Há lugares que parecem saídos de um conto encantado, e a Aldeia de Pontes, em Castro Laboreiro, a uma hora e meia do centro de Braga, é um deles. Este pequeno aglomerado de casas em pedra, perdido entre montanhas e ribeiros, voltou a ter vida após mais de 15 anos ao abandono. Em pleno Parque Nacional da Peneda-Gerês, tornou-se um projeto exemplar de recuperação rural e de turismo sustentável.
A aldeia foi completamente reconstruída há cerca de três anos por Manuel Rodrigues e Sara Domingues, um casal da região, que decidiu devolver ao local as memórias e tradições que o tempo tinha levado. “Sei o sacrifício dos meus antepassados para fazerem aquelas casinhas, e ver tudo degradado era um pesadelo”, recorda Manuel. Foi com essa motivação que começou, sozinho, a reerguer as casas de granito, a recuperar os terrenos e a revitalizar práticas agrícolas ancestrais.
O resultado é um refúgio onde o silêncio é apenas interrompido pelo som da água a correr nos riachos e pelo toque dos chocalhos das vacas cachenas, que voltaram a pastar livremente nos prados de Pontes. O projeto não se limitou à reconstrução física: Manuel e Sara recuperaram também a pastorícia, a apicultura — com mais de 40 colmeias — e a agricultura de subsistência, com hortas e árvores de fruto espalhadas pela aldeia. O mel ali produzido, pode ser comprado na receção, que também funciona como pequeno centro interpretativo da cultura castreja.
Atualmente, a Aldeia de Pontes conta com oito casas de turismo rural — de tipologias T1 a T3 — e uma nona está em construção. Todas foram reabilitadas respeitando a traça original e utilizando materiais locais, como a madeira e a pedra, combinados com conforto moderno. Cada casa tem lareira, aquecimento, cozinha equipada e churrasqueira privada no exterior, perfeita para preparar refeições e desfrutar das noites frias junto ao lume.
Os nomes das casas contam histórias da aldeia e das suas gentes. A Casa da Forja recorda o local onde outrora se moldava o ferro; a Casa da Eira homenageia o espaço comunitário onde se malhava o centeio; a Casa do Lume era a casa principal das famílias, onde se vivia e cozinhava à volta da fogueira; e a Casa da Figueira deve o nome à árvore centenária que cresce no seu pátio. Cada alojamento é uma peça viva da memória castreja, cuidadosamente transformada num espaço de descanso.
Os preços começam nos 85€ por noite, para duas pessoas, com reserva mínima de duas noites. As casas maiores, com dois ou três quartos, podem receber até oito hóspedes. No verão, há ainda uma piscina exclusiva para os visitantes, ideal para quem prefere mergulhar em águas tranquilas sem sair do vale.
Para quem procura desligar do mundo — literalmente —, a Aldeia de Pontes é o sítio certo. O sinal de telemóvel é fraco e o Wi-Fi não existe. Aqui, a proposta é outra: abrandar o ritmo, respirar fundo e “mergulhar” na natureza. “Morar aqui é como ser um melro: às vezes passamos frio, outras vezes calor, mas andamos livres e felizes”, descreve Manuel.
A envolvente convida à exploração. Da aldeia partem vários trilhos pedestres e de BTT, com diferentes níveis de dificuldade e paisagens que parecem intocadas. O Trilho Circular de Pontes, com apenas dois quilómetros, é perfeito para uma caminhada leve ao longo do rio Laboreiro, passando por antigos moinhos e pelo Poço do Contador, uma pequena lagoa de águas cristalinas. Mais adiante, pode visitar a Cascata de Pontes ou a emblemática Ponte da Cavada Velha, um dos monumentos medievais mais bonitos de Castro Laboreiro.
Nos arredores, há ainda muito por descobrir: o Castelo de Castro Laboreiro, o Santuário da Senhora da Peneda, ou, já em Melgaço, o Solar do Alvarinho, onde é possível fazer provas do vinho mais emblemático da região. Para os dias frios, as termas de Lobios (em Espanha, a cerca de 20 quilómetros) são uma excelente alternativa — águas quentes ao ar livre com vista para as montanhas.
De regresso à aldeia, o conforto continua dentro das casas. A lareira acesa, o cheiro a lenha e o silêncio das montanhas criam o cenário perfeito para um retiro de inverno. Seja em casal, em família ou com amigos, o ambiente é acolhedor e autêntico — longe do turismo massificado e próximo da essência rural portuguesa.
A Aldeia de Pontes é, acima de tudo, um projeto de preservação e amor pela terra. Um exemplo de como o património pode ganhar nova vida sem perder as suas raízes. E uma prova de que, no Gerês, ainda há lugares onde o tempo abranda, a natureza fala mais alto e a alma encontra descanso.
Como lá chegar
Chegar à Aldeia de Pontes é, por si só, parte da aventura. A viagem desde o centro de Braga demora cerca de 1h25, e percorre cerca de 103 quilómetros de paisagens verdes e sinuosas, atravessando vales, serras e pequenos povoados rurais. O percurso faz-se pela A11 e pela A3 até à saída para Arcos de Valdevez, seguindo depois pela IC28 e pela N203 em direção a Castro Laboreiro, durante 86 quilómetros. Nos últimos 17 quilómetros, já dentro do Parque Nacional da Peneda-Gerês, a estrada afunila e o cenário torna-se ainda mais encantador — com carvalhais, ribeiros e vistas panorâmicas sobre o vale. O destino surge discretamente assinalado: Pontes, 4960-080 Castro Laboreiro.
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