A história da cúpula geodésica não começou a ser escrita nas florestas portuguesas, mas sim nos laboratórios criativos de Buckminster Fuller, o arquiteto e visionário norte-americano que, nos anos 40 e 50, procurava soluções eficientes, sustentáveis e baratas para a habitação do futuro. Fuller acreditava que estruturas leves, resistentes e energeticamente eficientes seriam a chave para resolver problemas de habitação global — e assim nasceu o domo geodésico, uma esfera composta por triângulos interligados que distribuem o peso de forma uniforme, tornando-a quase indestrutível e surpreendentemente económica.
Após conquistar a arquitetura experimental, a estrutura rapidamente encontrou espaço na cultura visual. Desde bases científicas a parques temáticos, exposições universais e até em cenários cinematográficos que exploravam visões futuristas do mundo. O caráter semiesférico e a sensação de “bolha isolada do mundo” tornaram as cúpulas um símbolo de inovação — e, décadas mais tarde, de serenidade.
Quando o turismo de natureza começou a ganhar força e o glamping surgiu como alternativa aos hotéis tradicionais, os domes revelaram-se perfeitos: tinham estética impactante, footprint reduzido, implantavam-se facilmente em terrenos naturais e permitiam vistas abertas para o céu. Hoje, são um dos formatos mais procurados por quem procura um refúgio imersivo, romântico e diferente.
Foi exatamente esta combinação de história, estética e funcionalidade que inspirou Rui Amorim, de 27 anos, fundador do Umbra Domes, o novo alojamento a menos de 30 minutos de Braga.
Natural de Vila Nova de Famalicão, Rui sempre aproveitou o tempo livre para descobrir espaços de glamping espalhados pelo País. “Quando experimentei este tipo de espaços, percebi que era uma experiência que acrescentava muito: não é preciso construir uma casa nem um hotel, e faz todo o sentido enquanto negócio”, conta.
Trabalhando na área financeira, Rui via nos domes mais do que uma tendência. Via uma oportunidade — e tinha o local perfeito para a concretizar: a quinta da família, comprada em 2010 e recentemente renovada. Com 16 hectares de floresta, tanques de água natural, zonas de mirtilos, trilhos escondidos e várias clareiras mágicas, o terreno era o cenário ideal para erguer um alojamento pensado para desligar do mundo.
Assim nasceu o Umbra Domes, que abriu oficialmente a 13 de outubro e que, por agora, conta apenas com uma cúpula — mas uma cúpula absolutamente memorável. A ideia de Rui era simples: “apostar em três elementos essenciais — tiny houses, árvores e boa companhia”. Não há distrações, não há excesso. Só aquilo que verdadeiramente importa numa escapadinha.
O dome geodésico foi escolhido precisamente por isso: porque foge ao convencional e cria, logo à chegada, um impacto emocional. A estética delicada, translúcida e quase lunar contrasta com a densidade da floresta que o rodeia. Dentro, há cama de casal, casa de banho privada, ar condicionado e uma pequena cozinha equipada. Lá fora, uma varanda suspensa entre árvores, uma rede para sestas infinitas e um jacuzzi exterior privado com vista para os vales e montes de Famalicão.
Os preços começam nos 140€ por noite, incluindo pequeno-almoço entregue no dome — com pão fresco, iogurtes, fruta, croissants, queijo, fiambre e sumos naturais.
A estadia inclui ainda acesso gratuito a campos de ténis e badmínton, equipamentos completos para jogar, jogos de tabuleiro, trilhos pela floresta, tanques naturais para mergulhos nos dias quentes e recantos perfeitos para ver o pôr do sol ou simplesmente ouvir os pássaros.
Para uma escapadinha romântica, o cenário quase dispensa esforço: jacuzzi ao final da tarde, jantar na varanda à luz de velas, jogos tranquilos ao serão, passeio pela floresta e, à noite, a experiência mais especial de todas — deitar na cama e observar o céu estrelado através da vista ampla da cúpula.
Se preferir explorar a região, há sugestões para todos os gostos a poucos minutos: o centro de Famalicão, com restaurantes modernos como o Brazão, o Terminal ou o Pretextato; os trilhos do Monte de Santa Catarina; o Museu da Fundação Cupertino de Miranda; ou até a proximidade de Guimarães e Braga, ideais para passeios culturais.
“A ideia era que a estética tivesse um papel fundamental. Os alojamentos tradicionais acabam por ser demasiado parecidos com as nossas casas. Aqui, queria algo que surpreendesse”, explica Rui. E conseguiu: o Umbra Domes é um projeto que junta arquitetura inesperada, natureza no seu estado mais puro e a simplicidade de quem sabe que os melhores momentos são, muitas vezes, os mais simples.
Para o futuro, Rui idealiza instalar mais cúpulas e expandir a experiência pelo terreno. Mas, por agora, prefere manter a magia intacta, oferecendo aos hóspedes o procura quando viaja: “momentos de qualidade a dois, sem pressas nem distrações”.
Como lá chegar
Ir do centro de Braga até ao Umbra Domes é rápido e intuitivo. A viagem demora cerca de 24 minutos. Basta seguir pela N309, uma das vias mais diretas rumo ao sul. Comece por sair do centro em direção à Rua de São Geraldo e continue até à Avenida da Imaculada Conceição (N103). Depois, mantenha-se na N309 durante aproximadamente 15 quilómetros, passando por locais como Sequeira, Celeirós e Escudeiros. Quando se aproximar de Telhado, basta seguir até à Avenida de Aziveiro, onde encontrará a entrada para a quinta. É um trajeto simples, cheio de paisagens verdes, perfeito para entrar no mood de escapadinha antes mesmo de chegar ao dome.
Carregue na galeria para ver mais imagens desta cúpula única, a 25 minutos de Braga.

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