A tradição do magusto à moda antiga está profundamente enraizada em Braga. Muito antes de serem eventos organizados no centro da cidade, estes encontros nasceram nos terreiros das aldeias, onde vizinhos se juntavam ao final da tarde para celebrar o outono à volta do lume. As castanhas assadas eram o pretexto, mas o que realmente importava era a partilha — um ritual comunitário feito de conversas, cantorias espontâneas, vinho novo e o inevitável cheiro a fumo que ficava entranhado na roupa.
Em Braga, esta prática ganhou força graças ao trabalho de vários grupos culturais, que se dedicaram a preservar as tradições do Baixo Minho. Entre eles, a Rusga de São Vicente de Braga — uma das associações mais emblemáticas da região — desempenhou um papel central ao trazer para a cidade esta celebração popular. Com o passar dos anos, o magusto à moda antiga tornou-se um dos momentos mais aguardados no calendário cultural bracarense, reunindo famílias, curiosos e apaixonados pela cultura minhota.
Estava previsto voltar a acontecer no passado domingo, 16 de novembro, mas o mau tempo obrigou a mudar os planos. A direção da Rusga anunciou o adiamento do evento para o próximo domingo, 23 de novembro, a partir das 15 horas, no terreiro contíguo à Torre de Menagem, no coração da cidade. “Atendendo às previsões de mau tempo para amanhã, a Rusga adia para o domingo, dia 23, o magusto popular ‘A Rusga desce ao Terreiro’ e a respetiva 4.ª edição do ‘Registo Fotográfico’. As nossas sinceras desculpas pelo transtorno”, informou a organização.
Apesar da mudança de data, tudo se mantém como planeado. A iniciativa volta a cumprir a tradição e promete recriar a atmosfera dos magustos de aldeia, trazendo-a para o centro urbano. A atividade principal, “A Rusga desce ao Terreiro”, vai encher a envolvente da Torre de Menagem com folclore e muita animação.
Como habitualmente, quem aparecer pode provar umas castanhas assadas acompanhadas com jeropiga ou vinho novo, ao som das concertinas e dos cantares populares. A Rusga de São Vicente é reconhecida pela forma como preserva o património do Baixo Minho — do folclore às indumentárias tradicionais — e o magusto é uma extensão desse trabalho, transformando o centro de Braga numa verdadeira aldeia minhota por uma tarde.
Além do magusto, decorre também a quarta edição do “Registo Fotográfico – A Rusga desce ao Terreiro”, que desafia fotógrafos, amadores e curiosos a captar a essência do evento. Os trajes, as danças, as expressões populares e os pequenos detalhes da festa tornam-se inspiração para quem gosta de registar momentos culturais.

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