na cidade
ROCKWATTLET'S ROCK

na cidade

A empresa de Braga que começou no delivery de comida e agora entrega (quase) tudo

Nasceu antes das grandes apps. Hoje, a Modos leva desde flores e até a um ingrediente em falta à última hora, a casa dos clientes.

Quando falamos em pedir comida para casa, parece impossível imaginar um tempo em que essa prática não era comum. Basta recuar pouco mais de uma década para lembrarmos como tudo começou: primeiro, vieram as caixas de pizza entregues em motas, depois os primeiros serviços telefónicos que ligavam clientes a restaurantes. Só bem mais tarde chegaram as grandes plataformas globais que mudaram para sempre a forma como consumimos refeições — com menus a um toque, notificações em tempo real e entregas cada vez mais rápidas. O delivery tornou-se parte do quotidiano: dias atarefados, jantares improvisados, domingos preguiçosos ou simplesmente vontade de experimentar algo novo sem sair do sofá. Em Portugal, o boom intensificou-se no período pandémico, quando pedir em casa deixou de ser conveniência para se tornar necessidade. No meio desta transformação, ganharam força projetos locais que procuraram fazer diferente — com proximidade, qualidade e um rosto humano por trás das entregas. Em Braga, essa história tem rostos — e apelido com a Modos.

A família Oliveira trabalhava no setor muito antes da Modos existir formalmente em 2008. Marco Oliveira, 35 anos na altura, começou como estafeta, ao lado da família. Com o tempo assumiram franchisings, expandiram para outras cidades e tornaram-se responsáveis por operacionalizar boa parte do que viria a ser o modelo que conhecemos hoje. Aprenderam na prática: logística, tempos, relações com restaurantes, necessidade de fiabilidade. O negócio cresceu, mas um dia o franchising terminou na região — e ficou um vazio. Restaurantes ficaram sem parceiro, clientes habituais ficaram sem quem entregasse o jantar. Foi aí que nasceu a ideia: criar algo próprio, independente, com identidade minhota.

A Modos Delivery surge como continuidade e evolução dessa história familiar. “Os restaurantes incentivaram-nos a criar a Modos porque sempre tivemos uma relação transparente e eficaz com eles”, recordam. Era o momento certo para transformar experiência em marca — mais moderna, estruturada e adaptada ao presente, sem perder a base que sempre os diferenciou: proximidade.

Hoje, o serviço cobre Braga, Vila Verde, Amares, Prado e Guimarães, com expansão prevista para novas cidades minhotas. O modelo combina operação tecnológica com toque humano — algo cada vez mais raro no setor. Há site, app, mas também apoio telefónico real para resolver imprevistos na hora: se um prato estiver esgotado, ajusta-se sem perder o pedido. As entregas são feitas em carro, com sacos térmicos, estafetas fardados e formação interna. A prioridade é preservar a qualidade da refeição — mariscadas, assados, pizzas gigantes, pedidos sensíveis que muitos restaurantes só confiam distribuir através deles.

O funcionamento é simples e intuitivo. Basta abrir a aplicação ou o site, inserir morada ou código postal, escolher restaurante ou loja, consultar menu e finalizar o pedido. O cliente recebe confirmação por e-mail e espera pela entrega prevista. Se mudar de ideia, pode cancelar até cinco minutos após o pedido. Para quem prefere voz humana em vez de cliques, existe também encomenda por telefone. Os pagamentos podem ser feitos por cartão, MB Way, multibanco ou numerário à porta.

Quanto a valores, funcionam por zona fixa: 3,20€ dentro da zona base, 4,10€ zona intermédia, 5,30€ zona de extremidade. Para restaurantes fora de zona, o mínimo é 11€. Não há subscrições obrigatórias e existem promoções pontuais. O horário é diário, do meio-dia às 14h30 e das 19 às 22 horas, exceto datas festivas assinaladas.

Se no início tudo girava à volta de refeições, 2024 marcou um novo capítulo. Desde 18 de novembro, a Modos deixou de ser “só a app do jantar” e passou a ser também solução para o quotidiano. Agora, além de comida, é possível pedir items essenciais — farmácia, flores, mercearia, bebidas, ração para animais, produtos de conveniência e até aquele ingrediente que faltou no meio da receita. É o delivery que salva quando o tempo é curto, quando o gato ficou sem areia, quando o jantar improvisado precisa de um upgrade. “Tudo o que precisas, num só lugar”, resume a marca.

Há ainda um serviço extra pouco comum no setor: recolha e entrega entre moradas, útil para documentos, compras esquecidas em casa ou encomendas urgentes de um ponto para outro.

No centro de tudo, continua a mesma base — família, proximidade e ligação real com quem cozinha e com quem recebe. “Somos feitos em Portugal para Portugal”, reforçam. O feedback dos parceiros comprova isso: restaurantes elogiam apresentação e cuidado dos estafetas; clientes destacam o atendimento próximo. “Já nos perguntaram quando abrimos noutras cidades.”

A Modos cresceu com a cidade, mas também a cidade cresceu com a Modos. É mais do que logística — é parte do ecossistema gastronómico bracarense, que ajuda a movimentar restaurantes locais e a facilitar a vida de quem trabalha ou vive acelerado. Num mercado dominado por gigantes internacionais, ver uma marca familiar, minhota e independente consolidada é sinal de que tradição e inovação podem caminhar juntas.

Seja para matar o desejo de sushi num dia preguiçoso, pedir pipocas do cinema sem filas, mandar flores surpresa, resolver a falta de leite antes do pequeno-almoço ou garantir ração para o patudo, basta abrir a aplicação. O resto chega até casa — com o mesmo cuidado de quem entrega algo que podia ser para si.

 

ARTIGOS RECOMENDADOS