobre a Cegueira”, um dos seus trabalhos mais reconhecidos — e traduzidos.

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